Testemunho

Conjunto nzaji aplaudido em Brazzaville

Tido como um dos mais antigos conjuntos, do Sambizanga, os Kimbambas do ritmo, tiveram igualmente o comando de José Eduardo dos Santos. O grupo foi criado em 1960 no mesmo bairro, anos depois do mítico Ngola Ritmo, sendo na altura os dois únicos conhecidos na cidade.

A sua presença deu origem Kimbambas Ginásio Desportivo, juntando assim, duas atracções. Com ele integraram o grupo, Pedro de Castro Vand-dúnem “Loy”, Beduíno da Silva “Buanga”, Mário Santiago, Bea Santiago, Faísca, Amem de Deus, Manuel Rufino da Conceição neto “Biguá”, Brito Sozinho, Tomás dos Santos e Domingos dos Santos.

Segundo testemunhos de alguns integrantes, por nós contactados, o grupo lançou-se na altura com actuações músico-culturais ao vivo, intercalando com actividades desportivas, proporcionando assim, momentos de lazer ao público, não só do Sambizanga, como de outros bairros.

Unidos pelo mesmo sentimento, apostaram na música como entretenimento e assim, decidiram continuar, atraindo multidões em todos os locais onde se faziam presentes.

Com o passar do tempo, a sua actividade viria ser interrompida, devido à tensão política que o país viveu no período colonial, originando o afastamento de alguns dos seus integrantes para o cumprimento de outras missões.

Este vazio, viria a ser preenchido mais tarde por outros instrumentistas que deram continuidade ao projecto. Na altura, o grupo passou a chamar-se Nzaji e viria a afirmar-se na Diáspora, durante o exílio.

Segundo os mesmos, o programa “Angola Combatente” do MPLA, emito a partir de Brazaville, foi um dos meios. A fase embrionária deste grupo foi marcada por José Eduardo dos Santos, (Viola solo), que adquirira na altura o alcunha de Franco, Pedro de Castro Van Dúnem “Loy” (Nico), e Mário Santiago.

Seguiam-se Manuel Rufino da Conceição Neto “Biguá”, Bea Santiago, a única voz feminina no grupo, e o cantor e dançarino Brito Sozinho. A sua aparição há 44 anos no mesmo bairro e, mais tarde, num Festival realizado no Estádio dos Coqueiros. Ao contrário de outros grupos que foram aparecendo, nas suas exibições os Kimbambas do Ritmo, nunca cobraram prémios pelos préstimos.

Dada a fama e audiência que os Kimbambas do Ritmo foram conquistando, cedo se tornou o grupo mais referenciado da área, o que permitiu o estabelecimento de amplas relações que levaram vários jovens, muitos deles do bairro Operário, Marçal, entre outros, a optar pela música.

O legado deste grupo foi passado em Fevereiro de 2006 ao jovem guitarrista, compositor e intérprete, Domingos Fernando “ Manú”, durante uma gala realizada no Cine Tropical pelo Ministério da Cultura. Actualmente, sob o comando de Domingos Manú, os Kimbambas do Ritmos são constituídos por oito elementos: Manú, João Morgado, Juca, Alex Samba, Eliezeu Botto Trindade, A. Lizeu, Neto e Bela Rosa.

O grupo reeditou na altura um trabalho do conjunto Nzaji, criado após a desintegração dos Kimbambas. “Caputo”, “MPLA em Vunlize”, “Dr. Neto”, “Brito Mino”, “Demba”, foram entre outros, os temas incluídos no primeiro disco, muitas dos quais cantados por José Eduardo dos Santos. “Muadiakimi” termo em kimbumbu que traduzido em português significa “Mais velho”, foi um dos CD´S que marcou o reaparecimento do grupo no mercado.

Em: 21-03-2012 14:55:00
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