Rui Alves Machado, administrador e advogado da Gesti-Grupo, a holding a que pertence a Plurijogos SARL, reconheceu a O PAÍS que após a constituição do grupo, António Ferreira detinha 70 por cento, Kundi Paihama 20 por cento e os restantes repartidos entre Marcos João, Melquisedech Marques e José Fernandes.
De acordo com o causídico, esta divisão só foi feita para ajustar as exigências impostas durante a criação da sociedade, o que obrigava a um mínimo de cinco accionistas.
Apesar da existência dos três restantes sócios, na prática a divisão era de 50 por cento para António Ferreira e e o mesmo valor para Kundi Paihama. Marcos, Melquisedech e José Fernandes, apresentados como motorista, funcionário administrativo e o último como homem de mão do investidor luso, respectivamente, terão entrado para encher os espaços vazios que existiam aquando da composição da sociedade. “Se fosse verdade que ele tinha os 70 por cento nunca seria possível a empresa ser tutelada em paridade entre ele e Kundi Paihama”, acrescentou o administrador, acrescentando que “em 2008 foi criada a Gesti-Grupo, que é a holding e o próprio António Ferreira assinou um documento que está na DNIC e no Tribunal, onde, enquanto Presidente do Conselho de Administração, recebeu 100 por cento das acções da Plurijogos e as depositou num banco em nome da holding”.
Sobre a escritura tida como falsa e questionada actualmente pelo investidor luso, que há cerca de dois anos encontra-se radicado em Portugal, Rui Machado assegurou que “ela é nula”.
O administrador realçou a O PAÍS que o referido documento foi elaborado numa altura em que a empresa era gerida de um forma pouco profissional, em consequência das insuficiências administrativas que se vivia na época do conflito armado.
Terá sido redigido com algumas lacunas, imprecisões e o administrador Agostinho Rocha, o queixado, limitou-se apenas a assina-lo.
“Mas sobre a escritura foi realizada uma assembleia em que esteve António Ferreira. E todos os accionistas reconhecem a sua nulidade. E dado o facto que ele está ausente há mais de dois anos, foi afastado do cargo de PCA e nomeou-se uma nova administração, mas mantém-se como accionista”, afirmou Rui Machado, recordando que “ele recebe os seus dividendos mesmo estando a viver fora de Angola”.
O advogado e administrador da Plurijogos disse que ainda não teve contacto com este processo que, segundo apurou este jornal, está registado sob o número 439/2011-04. Mas ressalta que incide sobre um assunto que em 2002-2003 o próprio queixoso já se havia pronunciado.
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