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Kundi Paihama processa sócio por desvio de 25 milhões de dólares

O empresário angolano e ministro dos Antigos Combatentes, Kundi Paihama, apresentou no último final de semana uma queixa-crime contra o seu sócio português António Ferreira, com quem fundou a Gesti-Grupo, instituição que tutela a Plurijogos, detentora da marca Casinos de Angola.

Com o número 227/012 DCCOTP, atribuído pela Direcção Nacional de Investigação Criminal, consta do referido processo que o investidor angolano acusa o seu parceiro de furto e apropriação indevida de verbas quando António Ferreira foi administrador único e Presidente do Conselho de Administração da Finingest, Plurijogos e Gesti-Grupo. Segundo apurou O PAÍS, o ex-ministro da Defesa realça que o seu parceiro terá dado destino incerto a 25 milhões de dólares. Por isso, a par da queixa-crime, oportunamente será deduzido um pedido de indemnização cível.

O advogado Rui Machado, que representa Kundi Paihama, reconheceu a existência deste processo e salientou que possam surgir outros.

Segundo ele, a queixa contra o empresário António Ferreira, que se encontra ausente de Angola há cerca de dois anos, foi apresentada à DNIC pelo próprio general. “Como advogado não posso entrar em detalhes, mas o processo só surgiu agora porque antes tinha de ser feito um trabalho de averiguação e estudos dos processos dentro da empresa. Há fortes indícios de irregularidades”, contou, sem muitos pormenores, Rui Alves Machado, por sinal um dos administradores do grupo empresarial fundado pelo general Kundi Paihama e o cidadão português.

Em Dezembro de 2011, António Ferreira processou um outro administrador da empresa, no caso Agostinho Manuel da Rocha “Rochinha”, por este supostamente ter alterado a estrutura societária da Plurijogos com base numa estrutura apontada como sendo falsa (processo n.º 439/2011-04). A suposta falsificação, segundo António Ferreira, terá sido feita numa assembleia-geral para aumento de capital em que ele não esteve presente, mas os resultados encaminhados e reconhecidos posteriormente no Quinto Cartório Notarial da Comarca de Luanda indicavam o contrário.

Constituído em 2003, a Plurijogos, que detém a marca Casinos de Angola, tinha como accionistas o empresário luso António Ferreira (70 por cento das acções), o general Kundi Paihama (20%), José Marques Fernandes (5 %), Melquisedech Sebastião (2, 5 %) e Marcos de Carvalho João (2, 5 %).

Mas, na carta que os advogados de António Ferreira dizem ter enviado à Procuradoria-Geral da República em Angola, acusam “Rochinha” de ter usado a suposta escritura falsa para reduzirem a prestação do empresário luso de 70 para 20 por cento das acções da empresa de jogos.

Até mesmo a holding Gesti-Grupo, segundo o advogado do general, é detida por António Ferreira e Kundi Paihama com 37 por cento das acções cada.

 

Acusado reage

“A existir alguma acção judicial intentada pelo general Kundi Paihama, tal é um bom sinal pois significará uma alteração de postura na resolução de um caso de assalto ao poder de que fui vítima na Gestigrupo, completamente à margem das instituições e da lei angolana”, começou por dizer António Ferreira, em relação à queixa contra si.

O empresário salientou ainda que “uma possível acção só poderá ser interpretada como uma reacção à queixa-crime que apresentei em Dezembro de 2011 contra o homem de confiança do mesmo, Agostinho Manuel Durães (Rochinha), por celebração de escritura com declarações e documentos falsos”.

Ferreira acredita que esta aparente mudança de comportamento permitirá o escrutínio de toda esta situação pela sociedade angolana, nomeadamente pelos tribunais, sede onde os visados dispõem de direitos e possibilidades de defesa, em pé de igualdade.

“Recordo que até há pouco tempo nunca houve qualquer sinal ou vontade do general Kundi Paihama em resolver o diferendo pelas vias regulares, antes pelo contrário”, acrescentou. Ausente do país há cerca de dois anos, o empresário luso explicou ainda que desde 2009 tem sido impedido de estar representado nas assembleias-gerais da Gestigrupo, assim como não lhe tem sido fornecida qualquer informação preparatória das respectivas reuniões e outras a que diz ter direito.

O sócio de Kundi Paihama assegura ainda que “deixei um grupo empresarial auditado e com funções de fiscalização entregues a empresas multinacionais, com elevados padrões e standards de actuação”.

“Desde 2009 que não tenho acesso a remunerações nem a dividendos que me são devidos, nem a informação das sociedades do grupo que criei e desenvolvi. E tenho-a solicitado, com frequência, quer à gestão, quer à fiscalização das sociedades”, contou António Ferreira, adicionando que “fui alvo de pressões e ameaças ilegítimas várias que me pretendiam levar a desistir e a afastar-me do meu grupo empresarial. Este é o tipo de situação que não pode ocorrer, seja comigo nem com outro empresário”.

Na edição anterior, o advogado Rui Machado, igualmente administrador da Gestigrupo, a holding de que Kundi Paihama e António Ferreira são sócios, assegurou que o empresário português tem recebido os seus dividendos, apesar de estar ausente de Angola há muito tempo.

Dani Costa
18:28
 
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Comentários

  1. gorge fragata
    2012-04-21 22:30:38
    è muito bom saber que eles tiram do povo o dinheiro e os estrangeiros os roubam. Aonde tirou tanto dinheiro? por acazo nasceu em berço de ricos? è assim que todos eles vão acabar
  2. carlos simba
    2012-04-21 06:23:14
    ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de
  3. Alexandre Carvalho
    2012-04-20 18:49:07
    Este caso é igual a tantos outros em Angola.Infelizmente !! Kundi Paihama de simples guerrilheiro chegou a milionário.Admirável !
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