| info@opais.net
Muito nublado
Luanda
Clique para aceder á Revista
RSS

Reportagem

Vila do Bailundo cria novos lugares de interesse turístico

A vivenda onde viveu o primeiro líder da UNITA, Jonas Savimbi, no município do Bailundo, no Huambo, bem no centro da Vila, poderá ser transformada em área turística, a julgar pela curiosidade e interesse que desperta a todos aqueles que se deslocam à região, soube O PAÍS junto do administrador em exercício Calisto Cesário.

Ao comemorar 109 anos desde que ascendeu à categoria de vila, o Bailundo está a apresentar-se com outra imagem, depois da guerra que viveu.

As marcas da guerra estão, aos poucos, a desaparecer e hoje aquela localidade nada tem a ver com o passado.

O Bailundo sofreu muito com a guerra e ainda hoje são visíveis os traços do conflito armado. Casas, infra-estrutura diversas, estradas , quase desapareceram devido à “fúria” das bombas, mas o cenário está a mudar para melhor.

Novas infra-estruturas estão a ser erguidas. As estradas esburacadas e paredes marcadas pelo impacto das balas estão a desaparecer para dar lugar a uma cidade, cujo povo, alegre, acolhedor e trabalhador não vira a cara à luta pela sua reconstrução.

Sob o lema “Uma nova era de olhos no futuro” a vila fundada pelo Rei Katyavala I e agora sob o reinado de Ekuikui IV tem como perspectiva um futuro melhor para os seus munícipes. A falta de emprego, energia e água e o relançamento da economia são os desafios do executivo do administrador em exercício Calisto Cesário, que reconhece ter a obrigação de facilitar para que os cidadãos tenham uma vida digna.

Para além da euforia das festas, que vão decorrer até 31 de Julho, com a realização de várias actividades músico-culturais e uma mini feira agropecuária, a preocupação é prestar um serviço aos munícipes da vila, pois como disse o administrador, “temos nove anos de existência para lá dos cem anteriores”.

Prosseguindo o seu raciocínio, o responsável afirmou que “temos muito trabalho pela frente e só teremos frutos se a população participar de forma activa”.

A falta de uma instituição do ensino superior, de unidades fabris e a transformação das fazendas em campos de produção agrícola é outra das preocupações que aflige a gestão do município, que sobrevive graças aos pequenos investimentos públicos e privados. Os jovens, por falta de emprego, muitos deles enveredam pelo uso excessivo de bebidas alcoólicas. Outros ganham a vida como “Kupapatas”, os chamados mototaxistas, que fazem o transporte dos cidadãos durante o dia inteiro.

Crescimento é um facto

O crescimento demográfico e a densidade populacional da vila do Bailundo são um facto a registar. Actualmente existem oito escolas do I, II e III níveis, também uma escola Préuniversitária e mais 60 escolas provisórias cobertas de capim.

Um total de 45.320 alunos estão inscritos no sistema de ensino contra 26.134 que aguardam enquadramento no sistema educativo, um desafio que a administração pretende resolver. O índice de analfabetismo no município do Bailundo, segundo dados da Repartição de Educação, ronda os 60%, uma cifra que tende a reduzir com o enquadramento de mais professores e construção de mais salas de aulas nas cinco comunas do município.

Calisto Cesário disse que o objectivo é colocar uma instituição de ensino superior na municipalidade.

“O município nunca teve uma instituição do ensino superior. Se conseguirmos, será um grande avanço, pois veremos reduzido o número de jovens que se deslocam à cidade do Huambo e a outras províncias para frequentar o ensino superior”. No sector da Saúde, existe um hospital de referência e cinco postos médicos, o que é exíguo para a demanda populacional.

“O nosso objectivo é termos um hospital de referência em cada comuna para podermos dar respostas imediatas aos casos de doenças que vão surgindo na região”, afirmou o administrador em exercício do Bailundo.

O paludismo, doenças diarreicas e a tuberculose são as doenças que mais preocupam os serviços de saúde, para além do VIH/Sida, com uma taxa de prevalência (casos existentes e que possam surgir) de 1.6 por cento, segundo informações prestadas pelas autoridades sanitárias locais.

Quanto a energia e a água, os munícipes do Bailundo têm visto este serviço a melhorar substancialmente. O programa do Executivo denominado “Água Para Todos”, já permite que a população beneficie de água potável das sete às nove horas da manhã de cada dia, isso na sede do município.

“Temos ainda problemas com a energia. A capacidade de produção de energia ainda não é satisfatória para a população. Tanto a iluminação pública como a domiciliária ainda é precária, dai alguns cidadãos fazerem o uso regular de geradores”.

Segundo o administrador em exercício, o problema poderá brevemente conhecer um desfecho positivo quando entrar em funcionamento a Barragem do Ngove, que, na sua óptica, vai melhorar a situação na região.

