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Festas

O preço do casamento

Claudina e Dionísio Senga, casados há três meses em comunhão de bens, optaram  por um serviço único onde cobria o buffet, a decoração, o espaço e o Disco Jockey para efectivação do vínculo matrimonial.

Vinte e seis mil dólares foi o valor pago para o `copo d´agua´ no Marítimo da Ilha, na Ilha de Luanda, para a concretização do sonho do casal, mas tiveram vários constrangimentos.“Foi uma fase difícil e só não foi pior porque eu e a minha esposa tratamos dos preparativos com alguns meses de antecedência”, explicou Dionísio Senga, gestor de recursos humanos.

Os fatos usados pelo noivo nas cerimónias civil e no copo de água custaram 3.600 e o vestido da noiva ficou avaliado em 1.350 dólares. A estes valores foram acrescentados outros não menos importante como os  1.550 dólares gastos na compra de convites e brindes. Para a cozinha, a preferência do casal foi o serviço de buffet, embora mais caro em detrimento da cozinha doméstica.

“Os convidados são exigentes, a comida pode não ser do agrado de uma ou outra pessoa. É arriscado optar pela cozinha doméstica. E por outra, dá menos trabalho aos familiares”, disse o recémcasado. A tensão do casal começou na fase em que tinham que  completar a documentação para o acto civil, que por obrigação a cerimónia tem que ser realizada na conservatória do município onde reside um dos cônjuges.

A lista de documentos é composta por assento de casamento, atestado de residência, declaração militar, certidão de nascimento e outros não menos importantes.  Para a sua obtenção foram gastos em taxas de emolumentos cerca de 50.500 Kwanzas para a realização da cerimónia. Felizmente,  Dionósio teve apoio financeiro dos familiares, o que permitiu aliviar os gastos.

Para aborrecimento dos noivos, a data do casamento civil foi alterada  por indisponibilidade da conservatória de registo civil, embora os documentos tenham sido entregues com aproximadamente dois meses de antecedência. Mas o facto de ter acompanhado vários outros casamentos de pessoas próximas fez com que se preparasse para estas e outras adversidades.

Apesar de ser religioso, o gestor de recursos humanos explica que alguns contratempos fizeram com que a cerimónia na igreja não acontecesse. Agora, o jovem sugere aos futuros noivos que se aconselham com os já casados de formas a terem uma melhor preparação e evitaram as surpresas que nem sempre são agradáveis.

Casado há exatos 109 dias, o gestor declara não se sentir ainda capacitado para transmitir a sua experiência. O conselho dos pais já casados há 36 anos foi para si mais do que uma catequese. Questionado se existe uma idade ideal para o casamento, ele apontou aos 28 e 25 anos para os homens e as mulheres, respectivamente. Mas defende que fez tudo a seu tempo, formou-se e arranjou as condições necessárias para o casamento.

“Infelizmente temos vindo a assistir alguns casamentos em que os noivos querem simplesmente mostrar à sociedade que já atingiram um certo status social, como se diz na gíria para inglês ver”, comentou.

Por sua vez, Mírcia Rossana Luís, 22 anos, casada há dois meses com Hamilton Fernandes Domingos, 28 anos, pagou 32 mil dólares para o copo d´agua, realizado no salão da Rádio Vial, um dos mais requisitados da cidade. Mesmo assim também se queixa dos contratempos que teve para concretizar aquele que foi um dos seus maiores sonhos: o matrimónio.

Os custos do copo d´água, que aconteceu dois dias depois da cerimónia civil, foram repartidos entre os noivos. A cada um coube o valor de  16 mil dólares americanos, acrescidos com os preços dos fatos que custaram 1800 dólares por noivo.

Mírcia contou que pagaram um pacote completo que incluía todos os serviços inerente a festa de casamento, como o salão, buffet e o cachet do DJ. Finda a festa, as bebidas pagas que sobram no copo d´agua ficaram retidas como propriedades da casa e aos noivos foi apenas permitido que levassem a comida para casa. A reserva teve que ser feita 90 dias antes do casamento e o pagamento foi feito em três prestações até à data marcada.

Casada no civil e na igreja do São Paulo, Mírcia frequentou um curso de noivos durante três meses, onde teve que pagar cem dólares como emolumento e mais 500 para caução em caso de atrasos frequentes. Mas o segundo valor é devolvido se os noivos chegarem a tempo.

Na conservatoria civil também foram gastos valores altos, mas mesmo assim teve que esperar cerca de 20 dias para conseguir o assento de nascimento. “Ainda que a pessoa paga à urgência o tempo é aproximado a duas semanas. É muito complicado”, reclamou Mírcia.

 A esposa de Hamilton Domingos  confessa que deu entrada tardia aos documentos na conservatória de registo civil, por isso teve que fazer tudo a pressas e submeter-se aos caprichos dos funcionários desta instituição. Mas, ao contrário de Dionísio, a data marcada pela conservadora foi de encontro com a que havia escolhido.

“Embora tenha dado entrada tardia dos documentos, felizmente consegui casar na data que escolhi. Mas é claro tive que usar algumas influências”, disse Mírcia Luis, estudante universitária. A senhora recorda as peripécias que passou para conseguir todos os documentos e reprova o processo burocrático existente em algumas instituições civis. Questionada sobre o custo do casamento, Mírcia definiu como exorbitante. Segundo ela, “para uma única noite de festa não se justifica o preços elevado que alguns salões praticam”.

