| info@opais.net
Muito nublado
Luanda
Clique para aceder á Revista
RSS

Caso SME

Tempestade no SME

Aponta final de 2010 há-de ficar nos registos da antiga Direcção Nacional de Fronteiras de Angola (DEFA primeiro, depois DNEFA) os hoje muito mediatizados SME como um momento atípico e digno de ser lembrado. Ou esquecido, dependendo do lado que se esteja!Num movimento administrativo de que não se tem memória naquela Direcção do Ministério do Interior, de uma só assentada dez chefes de departamento deixaram de o ser em fracção de minutos, ao conhecerem, em clima de absoluta surpresa, um afastamento que lhes poderá remeter a uma espécie de reforma antecipada. No melhor dos casos, reiniciarão carreiras noutras áreas do funcionalismo público mas dificilmente nos Serviços de Migração e Estrangeiro (SME).O tormentoso capítulo foi vivido na passada sexta-feira, 17, o mesmo dia em que os quadros demitidos viram os seus postos ocupados de imediato por outras pessoas, trazidas de fora para dentro. De acordo com fontes de O PAÍS, os novos responsáveis colocados à frente dos dez departamentos quevagaram foram chamados dos Serviços de Informação (SINFO). Foram nomeados na mesma sexta-feira e logo a seguir investidos formalmente nas funções.

Outros 93 de fora

O director dos SME, João Maria de Freitas, além da sensacional vassourada que praticamentemudou os rostos de toda a estrutura de gestão da sensível Direcção sob seu comando, assinou também despachos que atingiram outros noventa e três elementos, entre oficiais subalternos, intermédios e superiores. Ao todo, a sexta-feira “anormal” fechou as portas ao antigo emprego a um total de cento e três funcionários, que se sabe agora estarem entregues ao sector dos Recursos Humanos, “a ver o que acontece”.Uma fonte que este jornal contactou no interior dos SME admite que o encaminhar desse grupo de trabalhadores aos Recursos Humanos é apenas uma maneira de se dar uma “envoltura administrativa” ao processo, mas o mais provável é que estejamos diantede “pessoas que vão ficar em casa e irão ao serviço apenas receber o salário ao fim do mês”. No dizer da fonte, “acabou-se para eles a vida nos Serviços de Migração e Estrangeiros”.De resto, existe mesmo já um despacho assinado pelo ministro do Interior, Sebastião Martins, que ordena que os cento e três funcionários sejam colocados “noutras áreas que não os SME”, sempre de acordo com a fonte que vimos citando.

Os antecedentes de um furacão

Quando o actual director dos SME, João Maria de Freitas, recebeu do ministro do Interior a missão de dirigir aquele nevrálgico sector do Estado, lançou o aviso a quem o quis ouvir. Falou em “banda podre”, uma alusão que todos perceberam como querendo dizer pessoas resistentes às novas políticas de gestão transparente, afastada das tentações do dinheiro fácil obtido de práticas de corrupção e suborno e que abrem as portas, de par em par, às delícias do novo riquismo. Perceberam-no os de fora e os de dentro, mas o tiro para o ar de advertência foi, sobretudo, feito para ser escutado, no seu estampido forte, pelos que trabalham nos distintos órgãos da antiga DEFA.Tanto o ministro Sebastião Martins como o director dos SME tinham plena consciência, ao iniciarem os respectivos consulados, de que na casa que lida com os dossiers da migração sobrevivia muito da “velha ordem imperial” e que no vendaval que levara Quina da Silva e seus colegas de processo não estavam todos os que tinham de estar.A saída do director dos SME que substituiu Joaquina da Silva, Eduardo “Dinho” Martins, resultante embora de um despacho assinado pelo Presidente da República (era vice-ministro, daí o procedimento administrativo), constituía um nítido sinal daquilo que Sebastião Martins queria, nada mais e nada menos que a profunda arrumação da casa, uma tarefa de “higienização” que todos dizem não ter sido concluída pelo General Roberto Leal Monteiro “Ngongo” enquanto esteve à cabeça do MININT. Mas quem foi mais explícito na anunciação do que poderia estar a ser preparado laboratorialmente foi João Maria de Freitas, o director que se seguiu ao general Dinho Martins. Falou em “banda podre” e deixou tudo dito.

