Petróleo

Derrames: as lições do Golfo do México

O derrame no DeepWater Horizon custou à BP, no que toca à resposta ao acidente e à reparação ambiental USD 12 mil milhões, referiu Jeff Wedgwoodf, director de Pesquisa na BP Houston e responsável pela equipa encarregue de encontrar e desenvolver estratégias de resposta ao derrame ocorrido do Golfo do México e minimizar as respectivas consequências.

A revelação foi feita no decurso do Fórum sobre Segurança Operacional no Offshore, promovido pelo Ministério dos Petróleos em colaboração com a Sonangol E.P. e as companhias petrolíferas membros da ACEPA, que, durante dois dias, decorreu esta semana no Centro de Congressos de Talatona.

Três dos principais responsáveis da BP que conduziram as operações de estancamento do acidente, investigação das suas causas e reparação das suas sequelas fizeram uma apresentação detalhada do que se passou e enunciaram algumas das lições que a indústria petrolífera pode retirar do acidente. Recorde-se que a explosão da plataforma de petróleo semi-submersível Deepwater Horizon, pertencente à Transocean e que estava sendo operada pela BP, ocorreu no dia 20 de Abril deste ano, no Golfo do México, nos Estados Unidos.

Tony Emmerson fez uma apresentação detalhada dos factores críticos que conduziram ao acidente, tendo sido apurados oito. Entre eles incluem-se as relacionadas com a integridade do equipamento, a qual não terá sido observada ou terá mesmo falhado, a fuga, não detectada, dos hidrocarbonetos que conduziu à perda do controlo, a falha no isolamento no reservatório, a aceitação de uma pressão negativa sem que estivesse assegurada a integridade do equipamento, a falha na detecção do fluxo de óleo e nos sistemas de incêndio e gás, o facto de o modo de emergência dos sistemas preventores de erupção (BOP, conjunto de válvulas instaladas na cabeça do poço destinadas a evitar uma erupção na superfície) não funcionou.

Emmerson, que identificou três objectivos na investigação levada a efeito com vista ao apuramento das causas do acidente (identificação dos factores críticos que conduziram à sua ocorrência, apuramento do que realmente sucedeu com vista à tomada de medidas preventivas e partilha, com os outros operadores petrolíferos das lições a extrair do derrame), enunciou 25 recomendações em resultado do processo de inquérito, as quais incidem sobre as práticas e procedimentos técnicos a ter presentes, o reforço no controlo e nas rotinas e tarefas de verificação e a introdução da “Integrity Performance Management” Gestão de Desempenho da Integridade (dos sistemas). Kevin Devers, engenheiro mecânico e director de projectos da Direcção de Desenvolvimento da BP, que se juntou à equipa destacada para o Golfo para responder ao desastre ocorrido no Deepwater Horizon deteve-se sobre os meios mobilizados, referindo as múltiplas entidades envolvidas e, referindose aos meios marítimos e aéreos implicados na operação, acentuou que as técnicas desenvolvidas permitiram a operação simultânea de vários navios de grande porte.

Sublinhou ainda a necessidade de prosseguir o desenvolvimento de tecnologias de intercepção e de sistemas sub-aquáticos que permitam dispersar eficazmente o óleo derramado na origem da fuga.

O responsável da BP assegurou que esta última se encontra controlada e a situação estabilizada desde o dia 15 de Julho, tendo o derramamento de petróleo sido estancado.

Para Devers a sustentabilidade ambiental no Golfo do México após o acidente estará, aparentemente, reposta.

O responsável pela equipa à qual foi confiada a missão de encontrar estratégias de resposta ao derrame, Jeff Wedgwood, director de pesquisa da BP Houston e chefe de planeamento da equipa colocada em Louisiana reconheceu que o acidente ocorrido na DeepWater Horizon não teve, dada a sua escala e complexidade, precedente na história dos derrames de petróleo, alastrando-se a cinco Estados norte-americanos, desde o Texas, a Oeste, à Florida, a Leste dos Estados Unidos. “O maior impacto” foi local, acrescentou. Para Wedgwood o acidente ocorrido no Deepwater Horizon representa uma “oportunidade de aprendizagem” para a indústria petrolífera.

Identificou cinco fases na resposta à situação desencadeada pela fuga: disponibilização dos recursos, preparação dos cenários possíveis, compreensão efectiva da situação, redução e eliminação do impacto e devolução da área afectada à sua condição original.

Referiu que a operação envolveu um sofisticado sistema de transmissões e uma largo contingente de vigilância em terra e no ar, tendo a operação de recuperação ambiental envolvido mais de 600 navios.

Tratou-se de uma operação vasta e complexa que, acentuou, envolveu, além dos recursos da BP, o governo dos Estados Unidos, os governos dos Estados atingidos e outros produtores petrolíferos, como a Shell, a Chevron e a Exxon Mobil.

O responsável da BP garantiu que “nos últimos dois meses não foi detectada qualquer presença de petróleo ou de químicos” nas águas afectadas.

O encontro debruçou-se ainda sobre as experiências de incidentes em Angola, em que foi abordado, em especial, o caso verificado no campo Dália, sobre a capacidade de resposta nacional a derrames de elevada escala, com enfoque particular sobre os objectivos e visão da concessionária nacional, a Sonangol, sobre segurança operacional, tendo ainda sido dada aos participantes tido oportunidade de reflectir e debater outros casos, como o brasileiro e o norueguês. A petrolífera brasileira, a Petrobras, apresentou as suas medidas operacionais e a Chevron debruçou-se sobre os sistemas de contenção de derrames em águas profundas.


Por: Luis Faria
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