Acidentes

Camiões e motociclos matam mais de 140 pessoas

Cento e quarenta e sete pessoas morreram, entre Janeiro e Maio de 2010, em consequência de acidentes provocados por camionistas e motociclistas, avançou a O PAÍS o porta-voz da Direcção Nacional de Viação e Trânsito (D.N.V.T), Angelino Serrote.

“As estatísticas nos mostram que desde Janeiro a Maio de 2010, houve 1.036 acidentes do género, que vitimaram 147 pessoas e deixaram feridas 848 pessoas”, precisou o oficial da Polícia Nacional, que o choque entre veículos automóveis e velocípedes tem estado na origem de muitas mortes e ferimentos.

Serrote garante que, a julgar pela estatística, a natureza desses acidentes constitui o terceiro item de acidentes resultantes em mortes e feridos, daí a preocupação da Viação e Trânsito e da Polícia Nacional em fiscalizar e reforçar os planos de prevenção para o circuíto de motociclos e veículos.

O porta-voz da D.N.V.T referiu ainda que se nota um elevado número de acidentes que envolvem viaturas pesadas, por causa da especificidade das próprias viaturas que, ao circularem, não respeitam os limites de velocidade impostas por lei.

“Se repararmos, nas estradas há uma espécie de imposição de força nos veículos pesados, cujos condutores o fazem de forma desaconselhável, ao ponto de um veículo que tem de andar a menos de 60 quilómetros por hora, o fazer a 100 ou 120”, exemplificou, citando que tal acontece dentro das localidades, normalmente em horas mortas ou de ponta.

O nosso interlocutor sublinha que isso por si só esvazia completamente a justificação que os motoristas dos pesados alegam, segundo a qual a complexidade dos meios de transporte que conduzem dificulta as manobras e outras operações, ao ponto de abandonarem temporariamente muitos camiões, na via pública.

“O problema se agudiza em determinadas vias, por causa de certos veículos pesados que se encontram parados durante muito tempo, sem que isso  esteja bem sinalizado”, relatou o porta-voz,

alegando que esse facto está na base do elevado número de acidentes.

A par disso, constata-se que, nas vias com reduzida iluminação e naquelas onde o trânsito se faz com maior fluidez também, o perigo é iminente.

O oficial indicou as avenidas 21 de Janeiro, no município da Samba, e a Pedro de Castro Van-Dúnem “Loy” (no Kilamba Kiaxi), para além da Via Expressa Cabolombo-Cacuaco e a estrada do Zango, em Viana, como os pontos mais críticos da província  de Luanda.

No que toca às estradas nacionais, Angelino Serrote destacou a que liga Luanda a Catete, bem como a via Luanda-Caxito, as quais considerou como uma grande preocupação para a Polícia Nacional.

Outra preocupação do responsável tem a ver com as mortes resultantes de acidentes do género, no Huambo e Benguela, que, no seu entender, têm vindo a superar Luanda.

“Huambo e Benguela já têm superado Luanda, como confirmam dados recentes, que apontam para  34 e 33 mortos, respectivamente”, precisou.

A mesma tendência se verificou ao nível de choques que envolvem veículos de duas rodas, onde Benguela teve 282 acidentes e o Huambo 162, enquanto Luanda ocupou o terceiro lugar, com 159 ocorrências.

Interrogado sobre as pretensões dos motociclistas e camionistas que propõem a criação de faixas específicas para os seus meios, o portavoz recordou que as vias estão a ser reestruturadas e ampliadas, um sinal que lhe leva a pensar que tal solução possa constar do plano do Governo. “Até porque o Código já permite que haja corredores de circulação para veículos específicos”, adiantou. Finalmente, Angelino Serrote aconselhou aos condutores em geral a terem cuidado em manobras como ultrapassagens, alertando ainda para o perigo do excesso de velocidade. Quanto aos peões,  pede para fazerem as travessias nos pontos indicados, que são as passadeiras aéreas ou as devidamente sinalizadas no asfalto.

Motociclistas admitem culpa, mas...

Abordado na rua da Samba, junto ao Posto de Emissão do B.I, às 12h:42, o motociclista Emerson de 28 anos, morador da referida rua, começou por admitir que ele e outros condutores de motociclo transtornam o trânsito, mas sublinhou que quem mata são os camionistas.

“Estarei a mentir se disser que nós não causamos embaraço ao trânsito automóvel, mas eu acho que o mais preocupante é o número de mortes causados pelos camionistas”, ressaltou o jovem, especificando que os chineses e os motoristas da construtora ODEBRECHT são os principais autores.

“Esses não transtornam, matam mesmo e as vítimas deles somos nós”, referiu, acusando-os de “assassinos da via”.  O motoqueiro, que circula com um modelo Honda 600 T , defendeu a criação de faixas específicas, para amenizar a situação.

Como ele, Celmo José, que falou para a nossa reportagem na zona da Cerâmica, defronte à escola Heróis de Kangamba, na Samba, 23 minutos antes de Emerson, acha que os motociclistas andam mal, por não terem um corredor dedicado.

“Somos obrigados a fazer curvas e contra-curvas, para ver se nos livramos do engarrafamento”, explicou, alegando que isso não aconteceria se as motorizadas tivessem a sua via.

Na ocasião Celmo José não fazia uso de capacete, atitude que admitiu ser pura negligência sua.  Segundo disse, quando é apanhado pelos agentes de trânsito, negoceia a sua liberdade a troco de algum dinheiro.”Pelo menos sempre me safo”, assumiu, confiante.

O PAÍS esteve depois na central de operações da UNICARGA, no bairro da Boa Vista,  a fim de ouvir a versão dos camionistas. Estes não admitem as acusações que lhes são imputadas e defendemse afirmando que as pessoas deviam preocupar-se com o estado das vias onde circulamos com carros de grande porte, levando mercadorias de alta tonelagem.

“As pessoas de direito devem arranjar as vias, para não andarmos mais em estradas esburacadas”, defendeu Augusto Tito, de 30 anos de idade, há cinco anos nestas lides. Quanto ao receio que a maior parte dos automobilistas sustenta em relação aos homens que transportam contentores, Augusto Tito afirmou que isso é problema de consciência.

José Lucas, morador do município do Rangel, é outro camionista que falou à nossa reportagem. Ele disse que todos que andam pelas estradas de Luanda estão propensos a erros. Tripulante de um pesado da marca Volvo, pede serenamente que a sociedade não se vire contra os camionistas, que não lhes sejam imputadas culpas.



Por: Alberto Bambi Fotos: Chissano Em: 01-08-2010 20:57:00
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