José Eduardo dos Santos disse em Pretória que Angola e África do Sul têm responsabilidades de desenvolverse em moldes que sirvam de exemplo para outras regiões do continente e do mundo.
Por partilharem o mesmo espaço geopolítico, no quadro da SADC, isso, disse o Presidente angolano, “confere-nos a responsabilidade e (…) significa ter como alvo objectivos comuns e partilhar os esforços e os benefícios”.
Nesta perspectiva, e com este espírito, deu a conhecer José Eduardo dos Santos, Angola pretende conjugar sinergias e estabelecer parcerias fortes com a África do Sul nos mais distintos domínios da vida económica, social e científica.
Segundo augurou o Presidente da República, se essas parcerias derem certo nas relações bilaterais terão uma repercussão positiva em toda a África Austral.
“No nosso entender, a SADC será cada vez mais forte quanto mais fortes forem as economias dos seus Estados membros”.
A par disso, o Presidente angolano acha que o diálogo, a concertação e a cooperação são a via privilegiada para estabelecer todo o tipo de entendimentos necessários e, igualmente, o meio para procurar soluções para problemas ou situações que possam eventualmente criar instabilidade ou ameaçar a paz e segurança de cada um dos nossos países e da região.
Angola e a África do Sul assinaram, em Pretória, seis Memorandos de Entendimentos, nas áreas de Obras Públicas, Infra-estruturas, Telecomunicações e Tecnologia de Informação, e uma declaração de intenção sobre a utilização de Facilidades Financeiras.
Para além disto, foi também assinado um plano de implementação para a Energia, e um Protocolo sobre a Cooperação Técnica na Área de Serviços Veterinários.
Os dois países salientaram a necessidade do fortalecimento das relações bilaterais, em várias áreas como Energia, Agricultura, Exploração Mineira, Artes e Cultura, Desenvolvimento das Infraestruturas, Comunicação Social, Educação, Saúde e Desporto.
As duas partes primam por uma aceleração dos Acordos e Memorandos de Entendimento já assinados.
Paralelamente a estes, mais instrumentos foram acrescentados à lista dos Acordos e Memorandos de Entendimentos entre os dois países.
Para o Presidente Jacob Zuma, os dois países devem ter como prioridade a cooperação económica, através do comércio e investimento, criando assim oportunidades de trabalho nos respectivos países.
Segundo Jacob Zuma, a assinatura destes instrumentos é “uma indicação bem clara da nossa determinação colectiva de levarmos as nossas relações a níveis mais elevados para benefícios mútuos dos nossos respectivos países”. Os ministros responsáveis das áreas foram já orientados para trabalharem no sentido da finalização de outros acordos que estão ainda pendentes. Estes incluem o acordo de Artes e Cultura, Educação e Navegação Comercial Aérea.
Foram signatários dos acordos, pela parte angolana, a ministra da Energia e Águas, Emanuela Viera Lopes, das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, do Urbanismo e Construção, Fernando Fonseca, das Relações Exteriores, George Chikoty e o embaixador de Angola na África do Sul, Miguel Neto.
A uma dada pergunta sobre um eventual risco nas parcerias estabelecidas com a África do Sul, o Presidente José Eduardo dos Santos respondeu de maneira enfática que “em África aprende-se com os mais velhos e as crianças não têm medo dos mais velhos”. Com esse intróito, José Eduardo Santos enfatizou que a África do Sul é um país mais antigo que Angola, teve a sua independência em 1910, e Angola apenas em 1975; é um país mais consolidado; tem uma economia mais forte.
“Colaborando com a África do Sul, vamos, certamente, limitar aquilo que eles já terão cometido no passado como erros. Têm mais experiência em todos os domínios da organização do Estado, da Administração, da Economia, do Sector empresarial público ou privado, porquê não beber desta experiência?”.
O Governo angolano, disse o Presidente, define as suas políticas internas de identificação e estruturação da sociedade, define as suas políticas públicas, para realizar os programas que foram submetidos aos eleitores e tem consciência do que tem que fazer para realizar os seus objectivos.
Para o feito, acrescentou, vai buscar fora do seu território valências que não tem. Se pôde vir buscar à África do Sul estes elementos, porquê que Angola terá receios de cooperar com a África do Sul? questionou. José Eduardo dos Santos referiu, por outro lado, não haver receios na cooperação com a África do Sul, na medida em que coopera com os Estados Unidos da América, a maior economia mundial, coopera agora com a China, a segunda maior economia mundial.
“Acho que este raciocínio não faz muito sentido”, rematou a finalizar o Presidente José Eduardo dos Santos.