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Contágio de VIH a alunos em Luanda não passou de boato

Na sexta-feira passada, os alunos do ensino geral entraram em pânico em Luanda ao ouvirem que meia centena de pessoas portadoras do vírus da Sida estava a infectar estudantes em algumas escolas.

O boato espalhou-se por quase toda a cidade, causando medo aos alunos que preferiram não ir à escola com receio de serem contaminados.

Em muitas escolas de Luanda, a ausência dos alunos foi notória na semana passada. Na escola Rei Mandume, na Vila Alice, a luta entre dois “roboteiros” na porta da escola fez com que os alunos se metessem a correr de um lado para o outro.

Na Rei Mandume, o alvoroço era tanto que os professores não conseguiram controlar a situação. O corpo docente mesmo sabendo que era um falso alarme também não se conteve.

No largo das escolas, a situação foi ainda mais grave. O número de estabelecimentos que o espaço congrega criou condições para que o boato se espalhasse. A ausência dos alunos foi notória. Os que compareceram estavam atónitos.

Anastácio Manuel, professor de Inglês no N’gola Kanini, fez saber que o boato atrapalhou o curso normal das aulas na passada sexta-feira, sendo que alguns alunos nem sequer entraram nas salas.

Mesmo com a presença da Brigada de Protecção Escolar (BPE), os estudantes estavam inseguros, porque muitos tinham noção do perigo que corriam, segundo o professor de língua inglesa.

De acordo com Manuel, os boatos têm muita força, mas, pelo que se sabe não houve provas de que algum estudante tenha sido picado por algum portador do vírus em Luanda.

No Juventude em Luta, Pedro Ferraz professor de Educação Física, esclareceu que os alunos não se fizeram ao campo para cumprir mais um dia de aulas devido ao pânico que se vivia.

A onda de medo assustou de tal forma os alunos que não tivemos como os controlar, afirmou o docente de educação física que preferiu dispensá-los mais cedo.

A Polícia Nacional foi mais actuante, mas é provável que no turno da noite terão comparecido poucos estudantes, mesmo sendo adultos, frisou o professor.

André Soma desmente

O director provincial da educação de Luanda, André Soma, desmentiu nesta segunda-feira a ideia de que haveria portadores do VIH SIDA a infectar alunos nas escolas.

Soma disse que o boato que circulou por Luanda foi para sabotar todo o sistema de ensino na província, mas tudo foi travado a tempo graças, a intervenção da Polícia Nacional.

Segundo o responsável, a direcção provincial não recebeu nenhuma queixa de que algum aluno foi picado. A segurança foi reforçada para evitar que situações como essas voltem a acontecer.

André Soma pediu também que os encarregados controlassem mais os seus educandos, porque educar não é um processo isolado, pois depende de vários sectores e um deles é a família.

Na escola os regulamentos devem ser cumpridos, mas os alunos as vezes não o fazem.

O passe de identificação deve ser Soma diz que tudo não passou de boato JaCInto fIgueIredo Elizabeth Rank Frank, a Polícia de Luanda promete mais vigilância JaCInto fIgueIredo exibido, os seguranças devem ser mais educados e exigentes, de modo que cada um cumpra com o seu papel. No que concerne aos desmaios, Soma referiu que está a decorrer uma investigação para apurar os infractores, pelo facto de serem pessoas de má fé a espalhar gás tóxico em algumas escolas.

Soma fez saber que várias escolas foram alvo dessas práticas, que também têm causado alguma desconfiança aos pais que têm tido alguns receios em manter os seus filhos nesses estabelecimentos de ensino.

Comandante tranquiliza

A comandante Provincial da Policia de Luanda, Elizabeth Rank Frank afirmou que nos próximos dias será redobrada a segurança nas escolas de Luanda para diminuir a delinquência.

A comandante provincial referiu que a presença da Brigada de Protecção Escolar é importante nas escolas, mas cada sector tem a obrigação de cumprir a sua parte.

De acordo com Elizabeth Rank rank, a Brigada de Protecção tem de agir nas situações mais graves.

Quando ocorrem furtos nas cercanias da escola.

A comandante provincial reconhece que o efectivo da Brigada de Protecção Escolar é reduzido para dar resposta aos problemas que as escolas apresentam diariamente.

Nos próximos dias, a brigada terá um incremento em efectivos para cobrir os estabelecimentos escolares, visto que a Brigada conta somente com 400 efectivos, número insuficiente para dar resposta às solicitações.

A comandante sugeriu que as escolas deveriam adaptar-se às novas realidades. “Elas deviam ter câmaras de vigilância para controlar os movimentos dos estudantes no pátio”.

O encontro com a Delegação Provincial da Educação serviu para traçar medidas e trocar ideias sobre a segurança nas escolas, facto que preocupa os encarregados de educação, segundo Elizabeth Rank Frank.

Caixão vazio nunca existiu

É ponto assente que quem nasceu e cresceu em Luanda nos finais da década de 80 e princípios dos anos 90 ouviu falar, mas nunca viu os grupos Caixão Vazio e Mão Preta na sua escola.

Nesses anos, o boato do Caixão Vazio circulou em todas as escolas de Luanda, causando medo aos estudantes e professores que na altura não sabiam como se defender.

A fama dos hipotéticos meliantes era de que violavam e matavam docentes e alunos sempre que tomassem de assalto as escolas, factos que nunca foram confirmados.

Era frequente dizer-se que sempre que o grupo assassinasse uma professora fixava os seios delas no quadro.

A actuação dos mesmos provocava pânico no seio dos alunos, que resultavam em ferimentos de alguns destes para se escaparem do perigo.

Uns atiravam-se do edifício abaixo, quebrando uma perna ou uma mão.

Por outro lado, o boato do grupo Mão Preta também circulou pelas escolas Luanda, mas sem muito impacto.

A hipotética presença do grupo causava tumulto nas escolas, por ter como lema escrever nas paredes das salas de aula “Mão Preta passou por aqui e estará de volta na próxima semana”. o que criava pánico, mas tudo não passava de fantasia da época, para atrapalhar o curso das aulas.

Sebastião Félix
25 de Julho de 2011
11:26
 
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