A Somália, um dos países mais pobres do mundo, há muito luta para se tornar um Estado. Mas, apesar dos esforços da comunidade internacional, o ter-ritório permanece dividido em clãs subsidiados por grupos terroristas, nomeadamente da al-Qaeda.
Dizem especialistas que só a intervenção de forças internacionais poderá devolver o país aos somalis, há duas decadas vítimas da guerra.
Contudo, o país, situado na região denominada como Corno de África ou Nordeste africano, conseguiu sustentar uma economia de livre mercado que supera a de muitos países de África, segundo a ONU, apesar da instabilidade política e guerras constantes.
Além da Somália, fazem parte do Corno de África a Etiópia, o Djibuiti e a Eritreia.
Opaís comoriscomaiselevado de terrorismo do mundo A Somália tal com o Afeganistãosão há muito identificados como territórios de abrigo de células de terroristas.
No “Índice de risco terrorista”, divulgado em Novembro pela sociedade britânica Maplecroft, a Somália foi considerada como o país com o risco mais elevado de terrorismo.
Á frente do Paquistão, Iraque e Afeganistão, a Somália passou, num ano, dequartoparaprimeirolugar lista devido ao registo de 556 “actos terroristas” entre Junho de 2009 e Junhode2010,segundoa Maplecroft.
Depois da Somália, Paquistão, Iraque e Afeganistão, surgem os territórios palestinianos no quarto lugar da lista de “risco extremo”.
O Iémen, outro dos países que faz parte da região denominada Corno de África e que pela primeira vez entrou no ranking, ocupa o nono lugar da lista que avalia o risco de terrorismo em 196 países.
Por seu lado a Grécia que passou da 57a posição para 24a, é o país europeu onde existem mais riscos de terrorismo. Num ano a Grécia registou 180 atentados.
Os espanhóis, que foram ultrapassados pelos gregos, ocupam a 27a posição da lista, segundo a Maplecroft, organização especializada no estudo de riscos naturais ou humanos.
Os Estados Unidos da América (EUA), surgem 33o lugar enquanto Marrocos ocupa 84o.
Enquanto os EUA estão na categoria de risco médio, Marrocos encontra-se no nível de “risco fraco”, segundo o estudo anual, com base no número e intensidade dos atentados, assim como no historial do país nesta matéria.
A pirataria somali no Golfo de Aden é outro dos problemas que afectam o país e causam muitos problemas ao transporte marítimo internacional de mercadorias que atravessa o Golfo Aden, na região do Corno de África.
A União Europeia além de forças marítimas de patrulhamento das águas do golfo de Aden no âmbito das operações da NATO de combate à pirataria, também estão a treinar os soldados somalis a repelir as milícias em terra.
Com bases no Uganda e no Quénia, a Unidade de Operações da UE para a Somália investem no treino de soldados somalis enquanto o Movimento Islâmico de al Shabaab e o Partido Islâmico, as principais forças anti-governamentais da Somália, anunciaram uma coligação armada, que será denominada Movimento Islâmico de Al Shabaab.
O presidente ugandês, Yoweri Museveni, descartou a hipotese de retirar as tropas ugandesas da Somália, por causa dos atentado à bomba contra um autocarro que se destinava a Campala, registado na segunda-feira em Nairobi (Quénia).
O atentado que causou três mortes é atribuido pela polícia ugandesa à milicias al Shabaab.
“O Uganda não cederá face às acções terroristas”, declarou o presidente ugandês, num comunicado, onde apresenta as suas condolências às vítimas do atentado.
Durante a final da Copa do Mundo da África do Sul, registaram-se atentados à bomba contra dois restaurantes na capital ugandesa que foram reivindicados pelas forças da al-Shabaab como represália pela aumento do contigente de militares ugandeses na Somália, no âmbito da missão da Força Africana de Paz que apoia o Governo Federal de Transição da Somália.
Além de um dos países de risco extremo de ataques terroristas e de pirataria, a Somália também é considerado um dos países mais corruptos do mundo.
Juntamente com o Afeganistão e a Birmânia, a Somália faz parte da lista dos mais corruptos numa avaliação divulgada em Outubro pela organização não governamental Transparência Internacional (TI).
A avaliação intitulada “Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2010”, com uma tabela que vai de 0 a 10, representando 10 a inexistência de corrupção e o zero o maior indíce de corrupção, é um indicador agregado, que combina diferentes fontes de informação sobre a corrupção.
Segundo um alerta recentemento lançado pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), António Guterres, os refugiados na Somália, tal como no Afeganistão, exigem atenção internacional imediata.
“Há mais e mais pessoas a atravessar fronteiras por causa da pobreza extrema, por causa do impacto das alterações climáticas e por causa da sua correlação com o conflito”, afirmou há dias o responsável do ACNUR, lançando um apelo à comunidade internacional.
Num relatório apresentado em Março deste ano pelo relator das Nações Unidas para a situação dos Direitos Humanos na Somália, Shamsul Bari pedia a criação de uma missão depaz para a Somália.
Para o relator, as Nações Unidas deveriam transferir as suas operações para áreas seguras na Somália.
Actualmente as operações estão baseadas em Nairobi, no Quénia.
Segundo estatísticas publicadasem Janeiro pelo ACNUR, o número de refugiados na região de Galkayo, região central da Somália, próxima da fronteira com a Etiópia, aumentou para cerca de 25 mil pessoas distribuidas por 14 acampamentos à volta da cidade.
O conflito de anos e as secas motivam a população a deslocar-se para outras regiões da Somália.
Segundo as estatísticas são mais de 400 mil o número de deslocados internos na Somália, enquanto vários milhares procuraram refugio nos países vizinhos, nomeadamente na etiópia e o Quénia.