
as aparências iludem. No ecrã de televisão tem um ar duro, infl exível e muito sério. Na vida real, é extrovertida, simpática e sorridente. Um pouco extravagante, até.
revela uma grande paixão e afeição pelas crianças.
Conheça o outro lado de Tânia Burity.
Solidária, humilde, simpática, extrovertida e bem-humorada, Tânia defi ne-se como alguém que nasceu para fazer televisão, com uma vida cheia de energia. Uma mulher determinada, mas também sonhadora, que luta para alcançar os seus objectivos.
Tânia Burity, enveredou desde cedo pelo mundo da encenação. Ainda criança, ela e a irmã mais nova, Dicla Burity, imitavam as actrizes das telenovelas mexicanas, caso de Rosa Selvagem e Maria. Recorda que, muitas vezes, tinha de o fazer às escondidas da mãe que não as deixava assistir à televisão tão tarde. Acrescente-se que, nessa altura, o acesso aos canais internacionais era difícil. “Copiávamos os gestos e o tipo de penteado das actrizes, colocando pequenas peças de roupas na cabeça.
Imitar as personagens das novelas estimulava a criatividade e a habilidade para representar”. É daí que nasceu o sonho de ser actriz de telenovelas.
Quanto tinha 22 anos, Tânia foi viver para Portugal.
Apesar da distância falava regularmente com a irmã Dicla pelo telefone. Ela falou- -lhe das novas telenovelas da Televisão Pública de Angola (TPA), um projecto que era muito aliciante para si. “Quando regressei a Angola fiz alguns testes na TPA e passei em todos.
Participei como figurante logo no primeiro projecto, a telenovela Vidas Ocultas”.
Depois dessa estreia auspiciosa, Tânia Burity participou em todas as telenovelas feita pela TPA.
Em Reviravolta representou uma rapariga de 19 anos de idade que roubou o namorado à colega. Em Sede de Viver era a professora malvada.
Na serie 113 foi, mais uma vez, vilã e detective.
Posteriormente na novela Entre o Crime e a Paixão era a vilã que roubava cabelo para vender. Mas de todas as actuações no pequeno ecrã, a que mais a marcou foi a executiva Camila, em Minha Terra, Minha Mãe, que está actualmente em exibição.
IMITANDO A REALIDADE Apesar de nunca ter feito teatro a nível profissional, Tânia Burity participou em algumas peças baseadas nos poemas de Agostinho Neto, enquanto aluna do curso de jornalismo no Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL). Passou também por várias oficinas técnicas de teatro onde teve a oportunidade de aperfeiçoar a arte de representar.
Antes de interpretar uma personagem, a actriz faz um estudo prévio sobre as suas características “Quando fiz o papel de Eugenia na novela 113, uma mulher que apesar de malvada era uma detective que ajudou a desvendar alguns crimes, tive que aprender com a polícia a fazer certos gestos e procurou saber um pouco mais sobre a profissão”.
No caso de “Camila”, a sua última representação, Tânia usou algumas expressões muito próprias para dizer constantemente a palavra “pateta”ou “andor”, ou ainda para levantar a cabeça enquanto falava ou sentar-se e levantar-se com atitude.
A gravação da telenovela Minha Terra, Minha Mãe foi um processo muito delicado.
Durou oito meses até serem definidos os personagens.
“A princípio nada sabíamos sobre o projecto. Era tudo muito oculto. Sabíamos apenas que era um projecto do governo de Angola com a TPA”, recorda. “Fiz alguns testes para vilã, na qual concorri com as actrizes Elisabeth Neto e Valeria, ninguém sabia ao certo o que iria representar e lembro que a minha directora de elenco quis que eu fizesse um papel diferente do habitual. Queria que eu fizesse o papel de Carla, a filha de Camila”. Devido à demora na concretização do projecto muitos actores foram desistindo pelo caminho, caso de Dicla Burity e de Elisabeth Neto. Em consequência, Tânia acabou por passar do papel de Carla para o de Camila, a vilã de Minha Terra Minha Mãe.
Chegados ao Brasil, ninguém não sabia ao certo o que nos esperava.
“Ficamos surpreendidos com a produção, as condições técnicas e a internacionalização do projecto, que superou em muito as nossas expectativas. Gravámos 110 capítulos no Brasil, e apenas alguns takes em Angola. Foram mais de seis meses de trabalho duro, com muito afinco, o que resultou num projecto reconhecido por todos como sendo de qualidade”.
