O avião da TAAG que na segunda-feira aterrou de emergência em Lisboa está inoperativo e permanecerá em terra até ser esclarecida e reparada a avaria na origem do incidente.
Segundo o director do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA), tenente-coronel Fernado dos Reis, “a avaria registou-se no motor 2” e “a tripulação executou todos os procedimentos” de segurança previstos para a situação.
Pouco depois da descolagem do aeroporto de Lisboa, “a tripulação sentiu uma vibração” que levou os pilotos a desligarem o motor do lado direito do Boeing 777 da TAAG, explicou o responsável.
Tudo indica que o incidente foi causado por um problema no motor, refere Fernado do Reis, considerando, contudo, que neste momento estão todas as hipóteses em aberto.
Apesar de considerar pouco provável que a avaria tenha sido provocada por aves, o tenente-coronel diz que só a peritagem multidisciplinar esclarecerá a origem do problema.
A aeronave está preparada para voar só com um dos motores, realçou Fernado dos Reis, sublinhando que o Boeing da TAAG aterrou em segurança no aeroporto de Lisboa.
O GPIAA é a entidade responsável pela investigação do incidente e por elaborar um relatório final com as causas do incidente. Segundo as normas da aviação internacional cabe ao Estado onde ocorreu o incidente liderar a investigação que conta com o apoio de peritos do Estado onde está registada a aeronave e do fabricante do aparelho.
O director do GPIAA já nomeou o inspector responsável que vai liderar a comissão de investigação e são aguardados em Lisboa os peritos de Angola e dos Estados Unidos.
No âmbito das competências da comissão, os peritos têm acesso à aeronave bem como a todos os elementos que possam contribuir para os esclarecimento das causas da avaria.
Assim que os peritos tenham recolhido todos os indícios que consideram importantes para a investigação, a aeronave é libertada pela comissão e entregue à manutenção para reparação, explicou o tenente-coronel Fernado Reis.
Só depois de reparada e fiscalizada pelas autoridades da aviação comercial internacional a aeronave poderá voltar a voar, esclarece o responsável.
A fonte não conseguiu esclarecer o nosso jornal sobre a data provável da libertação da aeronave para a manutenção, nem da conclusão do inquérito sobre as causas do incidente.
Pela quantidade de procedimentos exigidos pelas normas estabelecidas pelas autoridades internacionais da aviação comercial, tudo indica que o Boeig 777 da TAAG não voltará a voar tão depressa.
A “fase de pesquisa, ensaios e análise pode demorar vários meses, dependendo da grandeza e complexidade da investigação”, informou o responsável.
Várias peças de avião caíram, na segunda-feira, em Almada, nos arredores de Lisboa, atingindo mais de 10 viaturas, segundo as autoridades policiais portuguesas. Duas pessoas foram atingidas sem gravidade com pedaços metálicos, alegadamente pertencentes ao reactor General Electric do Boeing da TAAG.
A TAAG já se responsabilizou por todos os prejuízos causados pelo incidente e informou que o avião comprado em 2007 tinha todas as revisões em dia.As conclusões da investigação serão entregues aos Estados que participaram na comissão, ao Instituto Nacional da Aviação Civil e a outras organizações internacionais como a Associação Internacional da Aviação Civil (IATA) e a Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO, na sigla inglesa).
No mesmo dia, mas desta vez à noite, o voo da TAP para Luanda também foi obrigado a regressar a Lisboa após mais de uma hora de viagem. Segundo a TAP, a detecção de uma avaria num filtro obrigou o avião a regressar à base.
No dia seguinte, na terça-feira, uma outra avaria foi detectada no voo da TAP que efectuava a ligação Lisboa-JohannesburgoMaputoLisboa. O voo da TAP ficou retido uma noite em Johannesburgo devido a uma avaria que não foi especificada pela companhia portuguesa.
A avariaobrigou à intervenção da manutenção da TAP em Johannesburgo. Apesar de não ser grave, segundo a TAP, a reparação da avaria fez com que a tripulação ficasse impedida de concretizar a ligação com Maputo no mesmo dia, por terem sido excedidos os limites de trabalho previstos pelas regras da aviação civil. Os passageiros queixaram-se de falta de assistência em terra, sobretudo da falta de informações durante as longas horas de espera no aeroporto de Johannesburgo. Os 144 passageiros acabaram por ser reencaminhados para hotéis porque o voo só podia ser efectuado no dia seguinte.