O presidente derrotado nas presidenciais de 28 de Novembro último, Laurent Gbagbo, persiste em não deixar o poder ao rival Alassane Ouattar, apesar de se manifestar favorável a uma negociação.
Por seu lado, Outtara diz-se disposto a negociar desde que Gbagbo reconheça os resultados do escrutínio, validado pelas Nações Unidas.
Enquanto os dois líderes mantém o braço de ferro, a delegação de líderes africanos que está a mediar a crise política voltou a encontrase segunda-feira, 3, com Laurent Gbagbo, num encontro considerado “útil”, mas que não deixa antever uma solução rápida para o problema.
Enquanto isso a violência continua a ceifar vidas no país. Os confrontos entre apoiantes dos dois candidatos presidenciais, registados desde as eleições, já fizeram cerca de duzentos mortos, três dos quais nos últimos dias, enquanto o número de feridos já ultrapassou o milhar. Os últimos mortos registaram-se em confrontos no Oeste do país.
Além dos EUA poderem disponibilizar-se para acolher Gbagbo, para resolver a crise, também parece estar a ser negociada uma solução que garanta a segurança de Laurent Gbagbo e seus apoiantes, nomeadamente a concessão de uma amnistia ao presidente cessante.
Contudo, e tendo em conta as declarações de Raila Odinga, primeiroministro queniano e mediador da União Africana, Laurent Gbagbo está à espera de uma solução de partilha de poder, já usada tanto no Quénia como no Zimbabué.
“Quando alguém perde as eleições, quer manter-se no poder esperando conseguir negociar este género de partilha com os seus opositores”, afirmou Raila Odinga, citado pela Agência France Presse.
Mas o mediador, segundo a AFP, avisou Gbagbo “que esta opção não está disponível”. Entretanto o presidente da União Africana, o maliano Bingu wa Mutharika, também se manifestou decepcionado com a lentidão das negociações, enquanto os mediadores africanos vão descartando a possibilidade de uma solução rápida e pacífica para o conflito, tendo em conta a recusa de Gbagbo abandonar a presidência do país.
Apoiado pela maioria dos países africanos, União Europeia e ONU, que reconhecem a vitória nas urnas, Ouattara permanece enclausurado num hotel de Abidjan, protegido por 800 capacetes azuis, desde a segunda volta das presidenciais.
Entretanto Gbagbo ainda não cumpriu a promessa, feita segundafeira,3, à delegação de Chefes de Estado da CEDEAO, de retirada imediata das Forças de Defesa e de Segurança (FDS) da estrada de acesso ao hotel onde Ouattara está instalado e mantêm as reuniões com os membros do seu “governo”.
As forças leais a Laurent Gbagbo continuavam na quarta-feira a bloquear o acesso por estrada ao hotel.
O acesso ao hotel está bloqueado desde o passado dia 16 de Dezembro, dia em que os partidários do candidato vencedor das presidenciais fizeram uma marcha até à sede da televisão estatal.
Ouattara já pediu uma intervenção militar internacional no país para retirar Gbagbo do poder.
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), composta por 15 estados da região, que exige a retirada de Gbagbo e ameaçou usar a força, como último recurso, tem em preparação um operação militar.
Os presidentes de Cabo Verde, Pedro Pires, do Benin, Boni Yayi, e da Serra Leoa, Ernest Koroma, integram a delegação da CEDEAO.
Depois de uma guerra civil, que dividiu o Norte e o Sul entre 2002 e 2007, que terminou com os acordos de paz de Pretória, a Costa do Marfim está a um passo de uma nova guerra.
As Nações Unidas, que ao abrigo dos acordos de paz tinham a obrigação de avalizar as últimas eleições, tem um contigente militar de dez mil homens, dos quais 4.500 franceses, na Costa do Marfim.
Há dias, o ONU prolongou por mais seis meses a permanência a missão de capacetes azuis no país africano.