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O grande desafio

Centralidades que vão mudar a cara de Luanda

Trinta e cinco anos depois da Independência Nacional, Luanda começa a dar os primeiros passos visando a mudança da sua imagem do ponto de vista urbanístico, habitacional, ou seja, começa a desenhar os caminhos para um verdadeiro Plano Director de Desenvolvimento Urbano.

Bairros míticos como Rangel, Sambizanga, Cazenga, Catambor, Golfe, Palanca, entre outros, encontram-se de tal forma degradados, sem arruamentos, energia eléctrica, água canalizada, saneamento básico, situação que se agudiza principalmente em época de chuva.

Não foi em vão que o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, no seu discurso sobre o Estado da Nação, proferido em Outubro último, referiuse ao sector da habitação como sendo aquele que se encontra numa situação má.

José Eduardo dos Santos disse na ocasião que mais de 70% das famílias angolanas não têm casa condigna, augurando fazer um esforço gigantesco para reverter a actual situação.

No entanto, esse esforço começou já a ser conjugado, nos últimos dois anos, com a edificação de novas centralidades do Kilamba Kiaxi, Zango e Cacuaco, em Luanda, bem como em Cabinda, Lunda-Norte e Kuando Kubango.

As novas centralidades são um modelo, com os serviços necessários para que seja útil ao desenvolvimento do país, com espaços administrativos e sociais condignos.

O problema habitacional em Luanda é de tal maneira grave que levou o Presidente da República a anunciar o lançamento, dentro em breve, de novos projectos de construção de habitação social em quase todos os municípios do país. José Eduardo dos Santos disse à imprensa que o programa é muito vasto. “O programa de habitação social abrange quase todos os municípios do país e, dentro de pouco tempo, terão mais notícias, porque serão lançados projectos noutras partes do território nacional”.

A construção de novas cidades devem estar subjacentes aos conceitos como o da inclusão social, participação e respeito pelos interesses daqueles para quem se constrói.

As novas centralidades urbanas, erguidas no âmbito do Programa Nacional de Habitação, reflectem a determinação do Executivo de implementar políticas que promovam os direitos fundamentais.

“As novas urbanizações que estão a surgir, em resultado da implementação do Programa Nacional de Habita-ção, devem ter em conta estes aspectos básicos, sem os quais os cidadãos não vão sentir realizada a aspiração básica de ter uma habitação onde se sintam bem”, disse recentemente o ministro do Urbanismo e Construção

José Ferreira disse que o Executivo tem a noção dos elevados custos da requalificação, que pretende dar maior dignidade às pessoas.

A requalificação dos bairros míticos

No Cazenga, com 1, 8 milhões de habitantes e uma área de 38.8 mil metros quadrados, começou a ser implementado um projecto de requalificação faseada, no quadro da “Estratégia de Renovação Urbana”

O projecto vai ser concretizado em quatro fases. Na primeira, com duração de dois anos, está prevista a construção, de 20 mil casas.

São prédios de até quatro andares e vivendas geminadas de dois a quatro quartos, num bairro onde praticamente não existem abastecimento de água, energia eléctrica, drenagem de águas pluviais e residuais.

Quando a primeira fase estiver concluída, os habitantes do Cazenga terão novas residências, com saneamento e infra-estruturas adequadas, na mesma área do município mas com a eliminação das áreas actualmente ocupadas de forma desordenada.


O propósito do projecto é manter a população afectada pela requalificação nos locais de origem, permitindo assim que prossigam as suas actividades laborais e de sustento em condições adequadas.

As zonas actualmente ocupadas de forma desordenada, sem serviços e infra-estruturas apropriadas, vão ser substituídas por urbanizações estruturadas, sem a necessidade do realojamento das suas populações fora das áreas de proveniência.

O arquitecto António Gameiro referiu que a grande vantagem do projecto é a requalificação decorrer sem necessidade de os munícipes deixarem as áreas.

Sambizanga para o Século XXI

A requalificação do Sambizanga, está estimada em mais de 30 milhões de dólares. E vai ser implementada, de forma faseada, numa área de 1.010 hectares.

Numa primeira fase, o projecto abarca apenas 60 hectares, estendendose, posteriormente, num prazo de dez anos, para 570, para alojar 210 mil famílias.

A nova urbanização vai ser composta por casas de diferentes tipologias e edifícios residenciais, entre cinco e nove andares.

Os edifícios mistos comerciais e de negócios residenciais ficam localizados ao longo das vias principais, especialmente defronte da auto-estrada Boavista-Miramar, com vista para o mar.

O projecto compreende escolas, creches, esquadras de Polícia, instalações médicas, desportivas e recreativas. A área do projecto é actualmente ocupada por construções informais construídas de forma desorganizada devido à ausência de estradas e de infra-estruturas sociais adequadas.

A nova rede rodoviária proposta para o Sambizanga está concebida para interligar todas as partes do desenvolvimento urbano com as redes rodoviárias principais, designadamente a Via Expresso Luanda – Kifangondo, Avenida Ngola Kiluanji e a 7a Avenida.

