O Petro de Luanda colocou um fim na ditadura militar no basquetebol nacional. Quatro anos depois, os tricolores voltam a festejar a conquista do título nacional, mercê da vitória sobre o Interclube, por 89-79, nesta quintafeira.
A equipa orientada por Alberto Babo surpreendeu todos os prognósticos, incluindo do treinador e da própria direcção que não acreditavam (por isso não assumiu) na luta pelo título esta época.
No ranking dos favoritos o Petro de Luanda aparecia como a terceira equipa, em função da sua prestação nada dignificante na primeira fase da competição.
Os tricolores estiveram à beira de falhar a qualificação para última etapa do BAI BASKET. Lutaram até à exaustão com o Atlético Sport Aviação (ASA) pela quarta vaga.
Mesmo que a equipa de Alberto Babo fizesse parte dos favoritos à conquista do título que não era apesar de toda a sua história -, ninguém atrevia-se a prognosticar esse domínio, que lhes coloca próximo de acabar a competição sem qualquer derrota. Em função desses antecedentes ainda está por se explicar se essa vitória do Petro de Luanda representa já uma maturidade competitiva da equipa tricolor ou apenas uma situação circunstancial.
É certo que na primeira fase da competição os tricolores enfrentaram problemas de lesões, mas nada garante desde já que essa prestação seja resultado do investimento que a direcção do Petro de Luanda tem feito.
Se a vitória do Petro de Luanda é uma surpresa geral, o mesmo se pode dizer em relação à prestação dos militares, tetra campeões nacionais.
Depois de terem ganho a Supertaça, Taça Compal e a Taça dos Clubes Campeões Africanos e a fase regular do BAI BASKET nada fazia prever uma prestação desastrosa, humilhante para os mais exigentes, na final-four, onde ganharam apenas por duas vezes, quando faltam três jogos para o fim da prova.
Uma das explicações dessa prestação pode estar no cansaço dos principais jogadores, como kikas, Ambrósio, Carlos Almeida, Miguel Lutonda e o cabo verdiano Marcos Correia. E a lesão do principal base Armando Costa.
Outras das hipóteses são os problemas no balneário, dentre os quais o pagamento tardio dos salários ou trata-se do fim de um ciclo.
Um melhor diagnóstico fica, entretanto, para a direcção e a equipa técnica do 1º de Agosto. Mais crítica é a situação do treinador angolano Raúl Duarte, que desperdiçou a oportunidade de conquistar o título com o Recreativo do Libolo. Depois de conquistar a Taça de Angola, a direcção do Recreativo do Libolo preparava-se mentalmente para conquistar o BAI BASKET.
Mas a lesão do norte-americano, Regge Moore, na primeira partida da final-four frente ao 1º de Agosto deitou por terra o sonho do Recreativo do Libolo. Sem Regge Moore em campo, o Recreativo do Libolo baixou daniel Miguel assustadoramente o desempenho e complicou o sonho de subir ao palco pela primeira vez.
Libolo assumia-se como principal concorrente do 1º de Agosto, pelo que fez na fase regular da competição.
O Interclube nunca foi tido como favorito principal, apesar da réplica que foi dando ao campeão nacional, 1º de Agosto.
Se os polícias conquistasse o BAI BASKET seria também uma surpresa, pois apesar dos investimentos que a direcção do Interclube fez, nada fazia crer numa vitória do cinco dos bombeiros.