Polícia versus Polícia Segundo o que O PAÍS apurou, a abrupta movimentação de quadros de sexta-feira passada no interior dos SME foi o culminar de um processo levado a cabo de maneira encoberta pelos serviços competentes. Os responsáveis demitidos faziam parte de uma lista de funcionários tidos como possuidores de vínculos suspeitos e que desembocavam em operações de facilitação de inúmeros actos migratórios.“O SINFO vinha seguindo todos eles e quando conseguiu reunir todas as provas, a direcção agiu”, disseramnos fontes concordantes ligadas aos SME.Depois que os despachos foram conhecidos, de acordo com o relato que foi feito a O PAÍS, o clima nas salas e corredores dos SME foi de choque e espanto, mais pela forma como tudo se precipitou do que propriamen-te pela natureza das medidas. Na verdade, há muito se sabia no interior da casa que muita gente continuava ligada a esquemas ínvios apesar da sindicância que a seu tempo decapitara a direcção de Quina da Silva. Eram tidos, esses funcionários, como os sobreviventes do tsunami que acabou em julgamento, condenações e prisões.Houve porém, no dizer das fontes, uma ressalva digna de ser feita: muitos, naquela sexta feira, foram colhidos de surpresa quando tomaram conhecimento de que da lista dos cento e três afastados, constavam colegas de conduta a toda a linha irrepreensível. Na aparência apenas, como se viu: “Foi duro saber isso, como também acabou por ser patético ver alguns dos afastados a chorarem lágrimas de dor, por lhes ter sido ordenado para deixarem os carros de função que lhes estavam atribuídos. Deu para ver que muita gente ainda não acredita que o país está a entrar na normalidade”, disse, em remate, a fonte que sustentou o essencial deste relato jornalístico.