Quatro novas subestações de 60/15 Kv, 16 quilómetros de linhas aéreas e uma rede de baixa tensão, para atender à carga do projecto, devem ser igualmente construídas para garantir o fornecimento ininterrupto de energia eléctrica à nova urbanização do Sambizanga

José Meireles
15 de Novembro de 2010
13:36
 
8
 

Comentários

  1. Vítor Gaio
    2010-11-20 14:25:01
    Faz falta. Há que mudar e todos os esforços são bem vindos. Angola é um grande país e começa hoje a fazer-se notar não obstante o muito que deve ser melhorado e mudado. Como nunca, os mais avançados têm que repartir e estar capacitados que dependem da evolução de mundos novos, progressos e bem estar das suas populações. A economia mundial está a encarregar-se de inverter focos de influência e temos que saber utilizar todas as nossas potencialidades. As circunstâncias vividas atrasaram-nos numa via evolutiva que é, no quadro global, inevitável. Agora convém não deixar que sucedam os erros que afectam outros estados que nos estão próximos. Angola é uma nação em movimento - ainda sofre - mas está mesmo a avançar
  2. kwanza
    2010-11-20 13:02:13
    é realmente muito bom ver que estao a fazer alguma coisa mas ..... DESCULPEM-ME IRMÃOS ANGOLANOS QUEM SE VAI BENIFICIAR COM ISSO ??? O NOSSO PRESIDENTE NEM SABE O ESTADO KI SE ENCONTRAM AS ESTRADAS ONDE ELE PASSA, JA KI SEMPRE KI ELE SAI A RUA AS RUAS AÃO ASVALTADAS 12 HORAS ANTES PARA 12 HORAS DEPOIS VOLTAREM A ESTAREM ESBURACADAS, E COMPLICADO. quem vai estar a frente destas casas e da sua destribuição ?? será como no projecto boa vida ?? será como no ZANGO onde ja se pode encontrar CUbanos a comprarem casas como será ?? Quem sa vai realmente se benificias destas casas???
  3. francisco pena
    2010-11-19 14:44:20
    o sub-desenvolvimento de un pais es a consequencia de uma ma gestao dos recursos materiais y humanos.
  4. Nelson Dos Santos Ferreira
    2010-11-19 12:40:02
    Depois de quase meio século de guerra,em 8 anos de paz estes projectos seriam as prioridades do executivo angolano para então dar a esta população sofredora uma habitação condignada.Em de fazer os vossos condomino para alugar aos estrangeiros que aqui melitam.
  5. CARLOS SEMEDO
    2010-11-16 17:57:30
    A vontade de um Povo não se pode traduzir na palavra de um Presidente, seja ela Histórico ou não. Fico muito perturbado com sistemas onde apenas um Homem pode fazer ou desfazer factos, leis e decisões politicas que regem um povo soberano mas... não Livre.Isso seria ou será[?) uma ditadura...Aliás demodé... Vejam a américa do sul onde o Hugo ( exuberante ) o Lula ( agora povo), fazem isso, mas não se deixam ou pelo menos tentam esquecer as tendências para ditadores.O Estado de Direito tem que ter pulso rijo mas democrática e a Liberdade começa pela expressão livre. Choro o Viriato da Cruz... nosso livro na clandestinade e agora um banido.Bem... qualquer dia sou pessoa" non grata
  6. Kota
    2010-11-16 17:56:29
    Diz um comentador que os colonialistas tem sempre um sorriso nos lábios quando vêem crianças passeando na lama, etc. Engano seu meu caro nós os tugas não vemos isso com satisfação porque no nosso tempo não existia e nem existe aqui. Fico satisfeito pela notícia de fazerem esses bairros para acabar com os musseques. Li num portal de Angola bem conhecido que as rendas dessas casas não estarão ao alcance de quem ganhar pouco ou não tem trabalho como é evidente. Então como é que o estado vai fazer? Não pagam renda de casa? E os transportes públicos para lá como são? Nesses bairros as casas sociais terão quintal para plantar a comida que tinham nos kimbos? Ao que parece não tem. Enfim, que resolvam o problema o melhor possivel ou então mandem esse pessoal para as origens e lhe deiam o dinheiro suficiente para eles na seu kimbo de possam cultivar o que precisarem como antigamente o faziam. Mas....há um problema e grande! Estará a zona toda desminada? Parece que não. Enfim a construção desses bairros sociais (?) já é um grande passo e se for acompanhado por boas ruas e por transportes públicos adequados tanto melhor. Oxalá assim seja!
  7. Carlos Semedo
    2010-11-16 12:30:47
    Li esta noticia com alegria. Não podemos continuar a ter favelas nem bairros de lata.Angola é um pais independente rico material e humanamente. Há sempre nos lábios colonialistas um sorriso de satisfação quando se fotografam ou filmam crianças passeando na lama, casas ainda em adobe ou lama seca,nos arredores da capital. E não só: Angola não pode ser a Pátria de neocolonialismos, senão aqueles miudos que leram numa bandeira nunca poderão ser cidadãos de pleno. Deixem isso para esta Europa decadente, velha e submissa ao capitalismo.
  8. bruno pedro
    2010-11-16 10:55:19
    É muito bom saber que o presedente josê eduardo sabe o que na realidade o nosso esta em defice em termos habitacionais a muito tempo é de louvar estes projectos para que possam desafogar esta gigantesca deficiencia em adquerir uma residência para os Angolanos possam efectivamente possa viver condignamente com as suas familias. So espero que estes projectos sejem reais para que então possamos sorrir porque já estamos cansados de chorar
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