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Angola pode retirar apoio a Gbagbo

O candidato às eleições presidenciais na Côte D’Ivoire Alassane Ouattara vai mesmo ser confirmado vencedor do pleito ocorrido em Novembro do ano passado naquele país, segundo fontes do Executivo angolano que revelaram o facto a O PAÍS.

Segundo as fontes, a retirada do pessoal diplomático angolano naquele país para a República do Ghana não foi de todo inocente, pois enquadrou-se numa estratégia de evitar uma eventual retaliação do executivo de Ouattara, que deverá tomar posse já nesta sexta-feira.

A respeito do assunto, o Bureau Político do MPLA, segundo outras fontes deste jornal, terá reunido para abordar o assunto e a conclusão a que chegou é a de que o apoio de Angola precisa de ser reavaliado.

A reviravolta angolana  deveuse ao facto de a comissão mandatada pela União Africana para resolver o impasse na Cõte d’Ivoire, onde se vivia uma situação de “um voto, dois presidentes”, ter constatado que, efectivamente, Ouattara venceu as eleições presidenciais certificadas pelas Nações Unidas e a União Africana.

Laurent Gbagbo, que reivindica para si a titularidade do poder, se terá mancomunado com a Comissão Eleitoral Independente, para atestar a sua suposta vitória nas eleições de forma fraudulenta.

Estigmas desnecessários  e Governo de unidade

A fonte deste jornal relatou que as autoridades angolanas terão concluído que a aversão em algumas capitais a Alassane Ouattara se terá ficado a dever ao facto deste  ter origem muçulmana, razão pela qual se tentou impedir a sua ascensão ao cargo de Presidente da República.

As fontes de O PAÍS confidenciaram ainda que, provavelmente, deverá vigorar na Côte d’Ivoire um governo de coligação entre os partidários de Gbagbo e Ouattara para se tentar resolver o impasse verificado actualmente naquela nação  da África Ocidental.

Um inútil cortejo de mortes

Desde a prevalência do impasse político na Côte d’Ivoire, a tensão tomou conta daquele país com o registo de confrontos armados entre partidários do auto-proclmado presidente Laurent Gbagbo e o reivindicador Alassane Ouattara.

 Entretanto, Alassane Ouattara pediu ao seu rival Laurent Gbagbo para aproveitar “ a última oportunidade” que lhe oferecem as conclusões do painel da União Africana (UA) para ceder o poder.

« Ao Presidente Laurent Gbagbo, eu gostaria de dizer que é tempo, no interesse superior da Nação, de ele conformar-se com a vontade dos ivoirienses e com as decisões da União Africana, a nossa organização continental », disse Ouattara numa mensagem lançada  terça-feira à noite nas antenas da “sua” televisão.

 “Ele deve compreender que se trata, para ele próprio e para os seus próximos, da última possibilidade para uma saída pacífica e respeitável.

A sua responsabilidade está pessoalmente comprometida”, acrescentou.

Como todos os ivoirienses, Alassane Ouattara declarou-se desejoso de ver a Côte d’Ivoire retomar o seu voo para o desenvolvimento sustentável.

“Por isso, eu peço a todas as partes, ao Presidente cessante, ao Conselho Constitucional, ao Exército e à Administração, para aceitarem esta oportunidade que nos dá a União Africana para sairmos de uma crise que já durou demais”, prosseguiu.

Ele instou igualmente as forças armadas a colocar-se à disposição da pátria, respeitando a vontade  do povo que o elegeu.

Na sua mensagem, Alassane Ouattara confirmou a sua vontade de reconstruir o tecido social dilacerado, através da formação dum Governo de União, como lho pediu o painel da União Africana.  Há cerca de três meses, a Côte d’Ivoire encontra-se numa grave crise devida às eleições presidenciais de 28 de novembro último cuja vitória está a ser disputada por Alassane Ouattara e Laurent Gbagbo.

Este conflito, com seu lote de matanças cegas, mergulha cada vez mais o país no abismo e as populações estão numa confusão total e numa pobreza extrema.


Eugénio Mateus
18 de Março de 2011
09:14
 
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Comentários

  1. jozkaiser
    2011-03-24 13:06:27
    Creio que o governo angolano deverá entoar o "mea culpa". Se o pessoal diplomático saiu de Costa de Marfim é porque se reconhece o papel ambiguo que se desempenhou em relaçäo a este conflicto, colocando-se à margem do parecer das naçöes unidas e da Uniäo africana
  2. nelson lutuima
    2011-03-21 18:03:34
    por mim nunca se devia ter dado apoio à Gbabo,o que o estado angolano alega para a retirada do apoio já eram sabidas, nós (o povo)já tinhamos percebido o que se passava, mas os nossos governantes são experts em meter água, mudaram de ideias agora que Gbabo começou a matar. gostam de se mostrar ao mundo como apoiantes de causas perdidas, primeiro mugabe agora este,so faltava apoiar o Kadafi
  3. Didí José
    2011-03-21 17:10:13
    É de respeitar a actitude da União Africana, num continente em que a grande maioria almeja o poder político, organização como esta precisa estar presente e erguer a sua voz, com vista a botar ordem em casa. Estou de acordo que a decisão tomada seja a mais desejada possível pela grande maioria dos africanos, conforme pode constatar-se. Entretanto, esperemos que os representantes ivoirenses envolvidos, façam acatar o mais valioso interesse dos estados africanos, visando o bem comum e não a satisfacção dos caprichos emocionais. Entretanto, respeitem a paz social, a harmonia, a liberdade e a satisfacção da decisão do vosso povo (o povo ivoirense).
  4. antero goncalves dulo
    2011-03-21 11:43:25
    acho que o mais importante e a paz na Coty de ivoire, bata de banho de sangue, tambem e bom as solucoes vem mesmo dos proprio invoirenses
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