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Crime

Criança de sete anos violada pelo padrastro

Ana Alberto, sete anos, foi violada sexualmente pela quarta vez na amanhã do dia universalmente dedicado as crianças, 1 de Junho, pelo seu padrasto, Marcos José Mendes Miguel, 33 anos, que se encontra às contas com a justiça.

A pequena disse que foi interpelada pelo suposto pedófilo na manhã de Quarta-feira, quando se preparava para ir participar na actividade musico-cultural que decorreria na escola onde frequenta a terceira classe.

“Estava a preparar-me para ir à escola, quando ele me chamou e mandou lhe fazer aquilo que já tenho feito. Recusei dizendo que já estava atrasada, mas mesmo assim ele agarrou-me, tapou a minha boca para não gritar e me atirou na cama”, contou a criança de forma tranquila.

Acrescentou que “depois de ele fazer o que queria, ameaçou me matar caso contasse a alguém o que havia acontecido”.

Apesar de não conseguir precisar o dia nem o mês em que foi abusada sexualmente pela primeira vez, Ana Alberto declarou que tudo aconteceu no período da noite quando a sua mãe, Domingas Esperança Rodrigues, deixou-a em casa, em companhia do padrasto, para ir assistir a novela em casa de uma vizinha.

A vítima disse que ele chamoulhe para ir dormir na cama do casal até que a sua companheira chegasse para não ficar sozinha. Indefesa e sem ver maldade nenhuma, ela aceitou o convite para se sentir segura na escuridão provocada pela falta de energia.

Ela considera que aquela foi a pior noite da sua vida, não só pelo sofrimento que passou no momento da violação, como por ter passado muitas horas em branco por causa da dor que sentia.

Segundo conta, ao notar na manhã seguinte que ela não o havia denunciado, o suposto pedófilo decidiu dar continuidade as suas acções e teve relações sexuais com a criança por quatro vezes. Achando que não seria descoberto, as violações voltaram a acontecer, tanto de dia como de noite. Bastava estarem os dois sozinhos em casa para a menina ser abusada sexualmente.

A mãe da vítima, Domingas Esperança Rodrigues, só se apercebeu que a sua filha havia sido violada na tarde de sábado, 4, ao vê-la a andar com as pernas abertas, como se tivesse ferida. Ao questionar-lhe porque razão caminhava daquele jeito, ela respondeu que tinha oxiúro, vulgo maculo.

“Levei-a à casa de banho para analisar o seu estado de saúde e deparei-me com a vagina dela toda aberta e a escorrer um liquido estranho”, contou a mãe, com um ar de tristeza, acrescentando que procurou saber dela quem a violou. A pequena se recusou a revelar logo de imediato com medo que as ameaças proferidas pelo estuprador fossem cumpridas.

Ao ser informada que o autor da violação era a pessoa com quem partilhava o leito há mais de seis anos, a senhora ficou surpresa e questionoua se não estava a acusar o seu padrasto a mando de outra pessoa. Mas, de forma irredutível, Ana Alberto negou categoricamente esta possibilidade e contou como tudo aconteceu.

Aflita e sem saber o que fazer, Domingas Rodrigues disse que não viu outra solução senão pedir ajuda a duas vizinhas. Como o suposto autor do crime ouviu a criança a contar o sucedido, retirou-a daquele local alegando que queria conversar com ela para saber de concreto quem foi que a violara.

A criança reafirmou as suas declarações iniciais na presença de todos e ele refutou-as, dizendo que estava a ser incriminado e que nunca faria nada de mal a criança que considerava como uma filha biológica.

Domingas Rodrigues justificou a falta de atenção a criança, dizendo que as coisas só se passaram de forma desapercebida porque dizia sempre que tinha maculo e ela se limitava a trata-la de forma tradicional, recorrendo aos métodos que aprendeu com a sua mãe.

“Eu lhe via sempre aberta, mas ela dizia sempre que era oxiúro e, como aprendi com a minha mãe que as mulheres também podem ter este tipo de doença nos órgãos genitais, achei que devia ser mesmo isso e fui simplesmente medicando-a”, declarou a senhora.

O facto da vítima andar de um jeito anormal e estar constantemente molhada, nos últimos dois meses, fruto das violações, levou-a a concluir que tinha um ciclo menstruar irregular.

“Conseguiria dar conta que estava a ser frequentemente violada, se passasse o dia em casa, mas não foi isso que aconteceu porque trabalho como doméstica. Saío de manhã e só volto no fim do dia totalmente cansada”, rematou.

Quando prestava declarações a O PAÍS, na manhã de terça-feira, 7, a pequena queixava-se de fortes dores no corpo. O pai biológico encontra -se em Malenge e ainda não sabia do sucedido.

Detenção do acusado

Assustado com o alvoroço que a informação causou, Marcos Miguel passou a monitorar os passos da sua companheira, procurando saber com quem ela conversava e se havia informado o sucedido aos seus familiares.

“Menti-lhe que não havia contado a nenhum dos meus parentes e ele decidiu que devíamos levar a criança ao hospital nas primeiras horas da manhã do dia seguinte, isto é, Domingo. O que não aconteceu porque levantou-se às 5horas da manhã e disse que iria procurar dinheiro para fazer os exames”, explicou a senhora.

