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Cidade do Kilamba

Kilamba: preços assustam cidadãos

O arranque do processo de venda das casas da Cidade do Kilamba gerou um grande descontentamento na maioria dos cidadãos, ávidos por conseguir um tecto. Razão: os preços estipulados para as habitações, que oscilam entre os 125 e os 200 mil dólares. Na ronda efectuada pela loja situada na rua Raínha Njinga, a reportagem de O PAÍS conversou com algumas pessoas que desde as primeiras horas do dia acorreram àquele local com o intuito de se habilitarem à compra de um fogo habitacional.

Marcado por uma grande avalanche de pessoas em torno dos quatro postos criados para esse efeito, a expectativa da maior parte das pessoas foi baixando à medida que tomavam contacto com os valores das casas.

Os cidadãos ouvidos por O PAÍS foram unânimes em apontar que, para a maioria dos pretendentes, o desejo de uma casa própria esbarrou nos preços que, na verdade, constituem o principal obstáculo para remeterem os pedidos de compra.

Depois de se inteirar das formalidades bem como das modalidades de pagamento, Hélder Cardoso, 30 anos, funcionário público, mostrouse surpreendido pela negativa, por considerar altos os preços das casas, alegando que estão longe do alcance da maioria dos angolanos.

“Esperava que o preço mais elevado fosse de 125 mil dólares, agora esse é o valor mínimo. Isto fica bastante complicado”, disse o funcionário que depois de se familiarizar com os preços , desistiu da casa para morar e preferiu antes candidatarse a um espaço para a implantação de um espaço comercial.

Hélder Cardoso aponta que o modelo ideal para a Cidade do Kilamba seria a venda resolúvel, por entender que é o que mais garantias oferece, cujos pagamentos podem ser executados pelo menos num prazo razoável de 20 a 30 anos. Em função dos preços, o interlocutor de O PAÍS não se coibiu em afirmar que “os angolanos ainda estão longe de resolver o problema da habitação. Olhando para o salário da função pública e mesmo para as ditas grandes empresas, acredito que sem apadrinhamento poucas pessoas vão candidatar-se ”.

Na mesma linha de pensamento, o segurança privado João Neto disse acreditar que o Executivo está à beira de repetir a situação vivida por milhares de jovens durante o programa “Angola Jovem” que acabou por encalhar em Luanda, devido aos preços.

“Fico com a impressão de que o Executivo não teve em conta aquela experiência e repete os mesmos erros”, disse, céptico, o segurança, depois de se inteirar de todas as formalidades a cumprir para o efeito, mostrando mesmo indícios de desistência.

“Com o valor mínimo dos apartamentos no Kilamba, em minha posse, eu posso construir a casa dos sonhos e ainda pode sobrar alguns trocos que poderia investir num micro-negócio”, disse.

Por outro lado, considera que os preços são discriminatórios para aqueles funcionários de baixa renda, que em função dos preços se vêem impossibilitados de se habilitarem à compra de uma casa, caso não haja revisão do quadro. “Além dos preços, fiquei ainda surpreso porque a minha primeira opção, o modelo T2, não consta das opções colocadas à disposição do público”, desabafou a professora Sónia Maria de 26 anos. “ Vejo a minha possibilidade muito reduzida para obter uma casa, face a estes preços”, argumentou.

No cálculo aritmético que faz da situação, a professora diz que não terá muitas hipóteses, apesar de existir a possibilidade de recorrer a financiamento, mas mantém-se reticente quanto a isto, porque até ao momento continuam por definir as taxas de juro.

Por outro lado, considera que os preços afixados suplantam, de longe, a média de 60 mil dólares que o Presidente da República e chefe do Executivo havia sugerido no discurso de abertura do primeiro Fórum Nacional da Habitação.

Com uma visão mais optimista, o professor Aldino Gonçalves, 30 anos, disse que concorreu para adquirir uma residência do tipo T3 B, optando por aceder a um financiamento, tendo em conta que não está em condições de pagar a pronto pagamento ou de forma parcelada.

“Não disponho de recursos suficientes para efectuar o pronto pagamento ou ainda de forma faseada conforme as regras do jogo”, admitiu.

No entanto, disse desconhecer a taxa de juro a ser aplicada, futuramente, pormenor que pensa ver aclarado junto das instituições financiadoras no caso de vir a ser seleccionado para a compra de uma residência. Do ponto de vista de Pedro da Silva, os preços estipulados estão ao alcance dos cidadãos que detêm uma renda média, acreditando que dez anos é tempo suficiente para amortizar-se as contas.

Por outro lado, na sua visão, os preços dos apartamentos vão de encontro à qualidade dos apartamentos que teve a ocasião de visitar com a sua família, logo após a inauguração da cidade. “Sou casada, tenho uma filha e vinha na expectativa de concorrer para uma casa T2”, disse Margarida Pedro, que depois de olhar para o painel de informação, desistiu do processo, na expectativa de que nas fases subsequentes a nova centralidade contemple o modelo de casa que deseja.

Mais de seis mil casas em Dezembro

O Executivo prevê colocar à disposição do público, até ao mês de Dezembro, mais 6.894 apartamentos, correspondentes a 218 edifícios, segundo avançou o ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, Carlos Feijó, na conferência de balanço das acções do Executivo durante o segundo trimestre deste ano.  Desta feita, espera-se que até à data perspectivada a nova  cidade absorva um total de 60 mil habitantes, sendo que 40 mil pessoas vão se juntar às 19 mil que serão seleccionadas nos próximos dias para habitarem os 3.180 apartamentos.

Até à conclusão da primeira fase, em Dezembro de 2012, prevê-se a entrega de outros 20 mil apartamentos que poderão acolher mais de 120 mil pessoas.  A ser implementado em três fases distintas, a Cidade do Kilamba é o projecto de maior destaque do Programa Nacional de Habitação .

É desenvolvido a 20 quilómetros a Sul de Luanda, local onde estão a ser edificados 80 mil apartamentos numa área de 54 quilómetros quadrados.

No ingente desafio de debelar o défice habitacional, o Executivo angolano conta com projectos semelhantes em implementação noutras províncias do país.

No Leste de Angola, por exemplo, na província da Lunda-Norte, está a ser erguida desde 2009, a nova centralidade do Dundo, na localidade de Samacaca. 

Valdimiro Dias
26 - 8 -2011
 
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