Educação

Mais de dois milhões de alunos sem merenda

As estatísticas do Minis-tério da Educação indicam que cerca de dois milhões e 800 alunos que frequentam a ini-ciação nas escolas públicas ficaram sem beneficiar do Programa de Merenda Escolar.

Mpinda Simão explicou, durante uma conferência de imprensa realizada esta terça-feira, 21, em Luanda, que o programa de distribuição da primeira refeição do dia aos estudantes foi concebido inicialmente para abarcar um milhão e 200 crianças de todo o país, num universo das quatro milhões existentes actualmente. “O Programa continuará. Face aos os limites orçamentais, não podíamos atender a totalidade dos alunos que estão na escola primária”, declarou.

Acrescentou que “o que nos interessa é que, a cada dia que passa, vamos evoluindo e isso faz com que haja um decréscimo no número de alunos que reprovam ou abandonam as escolas”.

Embora os dados sejam provisórios, Mpinda Simão revelou que a taxa de crescimento do sector que dirige cresceu na ordem de 5,45 por cento e, apesar das dificuldades financeira que tem enfrentado, a rede de ensino aumentou de 2009 a 2010, na ordem dos 2,9 por cento.

Os dados apresentados pelo ministro da Educação, foram contrariados por uma fonte da Delegação Provincial da Educação de Luanda, que garante que os estudantes da capital do país não recebem merenda escolar desde Julho de 2008.

Em 2009, ainda nas vestes de viceministro da Educação, Mpinda Simão, explicou aos participantes do IV Fórum Nacional sobre a Criança que a instituição que dirige precisaria de uma verba de 240 milhões de dólares por ano, para estender o programa de merenda escolar aos quatro milhões de alunos do ensino primário.

No Fórum realizado em Luanda, o governante declarou que, na altura, o Estado despendia 90 milhões de dólares para o Programa de Merenda Escolar, atendendo 340 mil crianças de várias escolas seleccionadas do ensino primárias em 16 províncias do país.

Por cada aluno, dos 340 mil que beneficiam da merenda escolar, o Ministério da Educação investe diariamente a quantia de 0,29 dólares, o que perfaz, no cômputo de 180 diasdo ano lectivo, 60 dólares.

Por outro lado, o governante informou que, em função do aumento e melhoria do quadro docente, o rendimento dos alunos registou uma melhoria de 3,6 por cento, tendo a rede escolar crescido na ordem de 2,1 por cento. Com a implementação do Programa da Merenda Escolar, instituída em todo país, o Governo prevê combater o insucesso escolar, assegurando altos níveis de pontualidade, assiduidade e a satisfatória permaneça dos alunos nas escolas.

Inserção das línguas nacionais

Um grupo de quadros do Ministério da Educação, em parceria com consultores sul-africanos, com uma vasta experiência no ramo, criou uma série de materiais didácticos que poderão ser utilizados no ensino das línguas nacionais.

As duas equipas desenvolveram, já há algum tempo, o programa das línguas nacionais, tendo em conta que elas carecem da concepção das materiais, dos meios de avaliação, dos meios pedagógicos (que será ser seguido do processo de produção) e da preparação dos professores.

“O facto de termos honrado os compromissos assumidos, em termos de aquisição deste material pedagógico durante este ano, fará com que, ao assegurar a vinda desses materiais, possamos ter a inserção das línguas nacionais no próximo ano lectivo”, declarou.

Mpinda Simão declarou que já existem materiais disponíveis da língua Mbundo que estão a ser utilizados na zona centro e sul do país, nomeadamente, Huambo e em Benguela.

Este programa, no seu entender, tem efeito benéfico sobre a rentabilidade do sistema educativo.

Por: Paulo Sérgio Fotos: D.R
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