Tânia Burity adorou a oportunidade de trabalhar com actores brasileiros mais experientes. Ela confessa que esteve mais próxima de três actores, com os quais contracenou directamente, e que aprendeu muito com eles. Destaca, em particular, o actor Marcos Breda, da TV Globo. “Os brasileiros receberam-nos de uma forma positiva e trataram-nos como actores profissionais. Em nenhum momento fomos vistos como inferiores.
Tivemos direito a um tratamento muito simpático, quer por parte da produção como da técnica”, diz.
Mas nem tudo foi perfeito.
Para além dos momentos de melancolia devido à distância de casa e da família, aborreceu-a os conflitos entre os colegas angolanos.
“Parecia um Big Brother em que todos estavam a competir. Não percebo porquê. Cada um tinha o seu papel definido”, denuncia.
Quanto aos factos mais positivos, recorda os elogios que recebia por parte dos actores brasileiros e da equipa técnica — em particular, do director Reinaldo Boury — que estava encantado com a personagem de Camila.
Outros momentos altos foram as festas onde o “samba” se confundia com o “semba”.

Em Minha Terra, Minha Mãe, em exibição na TPa, Tânia Burity esteve para desempenhar o papel de Carla, a fi lha de Camila. acabou por fi car com o papel da mãe, a executiva implacável, a personagem que mais a marcou até hoje.
Tânia está habituada a ser vilã. em Reviravolta foi a adolescente que roubou o namorado à colega. em Sede de Viver foi uma professora malvada. Na serie 113 foi vilã e detective. em Entre o Crime e a Paixão roubava cabelo para vender.
A vida pública de Tânia Burity não se limita, porém, às telenovelas. O quarto lugar no concurso de Miss Angola 1997, foi o primeiro passo para a popularidade que hoje goza junto do público.
A carreira de cinco anos como manequim também a fizeram dar nas vistas.
Os meus pais nunca me apoiaram nesta decisão.
A minha mãe temia que eu desistisse dos estudos.
“Quando me inscrevi para o concurso de misses não tinha ainda conversado com os meus pais. Depois de ter assinado o contrato com o comité e de ter lido, numa das cláusulas, que se desistisse teria que indemnizar a organização com de três mil dólares, tive mesmo de contar tudo aos meus pais. Eles não tiveram outra alternativa senão deixar-me participar. Mas depois ficaram orgulhosos ao ver-me em palco. Eu obtive a melhor participação em cultura geral”, diz orgulhosa.
TRÊS ANOS COMO jORNALISTA Quando era criança, um dos sonhos de Tânia Burity, era ser jornalista e apresentar o telejornal. Na realidade não leu as notícias, mas apresentou os programas de televisão Luanda Da Sorte e o Angola Da Sorte (jogos de sorte) da Finangest. Foi algo que fez durante três anos.
“Estar no meio do povo, poder viajar até às províncias, ver a pobreza e a esperança do povo em ganhar um dos prémios. Tudo isso era de uma alegria contagiante para mim”, revela emocionada.
Por vezes Tânia tinha que andar descalça durante as reportagens, à procura de idosos ou de miúdos de cinco anos que haviam ganho o concurso e, infelizmente não tinham documentos que o provassem. “Assistir à imensa alegria de velhas de oitenta anos a receberem três carros ao mesmo tempo, era algo muito emocionante”, recorda. Tânia alegra-se pelo facto de ter dado às pessoas a notícia de que haviam ganho tais prémios. Para ela, esses foram os melhores momentos da carreira como jornalista e apresentadora de TV.
Manchete em todos os jornais, há dois anos atrás, Tânia Burity foi agredida fisicamente por um colega de profissão e a esposa que, segundo ela, fracturou um dos braços. Essa foi uma das piores momentos da sua vida. “Estive entre a vida e morte”, recorda. Hoje Tânia afirma não ter nenhum tipo de relação próxima com eles.
“As pessoas devem pagar por aquilo que fazem. O que peço é justiça”, frisa.
apresentar as notícias, ser actriz de telenovelas e professora da primeira infância eram os três grandes sonhos de Tânia Burity enquanto criança. destes, só o último desejo está por cumprir.
A actriz teve uma infância muito reservada, onde raramente andava a pé ou lidava com desconhecidos.
Os seus pais eram muito conservadores. Tânia, viveu a sua primeira infância em Portugal, numa altura em que seu pai estudava na Alemanha. “Até aos 16 anos de idade, era muito tímida.
