Com a Rua 15 do Mártires de Kifangondo nitidamente dominada pelo comércio da imigração que veio do Oeste, persiste, porém, a actividade empresarial animada por angolanos. Uma espécie de resistentes empolgados, ou talvez não.
Numa das artérias perpendiculares à movimentada Rua 15 continua de portas abertas uma elegante boutique com nome de mulher: Telma Laurinda. Aproveitando o corrupio incessante, a balconista de serviço, Larice da Silva, ocupou temporariamente o corredor público frontal à loja, para atrair clientela: “São sapatos, ténis e outra mercadoria em promoção, a bom preço, por isso é que estão expostos aqui fora”, diznos com um sorriso.
Convida-nos a entrar e conhecer o interior da boutique. Na verdade, fica-se com a melhor impressão possível para um negócio naquele meio. Blazers, calças de ganga e uma gama diversificada de calçado, tudo colecções recentes a fazer furor em Portugal apesar da crise, é o que a pequena loja tem para vender.
Ao que tudo indica, uma aposta da proprietária que anda de vento em popa.
Larice da Silva, que diariamente se faz ao Mártires a partir do seu bairro de residência, o Prenda, confessa que a presença massiva de imigrantes nas redondezas não representa qualquer perigo para o negócio. “É o contrário. Eles estão lá com as suas cantinas dos Mamadous, os cibercafés, a venda de telefones, computadores, e nós aqui vendemos produtos diferentes. Cada qual tem os seus clientes”, afirma, confiante.
E diz mais: “Esses estrangeiros até nos compram muito; adoram o calçado português, as camisas, os pólos. São vaidosos e bons clientes”.