Segundo Domingas Rodrigues, ele regressou à casa por volta das 10 horas da manhã sem dinheiro e, como os seus familiares já lá se encontravam, decidiram ir à Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC) apresentar a queixa-crime.

Acreditando que conseguiria convencer os oficiais da DPIC que se encontravam de serviço no Domingo, 5, Marcos Miguel decidiu acompanhar de forma espontânea.

“O Marcos começou logo a chorar, dizendo que não era e que estava a ser injuriado porque como eu queria me separar dele e não sabia como, mandei alguém violar a minha filha para culpabiliza-lo e conseguir a separação”, disse.

Domingas Rodrigues disse ainda que depois de registarem os depoimentos da vítima e do acusado, os investigadores decidiram decretar a sua detenção, depois de constatarem que havia sido ele quem praticou o crime e encaminharam a criança ao Centro de Saúde Ana Paula, para fazer uma consulta de ginecologia.

O resultado dos exames refere que a menina foi violada várias vezes, o que confirma a informação avançada pela própria vítima.

A mãe da criança manifestou estar preocupada com a possibilidade de o acusado sair em liberdade, por causa das movimentações que os familiares do acusado estão a fazer para o retirarem da cadeia de Viana.

A província de Luanda tem registado, nos últimos dias, muitos casos de violência sexual, envolvendo crianças e adultos. Nalguns dos quais, as vítimas foram mortas. Um dos casos mais recentes, segundo noticiamos na nossa edição passada, é da adolescente Isabel da Costa Diogo, 18 anos, que foi sequestrada, violada e morta no município de Viana.

No relatório dos médicos legistas que fizeram a autópsia consta que a menina teve o pescoço quebrado, foi encontrada com um pau nos órgãos genitais e sinais de ter sido injectada com água de bateria.

Quem também não teve a “sorte” da pequena, Ana Alberto, foi a cidadã Kachingo Mantende, 27 anos, que depois de assaltada, violada e morta, teve o seu corpo atirado num terreno baldio, pelos marginais de modos a dificultarem as investigações.

 

Casal estava em vias de separação

“Se ele só fez isso para se vingar de mim por causa dos problemas que temos, acabou por cometer um grave erro e deve pagar por isso”, declarou Domingas Rodrigues ao tentar explicar a O PAÍS os motivos que levaram o seu esposo a trocá-la pela sua filha.

O casal vivia em permanente conflitos, nos últimos meses, devido as constantes crises de ciúme de Marcos Miguel.

No mesmo dia em que Domingas Rodrigues descobriu o que se passou, estava prestes a separar-se, em função de uma briga que tiveram no período da manhã. “Já tinha tudo arrumado para sair de casa, só não o fiz por ter descoberto o estado em que se encontrava a minha filha”, declarou.

A última briga que o casal teve foi provocada por causa de um contacto telefónico que ele encontrou na bolsa dela. Segundo Domingas Rodrigues, o número pertencia ao médico da sua patroa e ele confirmou isso ao ligar para a senhora.

Ela explicou ainda que não recebeu o número telefónico directamente das mãos do seu proprietário, mas sim da sua patroa que lhe havia solicitado que o guardasse, no momento em que saíam de uma das unidades hospitalares da cidade.

“Ele disse a minha patroa que não queria que eu tivesse telefone por causa dos contactos que tenho, mas ela esclareceu-o sobre o que se passou e mostrou a importância que tinha o telefone para todos nós”, explicou.

Desapontada com o comportamento do seu companheiro, Domingas Rodrigues solicita as autoridades policiais que prossigam com as investigações para que o caso seja remetido ao Tribunal e siga os trâmites normais.

“Do mesmo jeito que ele me considerava como mãe dos seus filhos, companheira e irmã, o mesmo acontecia comigo, mas diante de tal situação, não vejo outra solução a não ser apelar que se faça justiça”, defendeu.

Domingas Rodrigues disse que acreditava cegamente que a sua filha tinha maculo e que não desconfiava do seu companheiro porque ele estava a cria-la desde os seus primeiros meses de vida.

Marcos Miguel é pedreiro e trabalha por conta própria.

O casal, que vive numa casa arrendada, tem dois filhos juntos, de cinco e dois anos. Cada um deles tem filhos de anteriores relacionamentos.

Paulo Sérgio
10 de Junho de 2011
15:59
 
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Comentários

  1. Felisberto António
    2011-06-17 08:51:45
    O senhor, Marcos Miguel deve permanecer durante muito mas muito tempo na sela, por dar cabo da honestidade desta bela criança não teve a moral de pensar que uma criança precisa do carinho de um pai e duma mae, não de um estrupador de crianças indefesas este tipo de pessoas merecem morrer não estar presos.
  2. Jose
    2011-06-15 15:36:47
    pra que isso meu Deus ela apenas tem 7 anos o que ele fez é matar um anjo que nao sabe de nada ... espero que se faça justiça
  3. Laércio
    2011-06-14 19:14:06
    Espero que a justiça seja feita...Embora não estar muito seguro, por eu ter muitas dúvidas sobre o grau de seriedade que estará a ser conduzido o processo em questão (Caso Ana Alberto). - Afamília de Ana Bela precisa de apoio de todas as Instituições, nomeadamente Mistério da Família, Ministério da Educação, Ministério da saúde e em especial um grande acompanhamento do Ministério Público...FAÇAM ALGUMA COISA...O CASO CHOCOU-ME MUITO...
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