Formação de camponeses

Cursos sobre gestão sustentável de terras abrangem crianças e kuanza sul

O coordenador do projecto de Gestão Sustentável de Terras-ELISA, Amílcar Salumbo,  diz haver menos dinheiro que o esperado para continuar a financiar acções de formação que visam capacitar os camponeses e técnicos sobre as diversas formas de conservação dos solos e do ambiente.

Explicou que, existe a intenção de as acções de formação iniciadas em 2010 serem mais abrangentes, neste ano, já que foi identificado na concepção do projecto que as grandes limitações da abordagem da questão da gestão das terras são os conhecimentos.  “Foi feito um estudo para delinear um plano de formação para vários grupos alvo, definindo de acordo com as necessidades naquilo que se vai ministrar. Sabemos que é uma matéria nova e é preciso que haja domínio suficiente dos conhecimentos para que a abordagem seja aquela que se pretende”, sublinhou.

O coordenador revela positivo, o balanço das actividades realizadas em 2010, segundo ano de implementação do projecto de Gestão Sustentável de Terras (ELISA), tendo em conta a entrega dos formadores e dos formandos, para além dos resultados obtidos nas acções da iniciativa dos parceiros.  Explicou que as acções de formação foram dirigidas aos parceiros mobilizados em 2009: “com os cursos criaram-se oportunidades para fornecer conhecimentos de base, necessários para que os participantes tivessem a capacidade de implementar o processo de formação nas comunidades em que eles trabalham”, referiu.

242 já sabem como  conservar solos

As formações basearam-se em temas sobre erosão e degradação dos solos, gestão das florestas e das pastagens, o aquecimento global, utilização da terra e conservação da fertilidade do solo, e utilização agrícola da terra e práticas de protecção contra degradação, tendo abrangido um total de 242 pessoas.

Da lista de parceiros constam Instituições do Estado, Organizações não Governamentais, Agências Internacionais e cooperativas de camponeses, que deverão replicar os conhecimentos e as boas práticas de uso das terras para as outras regiões do país.

Constou ainda dos apoios aos parceiros, a intervenção do projecto ELISA no programa especial de segurança alimentar executado pela FAO, e a ONG ADRA.

Também com o apoio do projecto ELISA foi possível fazer-se um Atlas da província do Huambo que espelha questões sobre os recursos naturais, de terra, humanos e alguma história do planalto central, instrumento valioso para o projecto e vários utilizadores, investigadores, académicos e outros interessados.

O projecto estendeu o seu apoio aos parceiros da província do KwanzaSul, especificamente do município de Waco-Kungo e Quibala, nas acções de educação ambiental.

A casa ecológica também recebeu apoio para a realização do trabalho de sensibilização nas escolas primárias, denominado “Kandengue Ambiental”, para além do trabalho de requalificação do vale de Santa Iria (Rio Calondeia).

Foi também, em 2010, dinamizado o projecto de validação do Plano Nacional de Acção de combate contra a desertificação.

Amílcar Salumbo esclareceu que existe um documento que foi elaborado por uma comissão especial do governo integrando os Ministérios da Agricultura e do Ambiente, que se encontra apenas numa versão preliminar e que precisa de ser discutido e validado. Este processo estava mais ou menos paralisado e o projecto conseguiu dinamizá-lo através da realização de dois seminários, no Huambo e no Namibe, para a recolha de contribuições para o seu enriquecimento, esperando-se que o documento seja aprovado e validado ainda este ano.

Consta ainda do plano da direcção do projecto fazer com que as boas práticas de gestão sustentável de terras sejam integradas na actuação do Estado e das organizações da sociedade civil.

“Pretendemos este ano fazer com que os métodos e processos de gestão sustentável de terras sejam de facto assimilados e aplicados pelas instituições do Estado e da Sociedade Civil que usam a terra. Para tal se deverá realizar acções de sensibilização e advocacia para que isto seja possível”, reforçou.

Reafirmou a vontade de continuar a trabalhar para que seja concluído o Plano Nacional de Acção: “a conclusão deste Plano é um cumprimento dos objectivos do Milénio. Angola deve também cumprir com elaboração de um plano contra a desertificação, acção que todos os países têm estado a desenvolver para evitar as repercussões dos processos de degradação da terra e da desertificação”.  A ampliação do financiamento para o projecto tendo em conta a amplitude da questão da gestão sustentável das terras, é outra aposta da direcção para este ano, no sentido de mobilizar mais recursos através da sensibilização de potenciais doadores com vista a financiarem o projecto-ELISA.

Prevê-se também para este ano dinamizar o processo de divulgação do projecto através dos órgãos de informação e da circulação de relatórios entre os parceiros.   “Vamos organizar um sistema que permita divulgar as boas práticas produzidas pelo projecto, de formas a torná-las conhecidas e aplicadas por outros utilizadores da terra”, sublinhou.

 Com duração de quatro anos, o projecto de Gestão Sustentável de Terras iniciado nos finais de 2008 é uma acção de Execução Nacional envolvendo o Fundo Mundial do Ambiente (GEF) e do programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo o parceiro de implementação o Ministério do Ambiente.

Orçado em 1.500.000,00 USD (um milhão e quinhentos mil dólares) o projecto tem como objectivo apoiar acções que conduzam ao uso sustentável da terra e protecção ambiental. 

Fotos: D.R
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