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‘Angola tem muito a aprender com o Quénia’

O empresário angolano Serge Mankwe admitiu, esta semana, em Nairobi, haver grandes oportunidades para que se estabeleçam relações de negociações entre empresários de Angola e da República do Quénia.

Serge Mankwe, director do grupo empresarial Jodisa, fez estas declarações à margem da visita efectuada por um grupo de empresários angolanos àquele país do Este de África, promovida pela companhia aérea Kenya Airways com o objectivo de aumentar o número de clientes na rota Luanda/Nairobi.

Segundo o empresário, com o lançamento da referida rota que aconteceu em Agosto do ano passado, abrem-se também novas oportunidades para que se desenvolvam parceiras entre angolanos e quenianos e trocas comerciais em vários ramos. “O desenvolvimento acontece através da abertura de novos caminhos. Quando abre uma estrada, nela segue o desenvolvimento. A ida da Kenya Airways a Angola é um caminho, uma estrada que foi criada. Tem que haver desenvolvimento nesta rota”, disse.

Para o empresário, é necessário que se continue a promover trocas comerciais inter-africanas, isto é, entre países africanos, considerando que o Quénia é um país com o qual Angola tem muito que aprender.

“O Quénia, por exemplo, tem uma grande cultura a nível da prestação de vários serviços”, disse, referindo que a sua empresa identificou áreas nas quais pode estabelecer relações de parceria neste país.

Serge Mankwe apontou ainda como exemplo o grande trabalho desenvolvido no ramo agro-pecuário, o que permite ao Quénia se autosustentar e até exportar produtos agrícolas a países da Europa e doutros países do mundo.

“A agricultura aqui no Quénia está bem desenvolvida. Tem uma integração industrial forte. Não só fazem agricultura, mas desenvolvem o processo completo, até a exportação, chegando mesmo a fornecer produtos à Europa. Podemos aprender muito com eles nisso”.

“O Quénia é um país de muita cultura. Um país africano com verdadeiros africanos. Um país que levanta bem alto a bandeira africana. O nível de serviço e de educação que o Quénia tem é comparado ao de países que estão fora deste continente. Não vamos fazer comparações, mas posso dizer, sem dúvidas, que estão bem em cima, bem longe”.

Na opinião do empresário, Angola deve mandar quadros nacionais para aprender com técnicos quenianos.

“Eles também estão abertos a enviar pessoas ao nosso país para ensinar.

Vamos ver quais são as possibilidades”, disse, referindo ainda que o Quénia pode também se tornar em mais um país africano que sirva para Angola como mais um fornecedor de produtos agrícolas frescos.

O director da Jodisa fez considerou ainda que o balanço da visita ao Quénia promovida pela Kenya Airways foi muito positivo. “Em uma semana pudemos identificar produtos que poderão ser de interesse no mercado angolano”.

“É preciso que haja contactos”

Serge Mankwe admitiu que existem poucos contactos entre empresários dos dois países, apontando a necessidade de se fazer reforços neste domínio.

O empresário considerou que o Quénia, assim como a África do Sul, têm sido privilegiados pelas muitas multinacionais que investem na região Austral de África, razão pela qual os angolanos devem se preocupar em estabelecer contactos com os empresários destes países.

“Se os empresários quenianos não têm contacto noutros países da sua região, é muito difícil para eles fazer negócios. E quem perde somos nós, já que há projectos que também podem ser desenvolvidos por nós, há verbas, mas não há contactos. Eles não sabem com quem falar e nós nem sabemos que há estas oportunidades aí abertas”.

Com a abertura da linha aérea entre Nairobi e Luanda, referiu, há que aproveitar também o negócio do frete, já que a Kenya Airways voa para muitos destinos do mundo. “Tanto podemos importar produtos produzidos aqui no Quénia como exportar produtos de Angola para este país e outros que fazem parte da rota desta companhia”.

De referir que a Jodisa é grupo empresarial de direito angolano, inserida no mercado desde 1997. Trata-se de uma agência de comunicação que, em geral, trabalha na imagem das empresas, nas suas estratégias de posicionamento no mercado e na execução dos seus projectos. Entretanto, está na área da comunicação apenas desde 2005. “Estabelecemos a estratégia, posicionamos a empresa de uma forma global a partir da estratégia, o plano em execução dos vários projectos de relações públicas, publicidade, realização de eventos, programas de responsabilidade social, etc.”, explica o seu director geral.

A empresa esteve também envolvida no processo do lançamento da rota Nairobi/Luanda pela da Kenya Airways em Angola, tendo feito a concepção dos seus escritórios em na capital de Angola. “No futuro vamos estabelecer um plano de desenvolvimento da marca e do negócio deles no nosso país”.

Para além do representante da Jodisa, fizeram parte da viagem promovida pela Kenya Airways empresários ligados aos ramos de viagens, turismo e doutros ramos. Mustaphá Dramé, líder da agência de viagens e turismo Top 10, considera que, para além de ser um excelente destino turístico, o Quénia oferece também bons serviços de educação e saúde, podendo se tornar em mais uma opção para os angolanos que buscam por tais serviços fora do continente africano.

Companhia cresce em Angola

A Kenya Airways voa a Angola desde o dia 17 de Agosto de 2010, com dois voos semanais, as terças e as sextas-feiras. O preço do bilhete para a rota Luanda/Nairobi/Luanda custa 955 dólares, incluindo as demais taxas.

Caroline Dunaiki, delegada da companhia aérea em Angola, refere que o negócio em Angola tem estado a crescer, já que a rota tem sido cada vez mais solicitada por muitos angolanos que querem visitar este país, assim como conectar-se via Nairobi para os demais destinos em todo mundo, onde a Kenya Airways viaja.

A responsável informou que os motivos que mais levam angolanos a viajar para o Quénia têm a ver com negócios e turismo, mas que Nairobi é também um centro muito importante para voar para o Extremo Oriente e para a Europa.

“A Kenya Airways tem uma rede muito extensa no leste de África.

Muitos comerciantes fazer uso da conexão via Nairobi”, disse.

Vladimir Prata no Quénia
5 - 7 -2011
 
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