Moradores do Jardim do Éden, no Kilamba Kiaxi, manifestam-se agastados pelos consecutivos incumprimentos contratuais e péssimas condições existentes em algumas moradias deste projecto habitacional.
Fontes que O PAÍS teve acesso explicaram que existem muitos problemas no condomínio, desde os técnicos aos financeiros. Existe um grupo de moradores que pagaram residências cujo valor rondavam entre 105 mil dólares há cerca de três anos, moradias estas que previam ser acompanhadas de um anexo nos seus quintais.
Em alguns destes casos, como confirmou um morador que preferiu o anonimato, a administração do projecto, encabeçada pelo presidente da Ridge Solutions, José Ramos, prometera o reembolso de 17 mil dólares se os respectivos anexos não estivessem feitos até ao limite dos prazos contratuais estabelecidos entre a imobiliária e os clientes.
Passados três anos, um dos inquilinos, que está a viver no projecto desde 2009, ainda não recebeu o valor fixado em caso de incumprimento de contrato da parte da Ridge Solutions, entidade que projectou o referido complexo habitacional.
“Pediram-nos várias cartas, mas até hoje nunca recebi nenhum tostão. Sempre que os confrontamos, eles apresentam uma resposta diferente. Dizem apenas que estão a ver o assunto”, garantiu uma fonte, que tem vários colegas na petrolífera onde funciona quem ainda não receberam as residências que pagaram há anos.
Um dos jovens que contactou este jornal contou que o maior problema não é a não construção do anexo, mas sim o facto de a rua das Alamedas onde estão a viver inundar frequentemente na época chuvosa.
Entre os meses de Outubro e Novembro do ano passado mais de 10 casas desde imponente complexo residencial ficaram completamente inundadas, tendo a água atingido uma altura de 40 centímetros.
“O presidente José Ramos e os seus responsáveis financeiros, comerciais e jurídicos visitaram a área para constarem os problemas existentes.
Prometeram uma indemnização pelos bens estragados, algo que chegaram a cumprir, embora os valores tenham sido irrisórios”, contou outro morador.
A solução paliativa encontrada pelos construtores do Jardim do Éden foi a inclusão de um tampo metálico nos portões sempre que chovesse, ao contrário da construção de um verdadeiro sistema de drenagem das águas pluviais. Mas os problemas agudizaram-se porque, além da água que vem de fora, outra quantidade considerável de água entra pela canalização das residências.
Uma outra senhora, que também preferiu o anonimato, que assinou contrato com a Ridge Solutions em 2006 e recebeu a casa três anos depois, conta que “convenceram-nos a receber a casa, mesmo não estando completa, prometendo que iriam acabar a obra mesmo com ela ocupada”.
Quando entrou na residência, a senhora encontrou várias coisas por se acabar, incluindo a piscina que pagou antes de entrar definitivamente no projecto.
Segundo ela, o responsável pelo Jardim do Éden, na altura, esforçouse bastante para resolver o problema, pediu alguns empreiteiros que fossem ver a piscina e dessem um orçamento.
“Esses orçamentos não foram aceites. O engenheiro estava de mãos atadas, esgotou todas as possibilidades”, acrescentou a fonte, revelando que “vazia, exposta ao sol e à chuva, a piscina acabou por se deteriorar, sendo necessário fazer um trabalho de fundo para recuperá-la”.
Completamente desolada, a fonte adiantou ainda que “ela e a família” estão a fazer “grandes sacrifícios para podermos pagar o empréstimo com altos juros que pedimos ao banco”.
Há vários anos que alguns tentam encontrar-se com o presidente da Ridge Solutions, José Ramos, que tem estado inacessível apesar das inquietações que vivem muitos dos indivíduos que aderiram ao projecto habitacional Jardim do Éden.
“É inadmissível e uma aberração ter de pedir à Ridge Solutions que conclua uma obra pela qual já foram pagos, como se fosse um grande favor que me estão a fazer! Eles assinaram o contrato, receberam o dinheiro, se neste país existe justiça, vão ter que cumprir”, desabafou a fonte, alertando que “ a Ridge Solutions está a ser uma grande fraude. Diz que não tem dinheiro, o que aconteceu ao dinheiro que lhe foi pago na totalidade pela minha obra?”.
Alguns moradores e outras pessoas que pagaram mas não receberam as residências recorreram ao Instituto Nacional de Defesa do Consumidor para reverem os milhares de dólares que reembolsaram ou terem acesso ao tecto que sonharam.
O PAÍS contactou inicialmente por telefone o presidente da Ridge Solutions, José Ramos, mas este não o atendeu. Do mesmo modo não respondeu a mensagem que lhe foi enviada sobre as inquietações dos moradores do Jardim do Éden.
Contactado por este jornal, o engenheiro Nataniel, que nos foi indicado como ligado ao projecto, respondeu apenas que “ é director de uma empresa que presta serviço ao Jardim do Éden”.
A jurista e técnica do gabinete de apoio da directora do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), Jandira VanDúnem reconheceu a recepção de inúmeras cartas de moradores insatisfeitos com as condições encontradas no projecto Jardim do Éden.
Alguns deles reclamavam sobre a falta de electricidade, saneamento básico, água e Dani Costa não acabamento das residências.
Apareceram dois casos polémicos relacionados com duas senhoras que, apesar de terem pago há 4 anos, não receberam as casas que tinham direito.
“Graças à intervenção do INADEC as senhoras receberam as casas, mas mesmo assim ainda existem muitos descontentes”, sublinhou Jandira Van-Dúnem.
A causídica aconselha os moradores a criarem uma associação para que outras questões possam ser dirimidas no tribunal. Ela espera ainda que outras pessoas que ainda não manifestaram as suas preocupações possam fazê-las em breve.
“É preciso que as pessoas se manifestem, formalizem as suas queixas no INADEC independentemente as preocupações que levam aos jornais”, rematou Jandira Van-Dúnem.