 

Unidades fabris precisam-se

Apesar dos 109 anos de existência, o desenvolvimento na Vila do Bailundo é ainda muito tímido. Cerca de um por cento da população está empregada na Função Pública e em estabelecimentos privados, o que denota a necessitada de surgimento de unidades fabris e de empresas de grande porte.

Enquanto isso, 99% da população, estimada em 237.160 habitantes, dedica-se à produção agrícola, devido ao vasto recurso hídrico e ao clima predominante tropical e húmido que favorece à actividade agro-pecuária.

O município é banhado por onze rios, entre eles o Keve, Cutato, Cupassi, Cuvira, Cungamua, Curindi, Culele, Cucai, Kusso, Luvulu e Chitonga, que permitem à prática da agricultura e da pecuária.

As vastas fazendas antes abandonadas, hoje estão a retomar as suas reais funções na produção de hortícolas, tubérculos e verduras. A criação, em grande escala, de gado bovino e caprino, aos poucos, vai dando vida ao mercado local e nacional.

A agricultura é o cartão-de-visita do centenário município do Bailundo, pois produz com abundância as batatas doce e rena, feijão e milho.

Mas, a maior riqueza ainda está no subsolo, por explorar.

A terra é rica em vários minerais e inertes, que, segundo o administrador, o que mais abunda no subsolo é o ferro, o magnésio, o bário e o diamante. Este último já é explorado clandestinamente e de forma artesanal, sem o aval das autoridades locais.

As principais riquezas aguardam pela exploração para dar um salto qualitativo e quantitativo no desenvolvimento do município potencialmente mais rico da província do Huambo.

Bailundo de Katyavala e Ekuikui

A história regista que o apogeu do Reino do Bailundo se deu durante o reinado de Ekuikui II, de 1876 a 1890.

Mas, foi o Rei Katyavala I que fundou o reino, vindo das terras do Kwanza Sul com sua a família, quando habitou nas cercanias das montanhas de Halavala.

Antes do Século XVII, o reinado manteve-se à margem do domínio colonial. Só por volta de 1770/71 é que Portugal se instalou no Reino do Bailundo com a presença de um juiz.

Em (1885) a colónia portuguesa já estava representada no reino com um capitão-mor.

O rei Ekuikui II teve o cariz de diplomata exímio. Ousou evitar a guerra e incentivou a prática da agricultura na população, e durante o seu reinado o Bailundo não enfrentou grandes guerras. É depois da sua morte que sugiram as grandes guerras que culminaram com a subjugação do Bailundo e de toda a região do Planalto Central, isso em 1902.

Nesse mesmo ano foi criado o Posto do Bimbe, no dia 16 de Julho. Depois o reino deixou de ser Bailundo e denominou-se de Katapi e posteriormente Vila Teixeira da Silva Actualmente, o município do Bailundo conta com cinco comunas, Bailundo, Bimbe, Hengue, Lunge e Luvemba ocupando uma superfície de 7.065 quilómetros quadrados.

Possui 573 aldeias e 79 Ombalas.

No território do Bailundo, abundam várias cadeias montanhosas das quais se destacam as de Lumbanganda, Chilono, Nity e o morro do Halavala, onde jazem os restos mortais dos reis Katyava e Ekuikui símbolos da resistência anti-colonial na região do Planalto Central.

Unidade hoteleira quase pronta

Uma unidade hoteleira com capacidade para 25 quartos, salão para festas, salas de reuniões e restaurante, está a ser construída no Bailundo.

O empreendimento pertence ao Grupo Catitto que está apostado em investir na municipalidade, onde, para além de estar engajado na reabilitação de estradas, também possui estabelecimentos comercias.

Devido ao fraco desenvolvimento do Bailundo, a actividade turística e hoteleira ainda é muito tímida. Apenas quatro hospedarias prestam serviços de alojamento aos visitantes, duas delas estão encerradas.

As estradas que ligam o município do Bailundo aos municípios e vilas do Huambo, Lombuimbale, Alto Hama, e Mungo estão bem asfaltadas, excepto 30 quilometro da via BailundoCatchiungo .

A actividade comercial ainda é de subsistência, pois as cantinas e mini mercados, assim como as lanchonetes, muitas improvisadas, exercem a actividade comercial de subsistência para minimizar a carência de bens e serviços da população.

O poder de aquisição de bens e serviços pela população é fraco, devido à escassez de verbas e à pouca circulação monetária. Os serviços bancários só há dois ano e meio se fazem presentes na sede do município.

Os bancos BPC, Sol e BIC são as três agências disponíveis para atender os munícipes.

João Manuel No Bailundo
25 - 7 -2011
 
0
 
 
 

Newsletter



Subscreva tambem a newsletter da Exame

Capas da edição nº 281

 
 
 
Assine OPaís Online