Faculdades gastam dinheiro das inscrições na gestão interna

O vice-decano para os assuntos académicos da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto (UAN), André Victor, garantiu a O PAÍS, Quartafeira, 26, que o dinheiro arrecadado durante as inscrições dos candidatos ao curso de direito se reverte para os gastos da faculdade.

“A verdade é que há uma percentagem dos valores arrecadados nas inscrições dos candidatos que serve para suportar as despesas da própria Faculdade, enquanto outra percentagem se deve depositar na conta da reitoria”.

Para especificar sobre os gastos da Faculdade de Direito, o responsável, explicou que se presta uma contribuição para o pessoal que trabalha durante as inscrições, outra para as equipas de controlo e correcção de provas, bem como se assiste financeiramente a associação de estudantes e outros serviços de apoio, como citou os casos dos de tipografia e de informatização do expediente.

O processo que leva ao exame de acesso à Faculdade exige a criação de um grupo de trabalho, normalmente recrutado fora da instituição, o que nos remete ao pagamento de tais funcionários.

Para justificar a necessidade da tipologia do recrutamento em questão, o professor de Direito Internacional, fez alusão ao número de vigilantes que terão de reunir para o dia 12 de Fevereiro próximo, altura em que se realizam as provas de admissão.

“Teremos de estar aqui, professores e membros integrantes da associação de estudantes, para poderemos controlar as turmas constituídas, alegou, informando que, até aos dias que correm, tem sido prática que se remunere num valor equivalente a 100 Dólares americanos, por cada dia de trabalho, a um funcionário que supervisione um teste durante duas horas.

“Imaginemos que participem cem vigilantes, teremos de tirar 10 mil dólares, para cumprir com as nossas obrigações”, calculou, chamando à atenção para outros grupos que integram serviços da pós-realização das provas.

O PAÍS apurou que os candidatos ao teste de admissão estão a contribuir com dois mil Kwanzas, através de um depósito a ser efectuado no Banco de Comércio e Indústria (BCI).

Depois de terminadas as inscrições, na tarde de quinta-feira, 26, o professor André Victor escrutinou quatro mil e 774 inscrições na Faculdade de Direito, o que corresponde a 9,548 milhões de Kwanzas, qualquer coisa como mais de USD 90 mil.

Vale lembrar que, a julgar pelas despesas citadas atrás pelo professor universitário, este valor poderia ser insuficiente para, pelo menos, abrir as percentagens devidas ao seu órgão regente, no caso a reitoria da UAN.

Para além da contribuição financeira, os aspirantes ao curso de Direito tinham a obrigação de apresentar cópias do Bilhete de Identidade e do certificado de habilitações literárias, para além do talão de recenseamento militar ou outro documento do género actualizado, no caso de se tratar de um candidato com idade fora da contemplada para o registo militar.    


 Desporto universitário  contemplado

Joaquim Hamuyela é vice-decano para os assuntos académicos da Faculdade de Engenharia. Ao debruçarse sobre o destino das verbas das inscrições, começou por dizer que existe uma percentagem, que se estima ser da ordem dos 10 por cento, que é canalizada para o desporto universitário.

O restante, avançou o docente do departamento de Engenharia Mecânica, é para compensar a participação dos professores e dos alunos finalista antes, durante e depois dos testes de acesso.

Joaquim Hamuyela assegurou que a canalização de tais verbas para os referidos fins constam das orientações da reitoria da UAN, a qual, estimou, deve merecer também 15 ou 20 por cento das receitas arrecadadas.

Contrariamente à Faculdade de Direito, que disponibiliza 300 vagas aos candidatos, a de Engenharia estabelece anualmente apenas 200, devido à limitação de salas, alega Joaquim Hamuyela, “Crescemos em número, mas não o fazemos em salas de aula”, observa.

A Faculdade de Engenharia inscre 3.156 alunos, que concorrem aum número de vagas que não ultrapassa os 10 por cento da procura.

Muitos destes aspirantes ao curso de Engenharia beneficiam de um ciclo preparatório nas instalações da faculdade, sem a obrigação de remunerar os seus tutores, normalmente finalistas da Engenharia, segundo assegurou o responsável dos assuntos académicos, ao ponto de afirmar que”o seu estabelecimento de ensino ajuda os concorrentes a serem bem sucedidos”.  Joaquim Hamuyela lecciona há 11 anos na Faculdade de Engenharia, onde possui  a categoria de professor associado. O Departamento  dos Assuntos Académicos foi-lhe confiado há sete meses.

Procura impõe novos desafios

Cada ano que passa, aumenta o número de candidatos que procuram uma vaga nas diferentes unidades orgânicas da UAN. A Faculdade de Direito não tem sido poupada. Por isso, André Victor, admitiu que a sua instituição está preocupada em responder ao grande desafio que a procuraimpõe.

“Sabe-se que esta é a única Faculdade de Direito para Luanda e Bengo, o que pressupõe uma grande procura, tendo em conta o número de estudantes que se quer formar no ramo das ciências jurídicas”, explicou, anunciando que, este ano, estão disponíveis 300 vagas, repartidas em 150 para o curso diurno e igual número para o nocturno. André Victor aproveitou a ocasião para informar que, pela primeira vez, neste ano lectivo de 2011, as candidaturas vão ultrapassar os quatro mil, um registo jamais visto nos anos passados.

“Até ao ano de 2010, o número de candidatos nunca tinha excedido os quatro mil, o que não se pode dizer deste ano, em que ultrapassámos esse registo”, frisou.

Quanto às modalidades de acesso ao curso de Direito, o docente começou por dizer que a sua instituição não integra nenhum estudante por um outro meio que não seja pela aprovação no teste de admissão.

“Não existe outro mecanismo alternativo, através do qual as pessoas possam entrar para aqui, como sendo através de pedidos”, clarificou, reforçando que as notas é que determinam a admissão.

As notas na Faculdade de Direito vão de 0 a 100, o que pressupõe um acesso directo dos alunos cujas notas estiverem situadas entre 50 e 100.

Ainda assim, esclareceu André Victor, nem sempre os alunos com positivas conseguem cobrir o número de vagas à disposição dos concorrentes. Quando tal acontece, os lugares em falta são preenchidos pelos testantes que tiverem obtido as notas negativas de 49 para baixo, até se completar o disposto, disse o vice-decano para os assuntos académicos, que lembrou ainda a necessidade de, todos anos, haver que preencher a lista dos admitidos com alunos de aproveitamento abaixo do exigido.

A título de conselho, o professor recomenda aos estudantes que prestem muita atenção durante o teste porque, adverte, o sistema de prova usado pela Faculdade de Direito é de opção de respostas já contidas no teste.



Por: Alberto Bambi Fotos: O País
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