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Petróleo

Petrobras lucra mais de USD 14 mil milhões

O lucro líquido acumulado Petrobras, a estatal petrolífera brasileira, atingiu, em 2010, os R$ 24,588 mil milhões (o equivalente a USD 14,131 mil milhões), o que traduz um acréscimo de 10% em relação ao mesmo período de 2009. De acordo com uma nota emitida pela empresa, este crescimento foi sustentado principalmente pela ampliação dos volumes de vendas no mercado brasileiro, com destaque para o aumento das vendas de óleo diesel (mais 10%), gasolina (mais 18%) e Gás Natural (mais 28%), assim como pelo incremento em 2% na produção total de óleo e gás e ainda pelo aumento das vendas internacionais e dos preços das exportações.

Os preços das commodities reflectiram o aumento de 35% da cotação média do petróleo Brent (que passou de USD 57,15 o barril para USD 77,13 barril), assim como a valorização do petróleo “pesado” em relação ao “leve” (redução do spread de USD 8,67 por barril para USD 4,21 por barril). Tais factos foram parcialmente compensados pela redução nos preços do diesel (15%) e da gasolina (4,5%) no Brasil, em Junho de 2009, e pelo aumento dos custos unitários.

O resultado financeiro da petrolífera situou-se em R$ 910 milhões (o correspondente a USD 523,2 milhões), decorrente da variação do câmbio sobre os passivos líquidos. O resultado operacional medido pelo EBITDA (sigla em inglês para “earnings before interest, taxes, depreciation and amortization”, que em português significa “lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”) atingiu R$ 45,739 mil milhões (USD 26,36 mil milhões), garantindo os recursos para a significativa ampliação de 11% do volume de investimentos no período em causa.

A produção de óleo e gás no Brasil cresceu, entre Janeiro e Setembro de 2010, 2% em relação ao mesmo período de 2009, alcançando 2,322 milhões boed (barris de petróleo equivalente por dia). A produção de gás aumentou 3% no período, devido principalmente à entrada em produção dos campos de Camarupim, novos poços em Piranema e Lagosta e início da operação do gasoduto Coari-Manaus, tendo, em Setembro, a produção de gás natural batido um recorde. Já o crescimento da produção de petróleo, que foi de 2%, no mesmo período, foi sustentado pela elevação dos volumes produzidos em unidades como FPSO Cidade de Vitória, FPSO Cidade de Santos, FPSO Espírito Santo e FPSO Frade, e pelos testes de longa duração de Tiro e Tupi.

Produção no exterior aumenta

No exterior, a produção de petróleo e gás natural alcançou, no mesmo período, 246 mil boed, um aumento de 5% em relação aos nove primeiros meses de 2009, em função, principalmente, do início da produção de Akpo (Nigéria), em Março de 2009, e da maior procura pelo gás boliviano.

No início de Setembro, a Petrobras celebrou com a União o contrato de Cessão Onerosa, com aquisição dos direitos para produzir 5 mil milhões de barris de petróleo equivalente em áreas não licitadas do pré-sal, no montante de R$ 74,808 mil milhões (USD 43,1 mil milhões), liquidado com os recursos provenientes da Oferta Pública de Acções. Tal permitirá a elevação das curvas de longo prazo de produção da petrolífera e a manutenção do indicador reserva/produção.

Além disso, como parte do desenvolvimento das áreas do pré-salda Bacia de Santos, está prevista, para o final de Dezembro deste ano, a Declaração de Comercialidade (DC) da área de Tupi, marcando o início de sua fase de produção comercial.

Os investimentos da Petrobras nos nove primeiros meses de 2010 alcançaram R$ 56,5 mil milhões (USD 32,59 mil milhões), superando em 11% o montante realizado no mesmo período do ano anterior. O desenvolvimento da capacidade de produção de petróleo e gás natural, no sector petroquímico e nas refinarias constituíram uma prioridade para a petrolífera brasileira. Do total investido, R$ 24,77 mil milhões (USD 14,28 mil milhões) foram destinados ao segmento de E&P, resultando num aumento de 4% sobre os nove meses de 2009. Os recursos destinados à área de abastecimento somaram R$ 20, 582 mil milhões (mais 94%), o correspondente a USD 11,87 mil milhões).

Como parte do projecto de modernização, ampliação e actualização tecnológica das refinarias, a Petrobras inaugurou, em Outubro deste ano, as unidades de coque e hidrotratamento de diesel da Revap. Foi firmado também um contrato para fornecimento dos projectos básicos e de pré-detalhamento das Refinarias Premium I, a ser construída no Maranhão, e da Refinaria Premium II, no Ceará. O investimento destinado à área de Gás e Energia apresentou uma quebra de 19% no mesmo período em função da conclusão, ao longo do ano, de obras de integração da malha de gasodutos do país, o que tornou o sistema de transporte de gás mais confiável.

A capitalização da Petrobras, concluída em Setembro de 2010, resultou no aumento de capital de R$ 120, 249 mil milhões (cerca de USD 69,35 mil milhões).

Diferendo: Petrobras recusa alteração de contratos no Equador
O consórcio da Petrobras no Equador não vai migrar para os novos contratos de prestação de serviço uma vez que os sócios da perolífera brasileira no bloco 18, principal activo que detém no país, não concordaram com os termos do governo equatoriano, informou uma fonte na companhia na passada segundafeira.
A Petrobras está presente naquele país desde 1996 e continuará a operar o seu oleoduto, acrescentou a fonte.
A Petrobras produz 32 mil barris diários no Equador, onde investiu USD 430 milhões e previra aplicar mais USD 300 milhões nos próximos anos na operação de dois blocos de petróleo no país.
O prazo para que as petrolíferas que atuam no Equador assinassem novos acordos que eliminam os contratos com divisão de receita favorável às empresas, instituindo o sistema de serviços prestados, expirou esta terça-feira.
Algumas companhias, como a Petrobras e duas outras petrolíferas controladas pela chinesa CNPC, sócias da brasileira no bloco 18, questionaram os novos termos propostos.
Os novos contratos consubstanciam os princípios da política do nacionalista Correa, que tenta aumentar o encaixe de receita pública com a energia e a mineração , depois de uma moratória declarada em 2008 ter restringido o acesso do país aos mercados de capitais. O Equador, menor país da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), espera que os novos contratos tragam investimentos internacionais de USD 1,2 bilhões ao longo dos próximos cinco anos.


Luís Faria
26 de Novembro de 2010
11:59
 
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