À semelhança de Dionísio, os padrinhos de casamento de Mírcia foram os seus próprios familiares. “É  mais confortável ter como padrinho alguém que seja próximo de nós, para dar um maior acompanhamento a vida conjugal”, revelou. Por se encontrar a estudar e ter sido mãe recentemente, a Lua-de-mel ainda está por acontecer. Para selar em definitivo o acto matrimonial. Mírcia e Hamilton namoraram durante cinco anos, por isso consideram que o enlace aconteceu na altura certa.

Leontina Jamba Manuel, 45 anos casou-se no final do ano passado, após 27 anos de vida marital. A compra dos adereços para o enlace matrimonial foi feita por ela na cidade de São Paulo, Brasil. Foi a forma que o casal encontrou para diminuir os altos custos que acarretam os casamentos em Luanda.

O maior embaraço foi a obtenção dos documentos. Teve que viajar para a sua terra natal, Bié, para conseguir o assento de nascimento e anexa-lo aos restantes documentos solicitados pela conservadora. A cerimónia civil aconteceu na casa dos padrinhos . “O meu casamento foi muito especial”, acredita a senhora.

Mírcia Rossana 22 anos: Embora tenha dado entrada tardia dos documentos, felizmente consegui casar na data que escolhi. Mas é claro tive que usar algumas influências




Dionísio Senga 28 anos: Foi uma fase difícil e só não foi pior porque eu e a minha esposa tratamos dos preparativos com alguns meses de antecedência”





Leontina Manuel 45 anos: Viajei de propósito ao Brasil para fazer as compras para o meu casamento e a cerimónia civil foi feita em minha casa. O meu casamento foi muito especial




Registo civil

Aos noivos é obrigatório residirem no município onde vão efectuar o casamento civil. Os preços dos emolumentos variam consoante a solicitação dos noivos.

Ao assento de casamento com quatro testemunha é cobrado o valor de 9,858 Kwanzas. Caso este aconteça fora da conservatória é cobrado o valor de 14.630 Kwanzas. Se for solicitado com urgência os noivos devem pagar  26.465 Kwanzas.

Ainda é cobrado pelo certificado de casamento 4.828 Kwanzas e finalmente pela procuração 31.210 Kwanzas Os documentos necessários são a certidão de nascimento, o atestado de residência de cada um dos noivos, a fotocópia dos bilhetes de identidade e documento militar do noivo. Se forem estrangeiros a documentação deve estar traduzida em português.  

Os adereços

Os brinde e convites são outros adereços de casamento que estão disponíveis no país, mas  muitos recorrem ao estrangeiros para os adquirir.

O PAÍS procurou algumas lojas  em Luanda para saber dos preços. Na boutique Mil Modas as alianças custam de 250 a 400 dólares. E as lembranças para os convidados 500 Kwanzas cada. O bouquet da noiva 8000, preço semelhante para o véu.

O cesto são 120 dólares, as meias e ligas 80, sandalhas 200 e os sapatos do noivo 25.000 Kz. Na Lopes Maia, os cestos ficam a 10.000 Kwanzas, os brincos e acessórios 3150, o bouquet da noiva 18.000, a tiara 18.000 e o véu 7.200.  Os convites da Lopes designer custam 1.800 Kwanzas cada.  

Haja bolso
 

Existem vários  salões de festa em Luanda, mas os do casco são os mais caros. Cada um com o seu preço e moldes de cerimónias. O número de convidados determina o valor final.

O PAÍS apurou os preços praticado por algumas das casas de maior referência. A empresa Sovial, vulgo Radio Vial, localizada na rua Mãe Isabel, na Ingombota, presta o seu serviço num limite mínimo de 80 pessoas num espaço de tempo de 8 horas. A reserva se efectiva mediante o pagamento de 10 por cento do valor total como caução não reembolsável.

O valor cobrado pelo buffet é de 92,00 dólares por pessoa. Os serviços paralelos englobam outro pacote de preço. Ao espaço é cobrado mais 4.000 USD, a decoração USD 3750, o protocolo personalizado USD 800 e USD 500 pelo Disco Jockey. Se o Dj for da escolha dos noivos, então estes terão que pagar uma caução de USD 1000.

Para uma cerimónia com 200 convidados, os noivos pagam  30.400 dólares e os  valores são disponibilizados em prestações: 70 % com 15 dias de antecedência e 20 % com 8 dias de antecedência.

O Complexo Hoteleiro da Endiama (CHE),sito na rua Hourari Boumediene, cobra por pessoa o valor de USD 200 com direito ao espaço, buffet completo e a decoração. A música é cobrada a parte por um valor de 2.900 dólares.

No acto da confirmação da data paga-se uma caução de USD 10.000 e os restantes uma semana antes da realização do evento.

O aluguer da sala Luanda do Hotel Trópico, com capacidade máxima para 300 pessoas, está avaliada em 2200 dólares por 10 horas. Ao buffet de 90 dólares por pessoa. As bebidas são cobradas por unidade, as não alcoólica USD 16,5, o vinho USD 46,5, água mineral de 1,5L USD 9,5, a garrafa de espumante JC LE Roux USD 70 e a de Moet Chandon USD 358. A música é limitada até às 10 horas da noite.

A piscina do Miramar, sito no bairro com o mesmo nome, num espaço de tempo de 24horas, cobra por pessoas o valor de USD 140, acrescido ao valor do espaço que é de USD 10.000, sem a inclusão da decoração e o Disco Jockey.

Por sua vez, o Clube dos Caçadores, adjacente a piscina do Miramar, presta serviço a um número mínimo de 200 pessoas ao preço de USD 130 cada. A reserva é confirmada após pagamento do valor na totalidade com 45 dias de antecedência.

Waldney Oliveira
14 - 5 -2010
 
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