Crime

Bárbara Nogueira espancada até à morte

Os restos mortais da cidadã Bárbara Menezes de Sá Nogueira, 38 anos, funcionária do Banco Millenium Angola, cujo corpo foi encontrado com vários golpes de faca no tórax e abdómen, bem como sinais de tortura, na manhã desta segunda-feira, 3, nas imediações do Kikuxi, em Viana, repousam desde quarta-feira no cimenteiro do Altos das Cruzes.

Apesar de os peritos da Direcção Provincial de Investigação Criminal de Luanda (DPIC), que estão a conduzir o processo, ainda se encontrarem numa fase inicial da investigação, detiveram a cidadã Judith da Silva como sendo a principal suspeita do crime.

Segundo Atos Nogueira, marido da vítima, a jovem assumiu a sua participação no crime ao ser interrogada pelos investigadores sobre o caso, sem precisar se contou com a ajuda de outros indivíduos, e indicou o local onde se encontrava o corpo.

Está ainda por se esclarecer qual o argumento que ela terá usado para convencer a presumível amiga a ir com ela até ao sítio onde viera a assassinada. Tendo em conta que a malograda saiu de casa com o propósito de ir levar a filha, Pérsia Alexandra Meneses de Sá Nogueira, de 11 anos, à escola e depois reunir-se com um dos clientes do banco em que trabalhava, cujo nome também não foi revelado até ao fecho da presente edição.

A informação sobre o desaparecimento da jovem Samora, como carinhosamente era chamada pelos mais próximos, foi tornado público quatro dias antes, isto é, na sexta-feira, 30, por um dos seus irmãos, em entrevista ao programa radiofónico Jovial Cidade, da Rádio de Luanda, conduzido por Patrícia Faria e Bismark José.

Desesperado, a jovem informou por telefone que já a haviam procurado em toda a parte, inclusive na residência que ela e o esposo estavam a construir, na comuna do Benfica.

Na altura, Atos Nogueira, encontrava-se no exterior do país e, ao tomar conhecimento do desaparecimento da sua amada, regressou imediatamente para juntar-se aos familiares e amigos que a procuravam incansavelmente pelas ruas de Luanda. Alimentava a esperança de que estivesse bem de saúde e que, caso se tratasse de um rapto, os seus algozes poderiam ligar a qualquer momento para exigir dinheiro em troca da sua libertação.

De acordo com um dos familiares, esta hipótese acabou por ganhar maior consistência quando os polícias encontraram o automóvel, de marca Nissan, modelo Juke, de cor branca, da gerente da agência sede do Banco Millenium Angola, no parque de estacionamento de um dos edifícios onde vivia a acusada.

Este facto levou os policiais a descartarem a possibilidade dela ter sido vítima de assalto e adoptaram um novo método de investigação que os levou até à suposta autora do homicídio.

Alguns dias antes de a acusada ter sido detida pela Polícia Nacional, o esposo da malograda tentou entrar em contacto com ela para obter alguma informação que pudesse contribuir para a descoberta do paradeiro da sua companheira de vários anos, sendo que ela se mostrava indisponível.Ele só conseguiu realizar o tão almejado encontro com a ajuda de um amigo que a convenceu, mas, durante as cerca de duas horas que conversaram no interior da sua viatura, não notou nada de anormal que pudesse ligar Judith da Silva ao assassinato da sua companheira.Na residência da malograda, o ambiente de dor e luto está bem patente no rosto da sua mãe que está a ser tranquilizada à base de calmantes, as filhas de 17 e 11 anos estão inconsoláveis, enquanto Atos Nogueira, o esposo, prossegue fazendo diligências juntos da Polícia para apurar os reais motivos que levaram ao assassinato da sua amada.

Os familiares da vítima descartam a possibilidade de elas terem sido amigas e consideram que esta é uma versão que a acusada está a tentar passar, mas que não condiz com a realidade pelo facto de a única amiga que ela tinha responder pelo nome de Cláudia.Eles aguardam ainda ansiosamente pelos pronunciamentos do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional sobre esta matéria, tal como prometeu o ministro do Interior Ângelo da Veiga Tavares, nesta quarta-feira, em declarações à imprensa, à margem do velório dos três agentes da Polícia Nacional, mortos no município de Cacuaco.

A jovem Judith da Silva vivia com o esposo e os filhos.

Ciúmes e dinheiro entre as causas do crime

A autora confessa do assassinato da jovem Bárbara de Sá Nogueira “Samora”, então gerente de um balcão do Banco Millenium Angola, relatou durante as primeiras investigações que o crime teve como razão uma suposta relação íntima com a vítima.

De acordo com uma fonte deste jornal, Judith da Silva explicou que houve um desentendimento por causa do envolvimento de uma terceira pessoa que se terá intrometido no seu seio.

De acordo com as informações avançadas pela homicida confessa, tudo aconteceu quando Bárbara deslocou-se ao seu apartamento num dos novos edifícios construídos nas proximidades da Feira Internacional de Luanda (FILDA).

Durante a discussão, Judith revelou às autoridades que inicialmente a vítima espetou-lhe um porta-mina e em resposta espetou-lhe uma faca e outras até que esta veio a sucumbir.

A fonte revelou ainda que depois de a homicida contou que depois de ter consumado o assassinato colocou o corpo da companheira numa mala. A seguir telefonou para o motorista que a ajudou a depositá-lo no porta-bagagem de uma viatura.

O passo a seguinte foi transportar o corpo de Bárbara de Sá Nogueira para uma obra nas proximidades da vala do Kikuxi, em Viana, com ajuda do motorista.

Este último encontra-se neste momento detido pelo facto de ter encoberto o crime, segundo as fontes deste jornal. “Ele não participou directamente no crime, mas devia ter participado à Polícia”, acrescentou a fonte. Uma outra fonte assegura que estará também entre o móbil do crime uma suposta dívida, estimada em cerca de 15 mil dólares norte-americanos, que a malograda reclamava do seu carrasco.  

Desaparecida desde o dia 30 de Maio, as informações iniciais apontavam para o facto de Bárbara ter levado inicialmente a filha à escola e posteriormente deslocou-se às imediações da FILDA para uma reunião de negócios.

O seu carro, um Nissan Juke, seria encontrado com a matrícula encoberta nas redondezas do salão de exposições.

Este jornal apurou que Judith já possui alguns antecedentes. Pessoas que lhe são próximas avançaram esta semana que ela viveu durante largos anos na Holanda, onde acabou por fazer um filho com um cidadão deste país.

Por causa de supostos maus-tratos, a justiça holandesa retirou-lhe a custódia do filho, tendo sido o posteriormente entregue a uma instituição social.

Segundo ainda as mesmas fontes, Judith terá raptado o próprio filho. Viajaram de táxi entre Holanda e Lisboa, onde posteriormente apanhou um avião com destino a Angola.

Por causa desta suposta fuga, segundo as fontes que avançaram a informação, a homicida confessa arranjou problemas com a justiça holandesa.



Por: Em: 11-06-2013 17:15:00
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