A Opep, a organização que reúne os países exportadores de petróleo, e a AIE, a Agência Internacional da Energia, conotada com os países consumidores, reviram esta semana, em baixa, nos respectivos relatórios mensais, as suas previsões para a evolução da procura mundial de crude. Assim, a Opep, no relatório respeitante ao mês de Setembro, divulgado a passada segunda-feira, revê em baixa a sua estimativa para a procura mundial de petróleo no corrente ano, situando-a agora em 87,99 milhões de barris diários (mbd). A previsão anterior apontava para 88,14 mbd. Mesmo assim a procura em 2011, de acordo com as contas da organização, ainda supera em 1,06 milhões de barris diários a procura do último ano. Para 2012 a Opep prevê uma procura da ordem dos 89,26 mbd, uma estimativa ligeiramente inferior à de 89,44 mbd anunciada em Agosto.
No dia seguinte coube a vez à AIE. A agência reduziu as suas previsões para a procura mundial de petróleo para 2011 e 2012, respectivamente em 200 mil e 400 mil barris diários (mbd), em consequência da desaceleração económica, não descartando um cenário ainda pior. A procura, de acordo com as expectativas da AIE, será de 89,3 mbd em 2011 (+1,2% em relação ao ano anterior e acima, note-se, da estimativa da Opep) e 90,7 mbd em 2012 (+1,6%) – também acima das perspectivas da Opep segundo o relatório mensal da AIE.
Refira-se que a agência prevê uma leve recuperação da produção de petróleo na Líbia até o fim do ano. Registe-se que a nova directora-executiva da AIE, a ex-ministra holandesa Maria van der Hoeven, em entrevista à AFP na última semana, previra que o regresso da produção líbia de petróleo ao seu nível anterior à guerra não acontecerá antes de 2013. “Os nossos especialistas acreditam que o regresso da totalidade da produção líbia aos mercados acontecerá provavelmente em 2013 ou mais tarde”, referiu Maria van der Hoeven. A produção líbia de petróleo antes dos confrontos entre rebeldes e o regime de Muamar Kadhafi rondava os 1,6 mbd.
Exportações angolanas recuaram em Agosto Entretanto, adiante-se que Angola foi um dos dois países da Opep (o outro foi a Líbia) que reduziram as suas exportações de crude em Agosto deste ano, de acordo com o relatório divulgado no início da semana pela organização. Assim, Angola exportou, em Agosto, 1,612 mbd, menos 62,3 mil barris diários que em Julho, mês em que havia exportado 1,675 mbd. Angola foi mesmo o membro da Opep cujas exportações mais decaíram em Agosto. De referir ainda que o nosso país se manteve com o terceiro fornecedor petrolífero da China, para onde exportou, em Agosto, uma média de 450 mil barris diários, posicionando-se a seguir à Arábia Saudita (que exportou 980 mil barris diários e ao Irão (650 mil barris diários). Tudo indica que a produção angolana volte a subir.
De acordo com operadores do mercado londrino Angola deverá exportar no próximo mês 50,9 milhões de barris de crude, o equivalente a 1,64 milhões de barris diários. Por outro lado, a entrada em funcionamento dos campos do complexo Pazflor, cujas reservas provadas se encontram estimadas em 590 milhões de barris, envolve uma capacidade de produção adicional de 220 mil barris de petróleo diariamente, a qual será atingida progressivamente.
No seu conjunto, os 12 países produtores que integram a Opep exportaram, em Agosto, 29,92 milhões de barris de crude diariamente, mais 75,3 milhões que no mês anterior.
Nem a AIE nem a Opep se mostram muito entusiasmadas com a evolução da conjuntura internacional. A AIE refere no seu relatório que “existem seguramente crescentes preocupações quanto à saúde da economia global”.
Para a agência “a questão da dívida pública nos países da OCDE e o espectro das pressões inflacionistas e do proteccionismo monetário nos mercados emergentes suscitam receios de que as expectativas ‘business-as-usual’ de crescimento do PIB mundial entre 4,5% e 5% sejam insustentáveis”. Daí que a AIE reduza em baixa a sua estimativa para o crescimento global em 2011 e 2012 para 4%, um ‘downgrade’ que se fica a dever sobretudo á evolução dos países da OCDE.
A Opep alerta para a desaceleração verificada nas principais economias. Nos Estados Unidos a produção industrial continuará, na melhor das hipóteses, a registar um crescimento fraco e o mercado de trabalho mantém-se débil, com a taxa de desemprego a fixar-se, em Julho, nos 9,1%, pelo segundo mês consecutivo. “Face à modesta evolução do primeiro trimestre deste ano e às muitas incertezas que pairam sobre a economia, a estimativa de crescimento para 2011 baixou de 1,8% no último mês para os actuais 1,6%”, assinala o relatório de Setembro da organização. No Japão a amplitude da recuperação que será registada no segundo semestre permanece incerta. As perspectivas de crescimento do país do sol nascente para 2011 e 2012 situam-se em 0,8% e 2,5% respectivamente.
Na Zona Euro o crescimento regista uma clara desaceleração, com a principal economia da região, a alemã, a recuar de um crescimento de 1,3% registado no primeiro trimestre do ano, para os magros 0,1% apurados no segundo trimestre. Os principais mercados emergentes são afectados pela inflação. Na China, a taxa de inflação ascendeu, em Julho, a 6,5%, mais 0,1 pontos percentuais que a verificada no mês anterior. Por outro lado, os custos de produção sobem rapidamente, mercê do aumento dos custos energéticos e, acima de tudo, dos acréscimos salariais que, em certas províncias, registaram, em base anual, um incremento de 20%. A actividade industrial na China terá estabilizado, a avaliar pelos valores do índice de produção industrial divulgado pelo departamento chinês de estatística, nos últimos meses.
Na Índia, o banco central do país estima que a inflação anual atinja os 9,5% no segundo semestre, devendo depois abrandar o seu ritmo até cerca de 7% até Março de 2012. Em Abril, Maio e Junho o crescimento económico da Índia terá abrandado, situando-se nos 7,7%. Todos os países que integram os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), refere o relatório de Setembro da Opep, registaram uma expansão excessiva do crédito nos anos mais recentes, pelo que “o combate à inflação não pode ser bem sucedido sem que a expansão do crédito e a oferta monetária sejam colocados sob controlo”, acentua o documento.