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"Burla"

Build Angola ‘exaspera’ clientes

Os clientes dos vários projectos habitacionais implementados pela imobiliária Build Angola, exasperados com os sucessivos incumprimentos dos prazos de entrega da obra, pretendem intentar uma acção judicial contra aquela firma, por alegada burla.

Mais do que um simples atraso, os vários clientes da imobiliária dizem vislumbrar evidências claras que apontam para a consumação de uma burla colossal, com o risco nítido de perderem os valores que investiram com o intuito de obterem uma casa.

Por esta razão, pretendem o amparo do Estado angolano para solucionar este caso, em que estão envolvidos cidadãos brasileiros.

A intervenção do Estado é aqui chamada por decisão consensual tomada na reunião do último Sábado, em que os associados dos vários projectos habitacionais daquela imobiliária (Bem Morar I, Bem Morar II, Nossa Vila, Nosso Lar, Quintas do Rio Bengo) decidiram ainda constituir uma Comissão de Moradores, para dar seguimento ao caso pela via da justiça.

Este passo é visto como necessário para que os clientes possam avançar com acções concretas de forma a responsabilizar judicialmente a construtora para proceder à devolução dos valores que recebeu ou se ache outra medida que salvaguarde os interesses daquele grupo de cidadãos. A reportagem de O PAÍS apurou no encontro que os principais responsáveis da Build Angola, designadamente Paulo Sodré e Paulo Marinho, encontram-se no Brasil, mas não há conhecimento de qualquer informação sobre o seu regresso, já que muitos clientes dizem ter intentado acções judiciais contra os mesmos nos tribunais angolanos. Na ronda efectuada no projecto Bem Morar, é notória a paralisação das obras, facto que impulsionou alguns clientes a procederem a sua ocupação para, dentro delas, trabalharem na conclusão dos projectos.

Esta é uma situação de contornos explosivos, visto que há pessoas que já pagaram na totalidade à imobiliária mas que nem sequer sabem onde seriam edificadas as suas casas. Ainda que queiram enveredar pela atitude dos outros prejudicados, será difícil localizar os imóveis a ocupar.

Por exemplo, o cliente Miguel Pinto disse que pagou na íntegra uma casa do tipo T4, no projecto Nossa Vila, mas por razões técnicas invocadas pelo corrector, foi orientado a mudar para o projecto Nosso Lar, mas este é um espaço para o qual a firma brasileira nem sequer conseguiu obter a legalização, segundo informações recolhidas no local.

“Paguei 100 por cento a minha casa, não sei como é que é, onde fica e já são passados quase dois anos. Estou numa situação aflitiva, não sei como fazer”, disse o cliente que deposita agora as esperanças na comissão de moradores constituída, apelando também à intervenção do Estado angolano na resolução do caso.

Os associados dos vários projectos habitacionais dizem ter chegado ao seu conhecimento que a Build Angola está a desfazer-se de todos os activos financeiros que detém em Angola, facto que por si só reforça a crença dos clientes de que terão sido vítimas de golpe e mostram-se conscientes de que devem agir rápido.

Informações colhidas no local dão conta que os responsáveis da Build despacharam para Angola um auditor que está a fazer o levantamento de todos os activos desta empresa com a finalidade de se desfazer de todos os investimentos feitos até aqui, com vista a reinvestir no que falta para terminar os condomínios.

Esta é uma informação confirmada pelo advogado da Build Angola, William Tonet, que admitiu a possibilidade do reinício das obras num período de dois meses, pedindo por isso serenuidade aos clientes. Outros relatos colhidos na reunião dão conta da saída do país dos últimos cidadãos brasileiros que funcionavam na Build Angola, apesar de supostamente terem os passaportes retidos pelas autoridades angolanas.

‘Cartão vermelho’ para William Tonet

Os clientes questionaram-se das verdadeiras intenções da imobiliária, e dizem não acreditar na retoma das obras, até porque estão em posse da informação de que aquela empresa já terá conseguido expatriar um capital superior a 80 milhões de dólares.

Dizem ter tomado igualmente conhecimento que todo o equipamento aprovisionado no estaleiro da obra do Bem Morar terá sido já vendido, bem como parte do terreno situado numa área onde agora a petrolífera Esso vai edificar um condomínio. Os clientes dos projectos da Build Angola manifestaram-se desiludidos com o advogado da imobiliária, que se fez presente na referida reunião mesmo sem ter sido notificado, o que alterou os ânimos. Houve paciência para ouvir os argumentos de razão do advogado mas, logo depois, foi convidado a retirar-se.

Face aos novos contornos que a situação está a tomar, a comissão de moradores pretende nos próximos dias constituir uma equipa de advogados para intentarem junto do tribunal uma acção de providência cautelar, com o objectivo de impedir a concretização de qualquer acção da empresa e de congelarem as suas contas.

O grupo almeja de igual modo, com essa medida, que representantes da comissao de moradores participem nas negociações sobre a venda do património da Build Angola.

Genivaldo Gaspar, um dos membros da comissão acabada de criar, disse em relação à medida tomada contra William Tonet que o advogado “chegou de forma sorrateira quando a reunião já decorria, não como cliente do projecto, mas para colher informação com o intuito de levar para os responsáveis da Build Angola, que aldrabaram os angolanos”.

A sua desolação é ainda maior pois, “como angolano sinto-me envergonhado pelo facto deste advogado colaborar com o pacto dos brasileiros.

Ele deveria ter outra postura, porque ser advogado constituído pela Build e igualmente cliente do projecto Quintas do Rio Bengo são factos que denotam um certo oportunismo da pessoa”.

