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Ensino

Descontentamento na Universidade Óscar Ribas

Os alunos da universidade Óscar Ribas, no Talatona, manifestaram-se durante a última quarta, 28, e quinta-feira, 29, contra a direcção académica da instituição, interrompendo o curso normal das provas parcelares que decorriam no momento.

O avultado valor das multas, a suspensão das aulas, a proibição do uso do parque de estacionamento e a falta de bebedouro foram algumas das reivindições que motivaram a manifestação.   “A direcção tem implementado normas e sanções que em nada nos beneficiam”, explicou Belarmino Guilherme, estudante e delegado da turma do 2º ano de Engenharia Informática e Telecomunicações.

O estudante salientou que algumas das sanções implementadas pela direcção académica não têm lógica. O caso mais patente é o incremento e duplicação do valor da multa referente ao atraso na entrega dos bordereaux à tesouraria.

“Uma vez que o dinheiro está na conta da Universidade não temos porque pagar a dobrar. Estamos apenas a reivindicar o que nos é de direito”, disse o jovem, salientando que “os serviços de tesouraria da instituição não têm capacidade de resposta no atendimento aos alunos”.

Para desassossego dos alunos lê-se numa circular afixada numa das vitrinas à entrada daquele complexo de ensino superior, que os bordereaux devem ser entregues na tesouraria até ao dia 10 de cada mês. O incumprimento desta medida levará a incremento do valor normal da multa.

 “É um absurdo termos que pagar a dobrar quando o atraso é devido à incapacidade de resposta da tesouraria.

Existe um único funcionário para atender os mais de 4 mil alunos de toda a universidade” Durante a reportagem, O PAÍS constatou a dificuldade no acesso ao atendimento. A enchente denunciava a deficiente resposta à procura.

Segundo os manifestantes, dias antes reuniram-se com a direcção da instituição, tendo-lhes sido informado que o incremento é uma decisão da direcção e do Grupo Pitabel, proprietário da universidade, pelo que não há nada para alterar.

Por sua vez, os estudantes caloiros reclamam contra pagamento das propinas referente a meses em que ainda não faziam parte do quadro de estudantes.

 “Comecei a estudar no mês Abril mas fui obrigada a pagar a mensalidade de Março já acrescida de multa”, reclamou uma caloura.

O software No manifesto constava ainda a proibição dos alunos fazerem as provas parcelares por alegado atraso no pagamento das mensalidades conforme constam no sistema de controlo da instituição.

Muitos estudantes alegam ter a mensalidade paga mas ainda assim os nomes constam da lista dos devedores, razão pela qual perderam as primeiras provas parcelares.

“Tiraram-me da sala mesmo depois de ter feito o pagamento de Março a Maio. Fiquei surpreendida ao ver o meu nome na lista dos devedores”, reclamou Jeoventina Deolinda, estudante de Relações Internacionais.

Penalizados pelo deficiente sistema de gestão de pagamento das propinas, os alunos temem pela demora na resolução do problema e a consequente reprovação no 1º semestre de aulas.

Eles receiam reprovar este ano lectivo, dado o facto de terem várias disciplinas semestrais, caso os técnicos não superem atempadamente o problema do software.

“Na prova de Estatística o meu nome também constava da lista dos devedores, por sorte estava com a cópia dos bourdereaux e pude reclamar a tempo”, disse Natalina Santana, do 2ª ano do curso de psicologia.

A segurança

Os estudantes queixam-se também por não puderem usar o parque de estacionamento da universidade, sendo obrigados a parquear as suas viaturas ao longo da avenida adjacente, onde são assaltados acessórios como espelhos retrovisores, reprodutores áudio, placas electrónicas e faróis.

Na via também têm sido frequentes as colisões e afunilamento de viaturas.“Somos obrigados a parquear os carros a longas distâncias e o corpo de segurança da Universidade limita-se ao interior da instituição”, disse Natalina Santana, salientando que “já houve até roubo de viaturas”.

A indignação expressa no manifesto assenta ainda no facto de aos filhos e sobrinhos dos reitores e outros dirigentes da instituição, que, por sinal, também são estudantes,ser dada a permissão de uso da área de parqueamento.

“Somos todos estudantes da mesma instituição e pagamos a mesma quota, se os nossos carros são proibidos de entram no parque então porque é que os dos filhos dos reitores entram?”, interrogam.

Contactado por O PAÍS, o reitor da Universidade Óscar Ribas, Alberto Chocolate, negou-se a prestar qualquer depoimento sobre a inquietação dos estudantes e paralisação das aulas na passada quarta e quinta-feira.

“O senhor reitor disse que não está disponível a prestar qualquer declaração sobre este caso”, respondeu a secretaria. No fecho da presente edição, fomos informados que os alunos entrevistados pelos vários órgãos de informação foram chamados ao gabinete da vice-reitora. Os seus nomes poderão constar de uma circular interna que vai ser conhecida hoje, sexta-feira, 7.

Associação reprova manifesto

O vice-presidente da Associação de Estudantes da Universidade Óscar Ribas, Gilberto de Sousa, condenou a atitude dos colegas, que considera ser um acto de puro vandalismo.

“Não é concebível que estudantes universitários proíbam os professores de dar aulas, arremessem cadeiras ao relvado e exijam o encerramento da secretaria académica”, sublinhou.

Questionado sobre se as alegações dos estudantes são infundadas ou não, Gilberto de Sousa justificou que haviam comunicado a inquietação aos proprietários da instituição e estes dariam a devida atenção ao caso.

O líder estudantil explicou que a dura medida da direcção da Universidade deve-se ao elevado número de estudantes com as propinas em atraso, estimado em cerca de 60 por cento.

Em relação à incompatibilidade dos softwares de gestão, o vice-presidente da Associação dos Estudantes afirmou que foram adquiridos em Portugal, sendo que a estrutura não é compatível com o sistema administrativo e académico da Universidade Óscar Ribas. Ele acredita que os colegas serão responsabilizados atendendo ao grau de participação de cada um deles.




António Assunção
7 - 5 -2010
 
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