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Desalojados do Hoji-Ya-Henda invadem casas no Zango IV

Os desalojados da comuna do Hoji-Ya-Henda, município do Cazenga, em Luanda, entraram à força nas casas amarelas da Quadra Jota (Q.J) do Zango IV, na noite de Sexta-feira, 10. A atitude dos ex-moradores da rua Ngola Kiluanje deveu-se, segundo eles, às condições menos condignas das casas verdes da Quadra Gê (Q.G), pertencentes ao mesmo foco habitacional. O facto de alguns vizinhos seus terem sido seleccionados para ocupar algumas casas da Q.J também contribuiu.

“Nós vimos que as condições das casas onde nos meteram não eram boas e algumas pessoas que vieram connosco estavam a ser colocadas nas casas amarelas, resolvemos também entrar nessas residências, para estarmos num lugar mais agradável”, disse Benoni Fuxi Adolfo Gamboa, adiantando que ele e a sua família não temem qualquer retaliação, porque foram enganados pelos dirigentes.

Para abrir as portas das habitações em causa, os sinistrados serviramse das chaves dos contemplados e de outros meios que não aceitaram revelar, adiantando apenas que encontraram algumas portas semiabertas.

Fuxi Gamboa, como prefere ser tratado, revelou que, aquando do registo no Hoji-Ya-Henda, os responsáveis pelo cadastro haviam garantido transferir o pessoal para o Zango III, onde ele e seus vizinhos encontrariam água e luz. Para seu espanto, na tarde de Sexta-feira, 10, a sua delegação foi desviada para o Zango IV, tendo-se deparado com condições por si consideradas como limitadas, ao ponto de ressaltar a falta de reboque das paredes do interior das habitações.

 “Até a instalação externa foi feita no mesmo dia”, acrescentou, para fazer perceber o improviso dos obreiros destacados no local. Denunciou ainda que os electricistas nem sequer recolheram o resto dos fios e de outros materiais usados.

Desde o dia da ocupação que os novos inquilinos têm sido alvos da visita de supostos fiscais, que os aconselham a abandonar o local, para não incorrerem ao risco de uma retirada compulsiva. Estes alegam que as estão ocupadas. “Se as casas tivessem donos, até a essa altura, os proprietários já viriam reclamar sobre a nossa permanência”, cogitou Fuchi Gamboa, certo de que os homens da administração vão usar qualquer mentira para os convencerem a sair das residências.

Sobre o destino de seus vizinhos estacionados na referida área, de forma legal, Fuxi Gamboa disse não entender como é que eles tiveram tal privilégio. Por isso  avança a desconfiança baseada no nepotismo ou na corrupção, por parte dos elementos do realojamento.

“Eu acho que deram ‘gasosa’ para virem calhar aqui ou fizeram amizade com os responsáveis”, acusou a senhora.

De acordo com a documentação exibida pelos pais de Fuxi Gamboa, a sua família teve direito a cinco casas na Quadra Gê, uma oferta que visou compensar a dimensão do imóvel onde viviam no Hoji-Ya-Henda.

Fina Tchongo Fuxi, mãe de Gamboa, considera que a compensação se ajusta minimamente do ponto de vista quantitativo, não podendo dizer o mesmo em termos qualitativo.  “Eu não estou a reclamar pela quantidade de casas que me deram, mas pelas qualidades em disposição nas mesmas”, confirmou a senhora que tinham  a sua residência no HojiYa-Henda toda ‘mosaicada’, com tecto falso e ar condicionado.

Fina Fuxi conta ainda que, na hora do carregamento dos haveres, foi impedida de colocar as suas mobílias, porque os registadores garantiram terem preparado outro destino equiparado ao da casa onde vivia com os seus familiares. Por causa disso, algumas mobílias não chegaram ao local.

 Outra memória marcante teve a ver com a maneira como a equipa do realojamento os submeteu a desenrascarem-se, depois de atribuídas as chaves.

“Já era noite, quando eles nos entregaram as chaves numeradas e nos obrigaram a procurar, na escuridão, as casas cujos registos correspondiam com os recebidos”, queixouse-se, informando que, por azar, encontrou a porta 267 da Q.G com duas fechaduras.

 Nessa altura, seu filho anuncioulhe sobre a passagem clandestina de algumas pessoas para o outro lado da estrada. Aflita e preocupada com o abrigo para seus agregados, dona Fina aderiu à intenção do filho mais velho de conseguir uma casa na Quadra Jota.

“É assim que nós viemos, encontramos duas portas abertas e ocupamos as casas”, disse, tendo explicado que, mesmo assim, uma parte da família teve de voltar para as casas verdes.

Por causa disso, ela espera conseguir mais uma casa, na referida quadra, a fim de se ver minimamente compensada.

“Anunciaram-me um sítio confortável e ajustado à minha família, agora querem-me meter em casas ruins, quando sabem que não me tiraram de uma casa de chapa ou de pau-a-pique”, atirou, chamando atenção aos dirigentes do país para serem mais justos com a população.

Questionada se tem consciência de que a ocupação foi feita de forma ilegal, a ex-moradora da rua Ngola Kiluanje consentiu, dando a conhecer que, dois dias depois, foi a administração do Zango participar sobre a sua preferência. À semelhança de Fuchi Gamboa, ela colocou a possibilidade de ter havido negócio no critério de selecção. Acredita mesmo que as casas amarelas já estavam destinadas para eles, porque alguns moradores do seu bairro foram contemplados nesta parte.

A maioria dos seus foram colocados na Quadra Jota e outras sete famílias apenas se achavam perdidas nas casas verdes.

Fina Fuchi descartou ainda a possibilidade de as casas já possuírem proprietários, como dizem os fiscais que lá passam, socorrendo-se do facto de as mesmas não estarem enumeradas.

Um casal encontrado nas casas verdes não escondeu o desejo de passar para a Q.J, no momento em que a maioria se decidiu assaltar as residências, mas, atendendo ao factor saúde, manteve-se no local.

“Eu também queria arrombar a porta de uma casa, mas a minha esposa me pediu para esperarmos que os próprios dirigentes nos transferidos”, confessou, revelando que a sua mulher se encontra no segundo mês de gravidez.


Alberto Bambi
17 de Junho de 2011
12:13
 
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Comentários

  1. Muron Zoth João
    2011-06-21 12:41:51
    É complicado. Não há necessidade do povo viver nestas condições. As tais "casas" já nem são essas coisas também. Faltando mais água e energia...quando retornarem as chuvas demolidoras?...será a treva
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