Tinha medo de falar para o público. A participação no concurso Miss Angola 1997 e o facto de ter enveredado para a carreira de manequim, fez com que me tornasse mais desinibida e extrovertida”. Rir das representações teatrais que fazia com a irmã, foi algo que a marcou durante toda a infância. Essa ligação perdurou até hoje. Quando já eram adultas ocorreu uma cena que nunca esqueceu.
“Certa vez, eu e a Dicla, tentámos imitar o fi lme infantil da Walt Disney A Pequena Sereia. Eu, por ser mais magra, fazia de pequena sereia, enquanto a Dicla fazia de bruxa. A certa altura, durante a encenação da bruxa, a minha irmã deu um soco à fi lha dela. Ainda assim manteve-se a representar a personagem. Com um tom meio abrasileirado disse: Oh! cara, a Janay magoou- -se… Fui aí que eu tive que despertá-la da representação porque a sua fi lha estava a sangrar na boca”, recorda.
“Durante este tipo de cenas as nossas fi lhas fi cam a olhar para nós e de certeza que pensavam: a mãe e a tia não são normais”, confessa.
GOSTAR DE SER FAMOSA Quarto Lugar no concurso Miss Angola 1997 e Melhor Actriz de Telenovelas em 2005, pelo desempenho em Sede de Viver, foram alguns dos reconhecimentos institucionais de Tânia.
“Existem poucos incentivos ao nosso trabalho. Tal como existe o Prémio Anual de Jornalismo ou o Prémio Moda Luanda, também devia haver um reconhecimento similar para a arte de representar”.
Tânia não se importa de ser interpelada constantemente na rua pelos fãs. “É positivo ter esse reconhecimento pelo meu trabalho”, diz.
“Às vezes torna-se chato para quem está do meu lado.
Quando estamos a conversar vêm os putos pedir-nos um autógrafo ou uma fotografi a.
Mas eu faço-o sempre com muito gosto”. O que mais a incomoda é o assédio sexual.
“As pessoas julgam que podem comprar a minha dignidade”, diz com raiva.
Para 2009, Tânia pretende acima de tudo mudar o seu estado civil, ter casa própria e um lar saudável e realizar alguns projectos a nível pessoal. Ler, estar com a família, sair com as amigas e comer em restaurantes de qualidade, é o que Tânia Burity mais gosta de fazer nos seus tempos livres.
Para além de ser uma pessoa popular, vaidosa e extravagante na forma de vestir, Tânia confessa que é uma grande dona de casa. A actriz é afi cionada por trabalhos domésticos.
“Gosto muito de cozinhar, adoro arrumar. Se for preciso também sei lavar e engomar.
Adoro ser a anfi triã. Gostaria de organizar grandes almoços na minha própria casa”, diz.
Convidada a eleger uma novela e um actor angolano de preferência, Tânia apontou a telenovela Minha Terra, Minha Mãe como a melhor de todos os tempos — pelo investimento fi nanceiro, a área técnica e de produção, e o carácter internacional do projecto. Para melhor actor e actriz apontou Miguel Hurts e Dicla Burity, respectivamente. No que se refere ao cinema considera Comboio da Conhoca, de Zezé Gamboa, o melhor fi lme angolano de sempre.
Apesar no pequeno ecrã estar a representar o papel de um executiva implacável, na vida real Tânia Burity tem uma grande paixão pelas crianças.
Durante a entrevista, ela não perdeu uma oportunidade para falar sobre a sua fi lha de oito anos, Helania Andresa Burity Gaspar, que defi ne como uma criança muito séria e inteligente. Segundo Tânia, o facto da sua fi lha ter crescido no meio de muitos adultos, fez dela uma criança calma ao contrário da mãe que é muito mais extrovertida. “Eu e a Dicla sempre pensámos que teríamos profi ssões mais viradas para as crianças, tais como a animação de festas ou a apresentação de um programa infantil”. Aliás, um dos sonhos de Tânia era ser professora da primeira infância. “Esta é uma fase muito importante para as crianças. É a partir desta altura que se criam e plantam os valores. Gostava de dar o meu contributo como professora”, diz convicta.
Nome completo: Tânia Cefira Gomes Burity
Naturalidade: Luanda
Data de Nascimento: 28 de Setembro de 1978
Estado civil : Comprometida
Filhos: Uma, Helaina Andresa Burity Gaspar
Perfume: Givenchy
Prato Preferido: Bacalhau com natas
Discoteca: Chill Out
Restaurante: Caribe
Desporto: Basquetebol
Traje: O mais diferente e extravagante possível
Virtude: Simpatia
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