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Suspeitas

Quim Ribeiro investigado sobre fundos do Parque da Chicala

A gestão dos fundos provenientes do Parque da Chicala, onde são transferidas todas as viaturas que transgridem as regras de trânsito, foi alvo de uma investigação dos técnicos dos Serviços de Inteligência e Segurança do Estado (SISE), para apurar as responsabilidades do comissário Joaquim “Quim” Ribeiro em relação ao suposto descaminho de um milhão e 740 mil dólares norte-americanos.

O PAÍS apurou que o valor acima mencionado consta de um relatório submetido há duas semanas ao ministro do Interior, Sebastião Martins, e ao comandante-geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos.O documento foi também encaminhado à Direcção Nacional de Inspecção das Actividades Económicas, dirigida pelo comissário Alexandre Canelas, para averiguar a utilização dos montantes que constavam de duas contas bancárias, uma domiciliada no Banco de Poupança e Crédito (BPC) e outra no Banco Internacional de Crédito (BIC). As referidas contas, segundo consta, eram apenas tuteladas pelo então comandante provincial de Luanda da Polícia Nacional e mais dois subordinados seus, um deles João Isalino, responsável dos Serviços Sociais da corporação na capital do país.“Eles são as pessoas que abriram a conta e sabiam o que era feito com o dinheiro, que era resultado das contribuições dos automobilistas. Acreditamos inclusive que os próprios reboques terão sido comprados com os fundos provenientes desta colecta”, contou uma fonte policial.Este jornal apurou ainda que o próprio intendente João Isalino, que na altura procedeu à abertura das contas, fê-lo apenas porque estava a responder, interinamente, pela secção de finanças do Comando Provincial de Luanda, numa altura em que o chefe dessa área se encontrava adoentado.O oficial já foi notificado pelos inspectores da Polícia Económica, onde labutou em tempos, e compareceu para prestar informações sobre a gestão do Parque da Chicala. Consta que o então técnico da contabilidade do CPL levou consigo os arquivos onde constam os valores depositados nas duas contas, incluindo extractos bancários e outros documentos que serão então analisados pela Direcção Nacional de Inspecção das Actividades Económicas.“Em princípio não há nada de ilegal”, começou por dizer outra fonte deste jornal, realçando que, ao contrário do que se pensava, “a conta não foi aberta em nome de particulares, mas sim do próprio Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional/Gestão de Parques”.Entendeu-se apelidar a conta Comando Provincial de Luanda/ Gestão de Parques porque já existe uma outra no Banco de Poupança e Crédito com a denominação da corporação a nível da capital do país, onde são recebidos regularmente os duodécimos disponibilizados pelo Ministério das Finanças. Por este facto, prosseguem as fontes, acrescentaram “Gestão de Parques” à conta onde se depositam as multas, para que os valores resultantes destes pagamentos não fossem misturados com o atribuído mensalmente pelo Estado.A criação do referido parque emanou de uma orientação superior proveniente do Governo Provincial de Luanda (GPL), numa reunião dirigida pelo então vice-governador Francisco Domingos, na altura em que Francisca do Espírito Santo dirigia os destinos da província. No encontro também se definiu igualmente o papel que seria desempenhado pelos Serviços de Fiscalização do Governo da Província de Luanda na operação de recolha dos automóveis.Afastado oficialmente do cargo de comandante provincial de Luanda no dia 3 de Novembro deste ano, Joaquim Ribeiro aguarda há mais de um mês pelo resultado de um inquérito que, em princípio, duraria apenas 15 dias. Nesse interim, o comissário foi exonerado do cargo pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e com ele seguiram outros oficiais da corporação afectos à Divisão de Viana e à Direcção Provincial de Luanda de Investigação Criminal, por suspeita, acredita-se, de descaminhos de dinheiro do Banco Nacional de Angola e morte de um oficial da Polícia Nacional.As supostas irregularidades imputadas ao comissário estão a ser investigadas por uma comissão de inquérito que é composta por dois reputados oficiais da Polícia Nacional, os comissárioschefes Salvador Rodrigues “Dodó”, inspector do Comando-Geral da Polícia Nacional, e Fernando Torres Vaz da Conceição “Mussolo”, inspector-geral do Ministério do Interior. O comandante-geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, garantira dias depois da composição da comissão de inquérito que esta iria fornecer mais dados sobre as razões que ditaram o afastamento do comissário “Quim” Ribeiro.

Comissário ainda não é arguido

Contactado por este jornal, o advogado Sérgio Raimundo disse que também já ouviu falar no ‘caso Chicala’, revelando que se pode estar diante de mais um novo argumento.“Ainda não possui nenhuma acusação formal”, assegurou Sérgio Raimundo, alertando que “continuamos confiantes e serenos de que em sede própria faremos justiça. Não respondem nada a ninguém, ao contrário da expectativa que foi criada em torno do caso”. “O próprio Quim Ribeiro ainda não foi notificadoe a nível do inquérito, não foi solicitado qualquer advogado”, acrescentou o causídico. O advo-o PaíSgado manifestou-se preocupado com a demora que se observa no assunto, tendo em conta que até ao momento o próprio Comando Geral da Polícia Nacional não apresenta o resultado do inquérito que mandou instaurar em relação ao então comandante provincial de Luanda.“No caso do general Fernando Miala apresentou-se o resultado do inquérito, se as coisas eram verdadeiras ou mentiras não sei dizer. Num caso como este, se disseram que ele foi suspenso, devem agora dizer qual é o resultado do inquérito”, realçou o nosso interlocutor, acrescentando que “o ónus é do Comando-Geral daPolícia Nacional, na pessoa do seu titular. Na pior das hipóteses deve indicar alguém para dizer qual é a conclusão do inquérito”.Enquanto aguardam, Sérgio Raimundo descreveu o estado de espírito do seu cliente, o então comandante de Luanda, como “sendo calmo, na perspectiva de que não há nada a temer. Ele está à espera que lhe dêem uma oportunidade para se defender. Quem o acusa é que terá que provar as acusações”.Uma fonte do Comando-Geral da Polícia Nacional disse apenas a O PAÍS que “por obediência não é permitido pronunciar-se sobre um inquérito que ainda está em curso”.

Dani Costa
29 de Dezembro de 2010
10:25
 
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Comentários

  1. o verdadeiro
    2010-12-31 08:49:00
    façam justiça e se for culpado que seje punido de acordo a lei. existem outros "quins" o Delo da Lunda Norte, já o inquiriram, muitos dos efectivos daquela provincia ficaram sem salarios 4 á 10 meses, o farão com esse camarada?
  2. mc
    2010-12-30 09:25:37
    Façam justiça... espero que não sejam problemas pessoais, tratam de desmacarar todos ladrões... mas como será possível fazer isso, se todos os que xtão lá são ladr
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