Em Lisboa, Georges Chikoti, reconheceu, na quarta-feira, que existem “muitas dificuldades” na obtenção de vistos para Angola e garantiu que o acordo irá facilitará todo o processo.
A dificuldade de obtenção de vistos para entrada em Angola é uma das maiores preocupações de investidores e empresas portuguesas e tem levado algumas a recorrerem a vários expedientes para conseguirem renovar os vistos dos seus trabalhadores.
O mais recente episódio envolveu 42 funcionários de uma empresa com sede em Sintra, que foram detidos por trabalhar ilegalmente em Angola, tendo sido depois expulsos do país.
Segundo explicou na altura uma responsável da empresa, um dos funcionários trouxe para Portugal o passaporte dos restantes trabalhadores para acelerar a revalidação dos vistos na embaixada de Angola em Lisboa.
A empresa reconheceu tratar-se “de um expediente infeliz” e garantiu que iria pagar as multas aplicadas pelo Estado angolano.
Mas, as referências aos problemas na obtenção de vistos pelos cidadãos dos dois países são recorrentes. Relatos da imprensa dão conta da existência diariamente de filas enormes diante da embaixada portuguesa em Luanda.
Trata-se maioritariamente de cidadãos angolanos que esperam conseguir um visto para visitar familiares em Portugal, gozar férias ou fazer negócios.
No sentido inverso, a situação é semelhante, com a agravante de que a crise económica e financeira em Portugal e as potencialidades da economia angolana estarem a levar cada vez mais portugueses a procurar trabalho em Angola.
Em Lisboa, a possibilidade de os vistos serem pedidos on-line e com marcação acabou com as filas no consulado de Angola, mas a demora no processo de obtenção do documento continua a merecer críticas das empresas portuguesas.
O sector da construção civil é um dos principais responsáveis pelo forte crescimento da comunidade portuguesa em Angola que, entre 2006 e finais de 2008, passou de cerca de 70 mil para mais de 100 mil pessoas.
As empresas queixam-se que, por causa das dificuldades na obtenção e renovação de vistos, os trabalhadores portugueses são forçados a permanecer por curtos períodos de tempo em Angola, sendo ciclicamente substituídos por outros, embora, em alguns casos, essas substituições não tenham sido feitas.
O ministro português sublinhou a importância das relações entre os dois países, incluindo no domínio económico, referindo a existência de sete mil empresas portuguesas que trabalham em Angola, sendo “uma grande parte pequenas e médias empresas”.
O ministro das Relações Exteriores, Georges Rebelo Pinto Chikoti, foi recebido, quartafeira, pelo Presidente Cavaco Silva e pelo primeiro-ministro português, Passos Coelho, no quadro da visita oficial que efectua em Portugal.
À saída da audiência com o Presidente Cavaco Silva, que demorou cerca de uma hora, Georges Chicoti disse: “vim aqui numa audiência, é uma visita de cortesia que viemos fazer ao senhor Presidente da República e durante esta audiência tivemos a oportunidade de transmitir as saudações do Presidente Eduardo dos Santos”.
De acordo com o governante angolano, durante a audiência “tivemos oportunidade de ouvir alguns conselhos e algumas opiniões do Presidente Cavaco Silva sobre as relações entre Angola e Portugal, que são muito boas como sabem”.
O encontro com Passos Coelho durou cerca de 45 minutos, e os dois interlocutores passaram em revista aspectos da cooperação nos domínios político-diplomático, empresarial, comercial, cultural, entre outros.
No final da audiência, Georges Chikoti sublinhou que o país está no processo da consolidação da sua democracia e da reconciliação nacional, após 30 anos de guerra.
De acordo com programa da visita, o ministro estará hoje, sexta-feira, 16, na nova sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde se vai proceder à “assinatura pública do protocolo de cedência e aceitação entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal e a CPLP, do Palácio do Conde de Penafiel para a instalação da Sede da CPLP.” Ainda hoje e à margem da visita oficial, o ministro das Relações Exteriores ruma ao Algarve, onde, no sábado, 17, vai presidir ao acto central das comemorações do 17 de Setembro, Dia do Herói Nacional e procede à inauguração do Consulado Geral de Angola em Faro.