Seminário
Avaliação do ensino superior foi tema de seminário em Luanda
A integrante da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior de Portugal, identificada no encontro apenas de Doutora Madalena, considerou, Quarta-feira, 14, no Anfiteatro da Cidade Universitária, bairro do Camama, Luanda, que um órgão do género ajuda muito a ultrapassar as insuficiências do ensino ao nível superior.
A instituição da qual é membro funciona de forma independente em relação às implicações do Governo luso e tem como tarefa principal avaliar todos os cursos em funcionamento num estabelecimento de ensino superior, dando o mesmo tratamento às novas especialidades.
“Uma das grandes actividades da agência consiste em avaliar se a estrutura orgânica tem condições apropriadas para leccionar os cursos com que se afirma, através de uma rigorosa inspecção destes e de outros em projecção”, disse, tendo sublinhado que as condições básicas requeridas passam por um corpo docente próprio e especializado, ao ponto de um doutorado estar para cada 30 estudantes, com a exigência profissional de 50 por cento destes professores terem tempo integral na faculdade, bibliotecas e laboratórios, para além de sistema de informação e informação pública.
De acordo com a palestrante do segundo dia do Seminário Metodológico sobre Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, a sua organização entrou em funcionamento em 2009, tendo já levado a cabo a avaliação e acreditação de muitos cursos.
“Nenhuma especialidade pode funcionar sem acreditação”, reforçou, para dar a entender que, durante o período da empreitada, também já houve encerramento de alguns cursos e certas instituições.
A professora universitária considerou que, em menos de dois anos, a filosofia de trabalho da sua organização contribuiu muito para o aumento da população activa com ensino superior em Portugal, mas reconheceu que o seu país ainda está numa escala abaixo em relação a de outras nações da União Europeia.
No seminário, que decorreu sob o lema «Na vanguarda da promoção e da garantia da qualidade do ensino superior, a docente aproveitou a ocasião para explicar que a avaliação de qualidade se deve basear no passado, para melhor se projectar o futuro.
“Na Idade média, o ensino superior foi buscar as suas metodologias da indústria, que, na altura, já estava desenvolvida, daí ter ganhado a característica da medição por conformidade, um erro que resultou na metodologia com o mesmo nome”, referiu, aclarando que o estudante não podia ser comparado a um sapato saído da máquina conforme concebido, porque ele era uma realidade adaptável.
Baseando-se ainda na Universidade Elitista, afirmou que, mesmo assim, o ensino da época era um cartão de qualidade.
De 1999, a académica puxou a Declaração de Bolonha, cujas metas apontavam para a mobilidade de estudantes de um país para outro, com o objectivo de continuarem os estudos ou contribuir para o desenvolvimento socioeconómico e cultural, isso a fim de mostrar o quanto é importante a qualidade do ensino.
Privadas devem crescer com qualidade
A professora Madalena opôs-se às políticas contraditórias dos governos que impedem o crescimento de universidades privadas, mas chamou atenção a que estas cresçam sob a responsabilidade de garantirem um ensino de qualidade.
“Os governos não podem fazer uma política contraditória, têm de se esforçar a expandir as universidades públicas e, ao mesmo tempo, permitir que as do sector privado se difundam”, aconselhou, referenciando que, em Portugal, as primeiras instituições universitárias privadas se concentravam em Lisboa.
Rapidamente, o fenómeno passou a outra das duas grandes cidades, a do Porto, que detem a maior universidade do país de Camões, conforme afirmou a doutora Madalena, segundo a qual, em Portugal, a Universidade Nova de Lisboa é a que tem mais procura do que oferta, acabando por ser aquela em que mais acorrem os melhores estudantes.
Deu ainda a conhecer que, na sua terra, é o Estado, por intermédio do Ministério ligado ao ensino superior, que recruta os candidatos, através de preenchimento de algumas fichas, a jeito de testes sistemáticos, informando até que o aluno com menor aproveitamento em 2011 teve a nota 15, numa escala de zero a 20.
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