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Cinema

‘Outros Rituais mais ou menos’ exibido no Cefojor

Estreado no Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor), no âmbito das sessões de cinema às quartasfeiras organizadas pela Alliance Française de Luanda, é o mais recente documentário do realizador Jorge António.

A película acompanha o trabalho da coreógrafa Ana Clara Guerra Marques e da Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC) na preparação e ensaios para a Temporada 2009, que marcou o regresso aos palcos, após um longo interregno. A par da coreógrafa, o documentário contou com a participação de Nuno Guimarães, Abraão Kumba, David Mwa Mudiandu e os bailarinos da CDC Cemi Diamoneka, Adilson Valente, António Sande, Benjamim João, Divaldo Nunes, Zuni Kurty André Baptista, Armando Mavo e os bailarinos convidados Samuel Vilarinho e Rossana Monteiro Constituída em 1991 nas então estruturas do Ministério da Cultura sob a designação de Conjunto Experimental de Dança (CED), e integrada pelos professores e alunos de maior nível técnico da Escola Nacional de Dança, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC) fez a sua estreia no Teatro Avenida, em Luanda, a 27 de Dezembro do mesmo, com a peça A Propósito de Lweji.

A alteração da designação deste colectivo, o primeiro de dança profissional do género em Angola e um dos primeiros em África a produzir dança contemporânea, de CED para Companhia de Dança Contemporânea foi oficializada a 9 de Abril de 1993 por despacho do Ministério da Cultura, mantendo-se os mesmos integrantes, objectivos e metodologias de trabalho.

Com o propósito de divulgar a dança contemporânea dentro e fora do país através da apresentação regular de espectáculos, em regime de temporadas, a CDC procurou diferentes vocabulários e novas linguagens, como forma de expressão, no âmbito da pesquisa e experimentação, surgindo assim uma proposta de revitalização da cultura de raiz tradicional e popular, pela utilização dos seus elementos na perspectiva da criação de novas estéticas para a dança angolana.

Com obras como “Corpusnágua”, “Solidão” “1 Morto & os Vivos”, “Introversão versus Extroversão” ou “5 Estátuas para Masongi”, e com a intenção de tirar a dança dos convencionais palcos dos teatros, a Companhia de Dança Contemporânea introduz a utilização de espaços não convencionais como lugares com água, jardins, antigos locais de tertúlia ou galerias de arte, iniciando os espectadores em novas formas e conceitos de espectáculo.

Para estas criações trabalha em conjunto com alguns dos mais prestigiados escritores e artistas plásticos angolanos, entre os quais Manuel Rui Monteiro, Artur Pestana Pepetela, Frederico Ningi, Carlos Ferreira, Jorge Gumbe, Francisco Van-Dúnem Van, Masongi Afonso e António Ole.

A utilização da dança como forma de intervenção, exprimindo e revelando aspectos inerentes ao homem enquanto protagonista de uma multiplicidade de contextos, é outra das opções desta companhia como o reflectem Mea Culpa; Imagem & Movimento, Palmas, por Favor!; Neste País…; Agora não dá! ‘Tou a Bumbar… e Os Quadros do Verso Vetusto.

Fundada e dirigida desde o início pela bailarina e coreógrafa Ana Clara Guerra Marques que, acreditando na criação de uma dança contemporânea angolana a partir da sua herança cultural africana, efectua estudos de investigação e pesquisa em várias regiões de Angola, a CDC foi a responsável pela ruptura estética e formal da dança angolana, com dezenas de espectáculos produzidos e obras originais criadas. Para além das apresentações em Angola, a CDC representou a dança contemporânea angolana em vários países africanos vizinhos, na Europa e na Ásia, tendo o seu trabalho sido apreciado e testemunhado por milhares de espectadores.

Dez anos após a sua paralisação a CDC regressou em 2009, com a mesma vontade e determinação com que começou e venceu obstáculos passados, para recuperar um antigo projecto, agora com uma nova dinâmica e novas formas de suporte e de prolongamento da sua actividade. Com esta iniciativa, a CDC compromete-se a repor o profissionalismo em dança e a provocar novos olhares sobre aquilo que pode ser uma proposta para a dança contemporânea angolana, através de um profundo trabalho de investigação e reflexão sobre este domínio.

Augusto Nunes
24 de Abril de 2012
13:14
 
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