Dois volumes intitulados “José Eduardo dos Santos e os desafios do seu tempo’’organizados pelo escritor José Mena Abrantes, foram postos domingo último à disposição do público, na Feira Internacional da Música e da Leitura.
Com mais de 400 páginas cada, o primeiro livro retrata a Primeira República, que vai de 1979 a 1992, enquanto o segundo aborda a Segunda República até aos dias de hoje. O lançamento das obras marcou a celebração do 69º aniversário do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, assinalados a 28 do mês transacto.
As obras contêm ainda histórias à volta das intervenções do Presidente José Eduardo dos Santos e todo o percurso do líder angolano, comportando na íntegra 417 discursos, 71 mensagens, 38 entrevistas e várias intervenções empreendidas ao longo de 25 anos “de uma sábia condução dos destinos do Estado Angolano”.
A par das várias sessões de lançamento e autógrafos de obras de diferentes autores nacionais, mereceu destaque nesta quinta edição do certamente o ciclo de palestras e debates sobre a compreensão e a análise crítica do texto literário, importância da leitura na formação cultural e intelectual, a leitura enquanto comunicação, interacção social e percepção do mundo.
A semiótica e teorização endógena do texto literário angolano, provérbio, poética e cinema na literatura angolana, literatura e desenvolvimento educacional, línguas nacionais, a literatura infanto-juvenil, os desafios da criação literária em Angola, entre outros, também foram temas da feira.
No que diz repeito ao conceito de indústria cultural, tema dirigido por António Fonseca, director do Instituto Nacional de Indústrias Culturais, aos estudantes, músicos, actores e agentes culturais e que retratou o papel das indústrias culturais nas sociedades modernas, organização produtiva das indústrias culturais, génese da economia da cultura, economia como factor de desenvolvimento da cultura, bem como a integração da cultura nos programas de desenvolvimento económico, entre outros temas, os participantes tiveram a oportunidade de saber um pouco mais sobre todo o processo desta grande indústria cultural e dos seus procedimentos.
António Fonseca referiu-se igualmente a outros processos como a produção e a função da cultura na economia de mercado, processo de conversão da cultura em mercadoria e o consumo mercadológico da produção cultural e intelectual, tendo deixado esclarecido o público em relação aos assuntos e os procedimentos que a indústria cultural poderá registar futuramente.
Um dos momentos mais emotivos e relevantes do certame foi a actuação ao vivo da Banda Contrates, formada por jovens talentosos que aos poucos foram conquistando o seu público, com um show de música reggae.
Aliás, é a segunda vez que o agrupamento participa na Feira, sendo que foi um dos convidados da edição passada. Outra grande atracção foi a actuação de Margareth do Rosário.
“O seu mais recente trabalho discográfico inaugura um novo ciclo na sua carreira, instaurando uma nova e surpreendente visão musical, facto que vem demonstrar uma personalidade artística distante das modas, e do consumo massivo, contudo próxima das melhores produções da morna cabo-verdiana, e do ritmo marcante do semba cadenciado”, escreve a organização do evento.
Nesta quinta edição da Feira Internacional da Música e da Leitura, Margareth do Rosário procurou revisitar os sucessos da sua carreira, e interpretou canções do seu mais recente CD, “Em nova dimensão”.
No mesmo palco juntaram-se igualmente os músicos Júlio Gile e Kipuka. O primeiro é um compositor da nova vaga, que tem vindo a desenvolver o seu trabalho nos géneros afro jazz, semba, kizomba, kilapanga e música africana. A sua actuação aconteceu terça-feira, dia 23 de Agosto.
Pese embora esteja fora do sucesso comercial, foi bastante aplaudido na II Trienal de Luanda, certame em que realizou dois concertos, tendo sido o vencedor da edição 2011 do Prémio Ensa Arte musical. Actualmente está empenhado na gravação do seu primeiro disco, tendo interpretado na Feira Internacional da Música e da Leitura temas clássicos da Música Popular Angolana e africana, tendo sido acompanhado por uma selecção de seis músicos.
Segundo nota da organização da Feira, o ressurgimento de Kipuka, depois de quarenta anos distante dos palcos, prestigia o processo de preservação, pela criação musical, da dimensão patrimonial das línguas nacionais, iniciado nos primórdios da formação da Música Popular Angolana.
“Cantor e compositor, defensor do primado da angolanidade artística, Kipuka atravessou o romantismo do período acústico da Música Popular Angolana, nos anos cinquenta, integrado nos Kimbanbas do Ritmo, formação musical paradigmática que ficou na história pela valorização do cancioneiro, e dos instrumentos tradicionais, sobretudo da região de Luanda”.
O encerramento do espectáculo coube à Banda Maravilha, que interpretou temas do seu último CD, “As nossas palmas”, tendo a primeira parte sido preenchida pelo Duo Canhoto, que entoou as canções do conjunto “Nzagi”, em saudação ao aniversário do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos.
“Excelente grupo de acompanhamento que interpreta com reconhecida propriedade e criatividade géneros canónicos da música internacional e explora diversas matizes do semba cadenciado, kazucuta e kabetula, olhando, com acuidade e inovação, o que de melhor regista o passado musical angolano”, refere a nota da organização.
Ainda no que toca aos concertos musicais, o primeiro agrupamento a subir ao palco da Feira foi a Banda The King’s.
Realizada sob o signo “Criar novos factos culturais”, a Feira Internacional da Música e da Leitura é um projecto cultural de apoio à globalidade das manifestações literárias e musicais angolanas e internacionais, complementando o ciclo de promoção e aumento dos hábitos de leitura e, consequentemente, do debate à volta das questões que se relacionam com a produção do livro, do disco e das artes do espectáculo.