A semana

Petróleo pode comprometer recuperação

Os preços altos dos combustíveis e a fraca procura das famílias está a dificultar a recuperação económica

Em apenas cinco meses, verificou-se uma escalada no preço do petróleo, que quebrou tanto em Nova Iorque como em Londres a barreira dos USD 70/barril. A preocupação central das economias avançadas prende-se com o facto desta forte subida do preço do petróleo poder eventualmente comprometer a retoma económica.

O que se observa é que a procura por parte das famílias continua extremamente fraca, sendo que, elevados preços dos combustíveis pode penalizar ainda mais o seu poder de compra, reduzindo a procura por outros bens de consumo.

De facto, a evidência empírica de 2008 demonstra uma correlação extremamente negativa entre elevados preços de petróleo e a confiança dos consumidores. O paradoxo reside no facto de uma subida nos preços do petróleo geralmente estar associada à estabilização económica e a expectativas positivas nos mercados financeiros, principalmente nos mercados emergentes.

Não se pode, no entanto, descartar o facto de que a subida dos preços das commodities energéticas ocorre num momento em que os preços em outros sectores de actividade estão em queda ou em tímida recuperação, o que se repercute numa relativa estabilização do Índice de Preços do Consumidor, permitindo, deste modo, atenuar eventuais pressões inflacionistas.

Analisando regionalmente pode-se aferir que os EUA beneficiam da correlação positiva entre o dólar e o petróleo, na medida em que a fraqueza do dólar compensa parcialmente o impacto da subida dos preços do petróleo.

Na Europa, apesar dos combustíveis mais caros não facilitarem o crescimento económico, acabam por beneficiar indirectamente os agentes económicos europeus, que têm grandes fluxos comerciais e financeiros com as economias exportadoras de petróleo, principais beneficiadas de um cenário de alta de preços energéticos.

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