Plano B na calha

Na eventualidade de todas as demarches junto das autoridades judiciais angolanas não resultarem, a comissão de moradores dispõe de um plano B: a conclusão das obras.

De acordo com o levantamento encomendado pela comissão de moradores do Bem Morar, solicitado a uma empreiteira em operação no mercado, para a conclusão de toda a obra precisa-se de um investimento na ordem dos 30 milhões de dólares.

Desse valor, dez milhões deverão ser investidos em infra-estruturas (redes de esgotos, água, luz, bem como outras redes técnicas), enquanto a maior fatia seria investida no acabamento das casas.

Apesar de haver maior inclinação para o plano A, os presentes na reunião concordaram em lançar um concurso público e receberem propostas de diferentes construtoras.

Build garante solução do problema dentro de dois meses

Ouvido por O PAÍS, o advogado William Tonet avança que é de todo o interesse da empresa que representa que haja uma solução para este caso, defendendo para tal a necessidade de um diálogo transparente, ponderado e, sobretudo, urbano.

Disse reconhecer que o quadro actual é muito difícil, porque há pessoas que reuniram as suas economias para fazerem investimento próprio, porém continuam em casas arrendadas, facto que leva a Build a tentar encontrar uma solução a contento das partes.

“As pessoas devem entender que ao invés de inflamarem a pradaria devem procurar uma solução que consiga terminar com o projecto” defendeu o advogado. Tonet, que confirma a venda dos activos daquela empresa para resolver este constrangimento de ordem financeira, gerado por uma crise interna, argumenta que os activos suplantam o valor da dívida.

Desmente, entretanto, que impende sobre os principais responsáveis da Build Angola, mandatos de captura, esclarecendo que “tanto quanto eu sei o mandato de captura é uma questão judicial, mas não há nada ainda, porque não passou por qualquer fase judicial, há apenas um incumprimento que deve ser assumido”.

O advogado disse que a situação poderá ser resolvida dentro de dois meses, adiantando que tudo está bem encaminhado para que haja uma solução que honre as partes.

Valdimiro Dias
24 - 2 -2012
 
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Comentários

  1. Anonimo
    2012-06-29 14:31:01
    Vejam como um dos "diretores" da Build gasta o Vosso dinheiro, barcos viagens etc, com a familia dele, enquanto a vossa familia paga por esse "pato". http://www.facebook.com/media/set/?set=a.100317169989851.496.100000347044730&t
  2. HUMBERTO MANUEL G. CAMPOS
    2012-05-29 00:53:06
    EU PAGUEI A PRONTO PAGAMENTO 2 CASAS NO PROJECTO NOSSA VILA E UMA IGUALMENTE A PRONTO PAGAMENTO NO BEM MORAR. INVESTI TODAS AS MINHAS ECONOMIAS DE UMA VIDA MUITO CONTURBADA EM ANGOLA, CERCA DE 58 ANOS. PENSAVA TER COM ESTE INVESTIMENTO A MINHA REFORMA GARANTIDA ARRENDANDO 2 DAS CASAS FICANDOM A OUTRA PARA EU VIVER, JA QUE ESTAVA PAGANDO RENDA. COM ESTA SITUAÇAO VEJO A MINHA VIDA INCERTA E SEM RUMO. QUEM NOS PODE AJUDAR A RESOLVER ESTA SITUAÇAO? VAMOS UNIR NOS CONTRA A IMPUNIDADE DE TANTOS VIGARISTAS QUE VEEM A ANGOLA COMO OS ABUTRES PARA DEBICAR O SEU PEDAÇO E FUGIREM QUE NEM RATOS
  3. Daniel Malange
    2012-05-25 00:35:34
    ja q dentro de 2 meses não estão dar as casa solução e meter caso na justicia
  4. Yonima Martins
    2012-03-29 12:25:11
    Senhores o endereço da comissao é ccbnnq@gmail
  5. neusa baptista
    2012-03-15 10:44:56
    ajudem-me, tambem gostaria de fazer parte dessa comissao, pois tambem fui lesada por esta instituicao
  6. tulio de Barros
    2012-02-29 13:37:29
    Agradeço que a comissão criada disponibilise o indereço e os contactos para que os demais na mesma situação possam aderir a causa. Obrigado
  7. Crisula Domingos
    2012-02-29 08:15:24
    A minha situacao e a mesma com a do Sr Danilo gostaria de ter mais informacoes por favor
  8. maria lima
    2012-02-29 04:21:59
    São um bando de COVARDES,aonde andam agora que não estão em Angola para responderem pelo dinheiro roubado?Mandam este advogado safado para os representar.Isto é uma vergonha
  9. luiza mello
    2012-02-29 04:19:13
    Senhores,esta situação já ha muito tempo estava sendo anunciada com as inúmeras falcatruas deste grupo,seu nome estava atrelado a todo tipo de confusão,os angolanos já deveriam ter dado um "BASTA" ha muito tempo.Não acreditem em NADA que este grupo propõe,eles só querem ganhar tempo para poderem levar mais do vosso dinheiro!Fiquem espertos e atentos
  10. Helder Lourenço António
    2012-02-27 23:28:47
    O senhor william toné não sabe o que está a dizer, eu duvido se em dois meses o problema do bem morar estará resolvido. Onde estão os responsáveis deste projecto mal morar, estão foragidos e quem me garante q eles iram de voltar depois desta burla..
  11. danilo baptista
    2012-02-27 20:59:22
    Eu sou um dos clientes dessa empresa de brasileiros vigaristas, ja paguei a totalidade da casa, no condominio NOSSA VILA, agradecia, que um dos constituintes dessa comissao, me enviasse o enderesse electronico, ou o endereço de onde se encontra sedeada essa comissao de moradores q reclamam pelos seus direitos
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