Luís Fernando
29 de Dezembro de 2010
10:18
 
9
 

Comentários

  1. lizetemanuel
    2011-05-18 21:14:31
    quero saber como fica os funcionarios que ficaram em casa sera que eles não tem direito de exercerem os seus trabalhos e como fica aqueles que tem de sustentar a familia sera que os diretores não estão vendo esta situação
  2. António
    2011-02-24 15:35:35
    Todos nos devemos congratular com os esforços desenvolvidos em prl da transparencia assim como colaborar na melhoria do dia a dia dos cidadãos. Em jeito de contribuição atrevo-me a enviar uma observação relativa ao funcionamento dos serviços do SME e que consta do seguinte: Como sabem, o SME possui um site oficial acessivel pela pela internet onde o cidadão estrangeiro poderá consultar o estado do seu pedido de visto/renovação de visto. Seria de esperar que, após informação no referido site de que o visto está emitido, o passaporte estivesse disponivel para levantamento nos serviços respectivos. Pois, para surpresa nossa, toda esta tecnologia, que deve ter custado bem caro aos cofres do estado, é ofuscada por um "layer" de operações/operadores que, sem qualquer explicação e por tal perfeitamente descricionaria e pouco ou nada transparente, chegamos aos serviços e após longas horas de espera, é-nos devolvido o recibo com a simples frase "ainda não está pronto". Qualquer processo pouco transparente é terreno fertil para os "facilitadores" e este parece-me ser um deles. Espero que esta modesta contribuição chegue a quem de direito, a bem da nação angolana
  3. julio
    2011-01-02 11:38:43
    para quando a mudança do homen do cunene ( santa clara)?
  4. O Tempo.
    2010-12-30 16:53:02
    Há um tempo atrás precisava de tratar um Passporte Normal, por isso dirigi-me ao SME(Antiga DEFA) com a papelada completa .Cheguei ás 6 horas da manha para escreverem o nome numa lista nominal e conseguir uma senha de atendimento. Habituado as Boas Regras do atendimento, aguardei horas á fios até 12 horas sem receber a tal senha. Mas verifiquei que vinha de dentro a informação de que "Não havia Sistema"mas entravam pessoas para o ser atentidas.Muito observador da situação , verifiquei que as ditas Senhas estavam a serem distribuída " Clandistanamente aos "amigas , funcionários,pessoas que recebiam as senhas numa Roleta de Esquemas. As 13 horas, cheio de sede e fome dirigi-me ao funcionário que estava encarregue das senhas, dizendo-lhe que aquela situação nunca jamais vira e que ele devia distribuir as senhas correctamente e não daquele modo que eu próprio constatei que fazia-no dentro de uma casota logo a entrada do portão Principal e era um mau trabalho e estava supreendido depois logos anos fora do país, ainda praticavam os Esquemas da antiga DEFA.Era arrepiante.O funcionario respondeu-me, se eu continuasse a reclamar, jamais seria atendido, criando uma revolta interior de maneira que lhe disse: -Se ele acharia que estava a fazer um " trabalho" , poderia continuar, mas aquilo era de facto mto vergonhoso aos olhos dos cidadãos Nacionais e Estrangeiros presentes que se dirigiram ao SME tratar modestamente os seus assuntos . Na minha honesta opinião- Digo- As mudanças são necessárias, mas é preciso Punir todos aqueles que Defraudam a Imagem do Sector publico e do Estado. A lei da Probidade admistrativa em vigor deve ser COMPLEMENTADA por uma outra de conduta da Etica Adminstrativa para os "funcionários e agentes públicos". As AUDITORIAS Exeternas aos Serviços e Agentes do Estado quanto a seu Desempenho deve servir de Mecanismos de aferição e avaliação dos funcionarios Publicos e agentes do Estado". Na maioria dos Serviços Publicos não se cumprem os Prazos. A observação dos cumprimentos prazos são essenciais,porque permite um melhor de prestação de Serviços , bem com avaliar o méritoe competências dos intervenientes. Esta missão do Ministro não se deve restrigir apenas ao SME, mas em outras do Orgão. A CHAMADA DA ORDEM DOS ADVOGADOS DE ANGOLA neste Desafio seria contribuição valiosa. UM BOM TRABALHO. PARABÉNS SR. MINISTRO. UM BOM ANO 2011-
  5. Ruben Mutateno
    2010-12-30 15:23:24
    Q a medida do novo titular da pasta do MININT nao se limite so no SME, tbem em outros orgao do ministerio q dao dores de cabeça.
  6. Sónia Pires
    2010-12-30 13:38:51
    A verdade é que o país precisa de lideres competentes e incorruptos. Deveria-se tomar medidas duras para os prevaricadores. Se se continuar sempre a passar a mão na cabeça para os que não querem melhorar, não iremos a lada algum. O novo elenco está de parabéns. For
  7. Adelino Manuel
    2010-12-30 11:29:58
    A única palavra é de incorajamento ao Ministro do interior e ao director do nosso SME. Força, coragem e muita fé. Deus está e estará sempre do vosso lado
  8. Joka Oliveiras
    2010-12-30 11:14:30
    E para quando na Policia de Transito, incluindo a sua Direcção, que em vez de minimizar os problemas de transito na capital, só os complica, incluindo a velha história das cartas de condução concedidas a pessoas analfabetas sem expriência em condução
  9. Felizardo Zassala
    2010-12-30 09:26:32
    Este novo Ministro do Interior tem mostrado um verdadeiro trabalho, tentando criar uma nova imagem ao sector da polícia e do SME combatendo a favor da instinção da corrupação neste dois sectore do estado. O seu trabalho não fica só pelo gabinete, estende-se no serviço de campo, supervisonando se os seus subordinados têm cumprido com rigor e disciplina as suas tarefas, é um verdadeiro líder....que não se acomoda no seu gabinete. Pena q neste País quem tenta mostrar trabalho é posto de lado...espero q não aconteça isso com este homem que tem demonstrado que é alérgico a corrupção. Que o trabalho deste homem sirva de exemplo aos seus colegas!!!!!
Nome

E-Mail

Comentário


Enviar Comentário
 

Newsletter



Subscreva tambem a newsletter da Exame