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Em Luanda

Escolas abandonadas por causa das chuvas

As escolas do primeiro e segundo ciclo números 103, 1002 e 1003, à Samba, encontram-se completamente inundadas devidos às chuvas que se abateram sobre a cidade de Luanda nos últimos dias . Os estudantes tiveram que ser transferidos para outros estabelecimentos de ensino para não ficarem sem fazer os exames finais.

O adolescente Manuel Ferreira, que foi há anos aluno da escola 103, encontrava-se na manhã de quintafeira, 2, a olhar para a lagoa em que se transformou o seu antigo local de aprendizagem. Triste por ver a “oficina de valores” a degradar-se sem ninguém intervir, indicou à equipa de reportagem de O PAÍS a sala 1, o local onde aprendeu o alfabeto.

A água neste estabelecimento de ensino atingiu uma altura superior a 40 centímetros e para não se estragarem os documentos, os funcionários optaram por manté-los a salvo sobre os tampos de algumas mesas.

Nesta escola, os portões de acesso ao quintal e os de várias salas foram surripiados. Do exterior é possível verificar que existem outros que se mantém intactos só pelo facto de estarem reforçados com cadeados. “Os nossos vizinhos é que aproveitaram o facto de a escola estar abandonada para se apropriarem dos bens que lá existiam. Os estudantes foram transferidos para a escola 119, onde fizeram as provas de frequência e exame”, explicou.

Na esperança de impedir a invasão da água, a antiga direcção deste estabelecimento de ensino da Camuxiba havia aumentado o tamanho do passeio, mas o efeito não foi o esperado. A escola encontra-se a um nível inferior ao da rua e a água que ali se acumula acaba, depois, por inundar a instalação.

Contrariamente às demais unidades do ensino, onde os discentes são reencaminhados de forma temporária para outros estabelecimentos na época das chuvas, a escola do primeiro ciclo 1002 encontra-se totalmente abandonada há mais de dois anos.

Para além das águas provenientes das precipitações pluviométricas, a Escola 1002 sofre mais ainda com os estragos causados pelos lençóis freáticos que existem no subsolo daquela zona. Por falta de contentores, os moradores daquela circunscrição optaram por transformar a escola em depósito de lixo.

Professores retiram água

O director de uma das instituição de ensino inundadas do município da Samba, que pediu anonimato por não ter sido autorizado pelo delegado municipal da educação a prestar informações a este jornal, revelou que tem mobilizado os seus colegas a realizar campanhas para retirarem a água do interior do estabelecimento de ensino que dirige.

Para manterem a escola em condições para a prova que estava marcada para a passada segunda-feira, 29, os educadores pediram auxílio ao pai de um dos funcionários, que cedeu a electrobomba para retirarem a água. “Passámos toda a sexta-feira e sábado a limpar a escola mas, com as chuvas que caíram no final da tarde de sábado e na manhã de domingo, não tivemos outra opção senão transferi-los”, contou.

Construído na época colonial, este estabelecimento de ensino deixou de receber novos alunos, porque a direcção acredita que ela entrará em obras mais dia menos dia.

Um professor, Hermenegildo Pascoal, comentou a O PAÍS que a situação é dramática porque um número considerável de alunos já nem se dignou, sequer, a comparecer depois das chuvas do último final de semana.

“Como educadores, sentimo-nos no dever de criar os nossos próprios mecanismos para dar-lhes a conhecer os locais onde seriam realizadas as provas. E, apesar disso, há encarregados de educação que não reconhecem os nossos esforços e nos culpabilizam pelo estado em que se encontra a escola, o que lamento”, rematou.

Lourenço Neto
cerca de 20 inundadas

O assessor da delegação provincial da Educação de Luanda, Lourenço Neto, revelou quinta-feira, 2, a O PAÍS que o número de escolas que se encontram inundadas oscila entre 15 a 20, sendo o Rangel, o Kilamba Kiaxi, Samba e Cazenga, os municípios mais afectados.

“À semelhança dos problemas que se registam em todos os sectores da nossa sociedade, desde que começou a época chuvosa, fomos afectados com a inundação de algumas escolas e tomámos algumas medidas para que os estudantes não ficassem sem fazer as provas de frequências e de exame”, explicou.

Lourenço Neto declarou que, para executarem sem grandes sobressaltos o processo de transferências, têm contado com alguma ajuda das administrações municipais que, a seu ver, também não conseguem fazer mais porque têm  recursos limitados.

Como as paralisações só acontecem na época chuvosa, os professores das escolas inundadas continuam a exercer normalmente as suas actividades, sendo encaminhados para as zonas onde decorrem as provas.

A nossa equipa de reportagem pôde constatar que este fenómeno é causado nos municípios do Cazenga e Kilamba Kiaxi pelas construções anárquicas que acabaram por obstruir as vias de escoamentos.

A estudante Francilina dos Santos disse que a escola Comandante Imperial Santana faz parte do leque de instituições de ensino que têm sido constantemente inundadas pelas chuvas e que “existe uma empresa chinesa que está a fazer obras de reparação para ultrapassar esta dificuldade”.

A escola Imperial Santana foi reinaugurada em 2000, depois de ter beneficiado de obras de reabilitação e ampliação orçadas em 629 mil dólares, passando a ter capacidade para albergar dois mil e 600 alunos.

A restauração da referida escola foi patrocinada pela Fundação Eduardo dos Santos (FESA), com o objectivo de contribuir para a criação de melhores condições a docentes e discentes.

A mesma história repete-se na escola do ensino primário que se encontra no interior da administração comunal do Rangel.

Paulo Sérgio
3 de Dezembro de 2010
10:12
 
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Comentários

  1. antonio victoria
    2010-12-06 14:14:04
    Isso é lamentável não sei quando é que Angola vai apostar de verdade na educação como é possível uma escola ficar dessa maneira o governo não reconhecer escola com infra-estrutura do gênero, isso so acontece por que o governo não constrói escolas i as pessoas fazem de suas casa como escola e da o que aconteceu e outro fato também e o saneamento básico que é caso triste no nosso pais a Média esta ai pra isso escrevem mas falem mas para o governo trabalharem se não estamos mal e o pais vai continuar assim
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