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Caso Quim Ribeiro

Quim Ribeiro diz-se vítima de cabala

O comissário Joaquim Vieira Ribeiro (Quim Ribeiro) ex-comandante provincial da Polícia Nacional (PN) de Luanda e peça fundamental do processo número 11/011, sobre quem recai a acusação de ser o autor moral de crime de violência contra inferior hierárquico, negou tudo e ameaçou fazer revelações explosivas que “podem paralisar o país”.

“Se eu falar não sei como é que o país acordaria no dia seguinte, mas não o farei por uma questão de patriotismo”, afirmou durante o seu interrogatório numa das sessões do julgamento do caso que decorre no Comando da Marinha de Guerra em Luanda.

Último arguido a ser ouvido pelo Supremo Tribunal Militar (STM) na quarta-feira,23, o arguido defendeuse perante o juiz que a sua detenção deveu-se a uma cabala arquitectada por algumas figuras influentes da Polícia Nacional e do aparelho governativo, “que se opuseram ao desmantelamento da rede de criminosos que se dedicavam ao tráfico de drogas no Aeroporto e Porto de Luanda “, com a qual alegadamente tinham ligações de negócios.

Durante a sessão, Quim Ribeiro disse também que foi preso ilegalmente por a sua detenção não ter sido ordenada pela justiça, mas por indivíduos ligados aos Serviços de Informação (SINFO), do Ministério do Interior, que o investigaram. Revelou também que os assassínios de Domingos João (Joãozinho) e Domingos Mizalaque estão soltos e nenhum dos acusados fez parte do bárbaro crime contra os seus colegas de profissão, ocorrido na comuna do Zango (Viana), no dia 21 de Outubro de 2010.

O arguido, perante o juiz tenentegeneral Cristo Alberto, que preside ao julgamento, não explicou contudo se conhecia os verdadeiros autores das mortes dos dois agentes da Polícia (um da Ordem Pública e o outro dos Serviços Penitenciários).

O antigo número um da PN em Luanda disse ainda que estava perante “um julgamento formal”, alegando que o mesmo começou a ser feito pela imprensa, antes de ser levado ao Tribunal no dia 10 de Fevereiro. As declarações do arguido foram corroboradas por um dos seus advogados, que no passado e a respeito do mesmo processo, chegou a ter ríspidos desaguisados com alguns jornais privados, dias depois da detenção do seu constituinte.


Silêncio pode prejudicar arguidos

A táctica do silêncio adoptada pelos arguidos durante as sessões de julgamento, segundo um jurista ouvido por O PAÍS, poderá desenhar a sua própria condenação, se não mudar.

A partir da próxima segunda-feira, 27, começará o que está a ser interpretado como “o verdadeiro julgamento”, já com a presença de alguns declarantes, Augusto Viana, excomandante da Divisão de Viana, e José Teixeira, um oficial da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC) que se espera venha a apresentar, em tribunal, a gravação da conversa que manteve com um polícia no terraço de um dos restaurantes de Viana, dias antes do homicídio.

A esperada conversa, segundo se comenta, reproduz depoimentos do arguido Domingos José Gaspar, que diz ter recebido ordens superiores com mais colegas de profissão para executarem o malogrado Joãozinho e silenciar o “caso BNA”. Este caso , como se sabe, envolve o desvio de avultadas somas do dinheiro encontrado pela Polícia em casa de um dos funcionários da instituição bancária em Viana e que, mais tarde, viria a ser supostamente descaminhado por Quim Ribeiro em benefício próprio.

Segundo o causídico que falou sob anonimato, “o réu é livre de responder e não responder às perguntas que lhe forem feitas em Tribunal, mas o referido silêncio não lhe retira nenhuma culpa”, avançando que a estratégia do silêncio pode prejudicar alguns réus que podiam ser absolvidos ainda nesta fase do processo. Na opinião do advogado, “o silêncio é uma espécie de defesa passiva, deixando a acusação a suportar a carga probatória”.

