Do prédio Cuca ao Zango III

Os moradores dos entrepisos do prédio Cuca, no Quinaxixe, município da Ingombota, em Luanda, viram-se transferidos para as novas casas do Zango III, no município de Viana, terça-feira, 7, apurou O PAÍS junto de um do exocupante desses compartimentos.

De acordo com a fonte, que preferiu falar sob anonimato, a medida não agradou às dez famílias que viviam nos referidos compartimentos, devido ao desejo inicial de também habitarem nos apartamentos dos prédios do Zango, lugar onde foram realojadas as mais de 100 famílias com quem partilharam a vida no edifício da Cuca, durante muito tempo.

“Nós vivemos muito tempo juntos, como é que agora alegam que nós não contamos como residentes?”, contestou, invocando os seus mais de 20 anos de morador como argumento suficiente para merecer igual tratamento ao que foi dado à maior parte dos vizinhos.

Até à noite de domingo, os residentes ficaram a saber que não constavam da lista de beneficiários das residências prediais do Zango, apurámos junto do nosso interlocutor, que revelou de que forma surgiu a “sentença” do Zango III.

“As 10 famílias que viviam nas chamadas casas de serviço do referido edifício só ficaram a saber da solução para o Zango III, na manhã de segunda-feira, 6, pelo coordenador da Comissão de Realojamento de Luanda, Bento dos Santos Fragoso Soito”, pormenorizou.

Esta decisão, avançou a fonte, resultou das reclamações sucessivas dirigidas à equipa daquele dirigente, porque, até às seis horas da manhã de segunda-feira, via o seu destino, tal como o dos companheiros, marcado pela incerteza.

“Os homens do Governo não nos diziam nada, passavam e repassavam a chamar os nomes dos outros moradores, que constavam de uma nova lista, feita na madrugada de domingo, 5, até que decidi discutir com a comissão de realojamento sobre a nossa situação”, revelou, adiantando ter obtido como resposta esperar pela atribuição de um terreno, onde viriam a ser construídas as suas casas, com ajuda do Governo da Província de Luanda (GPL).

Vale lembrar que aquele que o nosso entrevistado considera como primeiro cadastro do pessoal do prédio Cuca, feito no princípio do ano em curso, contemplou os residentes dos entrepisos, cujos compartimentos tinham sido numerados, na ocasião.

Por isso, a solução de construção de casas deixou o nosso interlocutor ainda mais inconformado, ao ponto de exigir aos efectivos do GPL que averiguassem as condições de que dispunha o seu habitat.

“Só desse jeito consegui convencer os funcionários do GPL que eu e os meus confrades merecíamos também uma casa condigna”, disse, confessando que não esperava a solução do Zango III, quando ele e outros sabiam que, nos dois prédios de destino dos moradores da Cuca, havia apartamentos para todos.

Segundo disse, a sua tristeza aumentou pelo facto de saber que outras pessoas, que também viviam em apartamentos pequenos, com apenas um quarto, teriam sido contempladas com residências de luxo nos novos prédios.

Trata-se do tipo de entrepisos classificados como apartamentos, ao passo que os entregues aos dez dos queixosos foram concebidos para funcionar como dispensa ou arrecadação, mas acabaram por ser transformados em pequenos apartamentos, equiparados a T1, que já albergavam famílias constituídas.

Questionado sobre a maneira como adquiriram a propriedades daqueles aposentos, a nossa fonte começou por reconhecer que vivia no entrepiso de forma ilegal, tendo confessado que, até o momento da evacuação, não possuía nenhum documento do imóvel.

“Acabamos por fazer um bem a nós próprios, porque, antes disso, o local era aproveitado para actos de prostituição, tráfico de droga, violações e outros tipos de crime”, acrescentou ao reconhecimento da nuno SantoS sua ilegalidade, para fazer crer que a sua ocupação valia por uma causa nobre. Por isso, contrapõe-se, a ferro, contra aqueles que classificam a tipologia da transferência do governo de Luanda como um grande favor prestado a si e aos seus vizinhos.

“Sou contra aqueles que dizem que aqui vivíamos mal e o governo nos fez um grande favor em darnos uma casa no Zango III”, contradisse, argumentando que seus lares tinham condições aceitáveis para a habitabilidade de uma família.

Ainda nos edifícios do Zango, o antigo morador do prédio Cuca alegou que as habitações do Zango III não estavam prontas a serem habitadas, realçando o facto de só possuírem um quarto, uma sala, uma cozinha e casa de banho, sem água nem energia eléctrica.

No Zango III Obtida esta informação, a nossa reportagem rumou, na manhã de terça-feira, 7, para o Zango III, com o objectivo de apurar a sua viabilidade habitacional.

O País deparou-se com novas residências, numeradas, a fim de receber os novos inquilinos. Nas paredes das casas eram notórios registos como D659AE, D659AD e D660DD; D660DE, D660DB e D660BE, para além de D660CE, D660CD, D660Ae e D660AD, bem como D661DD, D661DE, D661BD e D661BC.

Por: Alberto Bambi Fotos: Nuno Santos Em: 10-12-2010 11:01:00
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