Contactada no fim da sessão desta quarta-feira, a fonte acrescentou que os réus, remetendo-se ao silêncio, põem em causa a plenitude da sua própria defesa, como é o caso“, porque no processo militar se notifica apenas o despacho de pronúncia e não da acusação, e o despacho da pronúncia delimita os factos a serem levados a julgamento”. Ou ou seja “o que está no despacho da pronúncia é que tem valor e não o que consta na acusação ”, pormenorizou.

Nesta senda, o homem de leis argumenta que os advogados de defesa devem aconselhar os seus constituintes a responderem às perguntas que lhes forem formuladas, para se evitarem condenações. Na óptica da fonte, a defesa dos réus pretende levar o caso ao Tribunal Constitucional, considerando ser um mau método de defender . “ É bom debater as questões em Tribunal nesta fase, do que fazer o contrário”, disse, em remate.

Ireneu Mujoco
24 - 2 -2012
 
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Comentários

  1. toni
    2012-04-18 08:43:12
    ocha la que quim ribeiro aprodessa na cadeia poque pessoa como ele merecem ser inforcados
  2. Bakongogenuino
    2012-03-15 11:22:29
    Esperemos que depois do caso quim ribeiro terminar, com os culpados no xadrez, que a p.g.r., retome o caso B.N.A.,pelos vistos este caso ja esta morto, e como diz o ditado o rico cada vez mais rico, e o pobre cada vez mais pobre.
  3. Bakongogenuino
    2012-03-15 11:12:41
    deixem o tribunal fazer o seu trabalho, os culpados serao responsabili
  4. Rui sousa
    2012-03-05 17:09:43
    Todo mundo e' inocente ate se provar o contrario,mas antes mesmo de ouvir a sentença de quím ribeiro gostaria de saber como ficou o caso trilhoes ,o inquérito da queda do edifício da dnic,saber das contas do afrobasket ( já pagaram ao riquinho ? ) ,como estão as contas do campeonato africano de futebol realizado aqui em angola etc .o quím e' mesmo Ribeiro ,entao o homem diz que tudo que se esta a passe a sua volta e' uma cabala e nao quer abrir a boca ,ele que diga tudo de uma vez ,assim vão todos gozar umas ferias e a gente muda de ares
  5. Domingos Daniel A. Lima
    2012-03-01 14:37:12
    Eu acho qui a justicia tem de ser feita. Então deixem que os homem de directo o fazem,porq podemos agora falar qui ele é ele não e depois ficamos com a mão na boca.E começamos a falar isso e calunha estam a acuçar o meu a b c ele é inocente. Nimguem melhor do Elis para resolver a situação
  6. El justiceiro
    2012-02-29 15:40:29
    Eu espero k justica sea feita entre factos, pro vas e conclusoes o eeeeeexxxxxx com andante Joaquim ribeiro mercer apanhar de 100 a 1000 Amos de jaula, ou cadeira electric..
  7. Pedro baptista
    2012-02-28 13:48:34
    O nosso povo ja esta cansado de ouvir casos identicos e depos fica em nada.se ja se fes o inquerito e o camarada e o responsavel entao seja condenado
  8. Modesto Ilunga
    2012-02-25 10:47:46
    Recurso ao artigo 23º da Constituição da República de Angola. A obediência pela Lei. Parafraseando o ex-comandante “Se eu falar não sei como é que o país acordaria no dia seguinte”. Analisando friamente essa frase, coloca em risco todas as instituições do Executivo angolano, por quanto se tivesse em consideração o patriotismo em primeira análise, desnecessário é ameaçar. Ponto 2, se no Tribunal é o lugar mais cómodo e seguro para se explicar tudo o que aconteceu, é óbvio que se diga a verdade, somente a verdade, para que a opinião pública, fique esclarecida para que se tenha a imagem verdadeira do até aqui o processo de cabala. Em parte os advogados devem como bem disse alguém, solicitar aos seus constituintes a usarem do poder de fala para responder tudo, mas tudo mesmo. Até porque todos são polícia. Digo bem que são, porque se os mesmos forem absorvidos pelo Tribunal que os julga, obrigatoriamente, devem ser reenquadrados na PN
  9. AVEMOS DE VOLTAR
    2012-02-24 14:02:56
    espero que a justiça seja feita, porque ninguém esta a margem da lei caso de prove a veracidade dos factos
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