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Município de Belas

‘Barba-de-aço’ morre espancado

Eleidson Naval Santana e Barba-deaço eram tão amigos que até se ajudavam a desfazer-se de brigas contra pessoas de outras paragens do bairro.

Entretanto, uma pequena desavença entre si que, segundo testemunhas mais próximas, teria partido da necessidade de usar um meio de transporte estacionado no quintal do assassino, resultou numa grande briga com apenas um intervalo para o golpe fatal O falecido era bastante popular no bairro Quilómetro 30, nas proximidades do Ramiros, município de Belas e foi encontrado morto na manhã de Sábado, 21, no quintal localizado ao lado esquerdo daquela que servia como sua moradia, já que vizinhos o apresentaram como sendo filho adoptivo (desde os três anos) do proprietário do famoso quintal cor-de-rosa, uma situação que justifica bem o facto de estes não conhecerem o seu nome oficial.

O pseudónimo Barba-de-aço foi adoptado pelo malogrado, devido à postura ou looking com que se apresentava, baseado em barba comprida e quase desajeitada, à semelhança do grande pensador chinês Confúcio.

A descoberta do cadáver por parte dos habitantes do 30, como também é denominado o subúrbio que tem como referências principais o autódromo de Luanda e o Centro de Experimentação Florestal, vulgo floresta, do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), ligado ao Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca (MINANDERP) despertou alguma curiosidade pelo facto de o corpo de Barba-de-aço ter denunciado alguns sinais de grande agressividade, ao ponto de aparentar o olho direito furado.

Aliás, foram estes indícios que animaram a polícia de investigação criminal, chamada ao local, a cogitar que o falecido tinha sido violentamente agredido com materiais de construção pesados, como se presumiu, na ocasião, blocos de fábrica e varões de ferro, para além de marcas de cimento, bem cravados na pele, que já cedia ao impacto da violência de horas antes.

Entre as seis e às oito horas, período em que a enchente se notabilizou, a polícia ainda não tinha vedado a área onde se encontrava inutilizado o corpo de Barba-de-aço, o que motivava alguns circunstantes, sobretudo transeuntes, a aproximarem-se do muro de seis fiadas de bloco, deixando no chão nu mais um e outro rasto ou pegadas, para além dos do suposto autor do crime, que deviam ser minuciosamente pesquisados.

No entanto, a falha parece ter sido encoberta quando chegou o primeiro perito de investigação criminal, que ainda censurou os seus colegas pela falta de isolamento no lugar. Este apressou-se a medir a olho nu e através de outros meios as distâncias entre os quintais limítrofes do do malogrado e onde este foi depositado, depois de morto por espancamento, até ocorrer aos homens habituados a descobrir criminosos em igual natureza de crime abordar o pessoal afecto a um cidadão brasileiro, que se dedicava ao comércio numa cantina por si mandada construir, perto da qual adaptou um parque automóvel ou oficina mecânica e ao mesmo tempo está a erguer a sua residência.

Surpreendentemente, quando Eleidson Naval Santana, conhecido como filho do brasileiro, abriu a porta para os polícias, tendo-lhe sido questionado porque se mantinha fechado em casa, quando a maior parte dos moradores do bairro se esforçava para averiguar a triste notícia, que já proliferava no 30, começou a tremer, tendo-se confessado imediatamente como autor da morte daquele que, antes disso, podia considerar seu amigo, disseram os entrevistado de O PAÍS, que caracterizaram o infractor como sendo reincidente.

“Dizem que ele já se meteu em muitos sarilhos nas localidades onde viveu antes de vir parar aqui no Trinta”, informaram, reforçando algumas acusações, segundo as quais o jovem de que se aventa ter 23 anos de idade estava sempre em conflitos com outros juvenis da comunidade.

Curiosamente, os declarantes deste semanário não pouparam esforços para separar a maneira de ser de seu pai, dono da cantina, de quem testemunham uma personalidade acima da média, associada a um grau de convivência bastante justo e extensivo.

“Nem parece é o pai dele”, desabafaram, ao ponto de dizerem que os procedimentos de um e de outro não têm nada a ver.

Já houve vezes em que o falecido passava dificuldades que tinham a ver com alimentação, água e, algumas vezes, dinheiro, e foi o brasileiro que ligou para o dono do quintal onde Barbade-aço dedicava guarida, a fim de ir socorrê-lo. Quando tardasse a chegada do patrão, o que era muito difícil, o “brazuca” encarregava-se do jovem.

Contaram ainda que Eleidson já se metia em muitos sarilhos naquelas paragens do Quilómetro 30 e no vizinho bairro Ramiros, onde estava proibido de escalar, para não cair na rede dos jovens vingativos, os quais ele mesmo tinha torturado na “sua área de jurisdição”.

Vizinha alega feitiçaria

Uma vizinha do assassino confesso, que pediu para o seu nome não ser citado, alegou que Eleidson aparenta ter um comportamento digno, devido ao seu bom sentido de humor com que se prontifica no trato para com as pessoas por si desconhecidas. Por isso, a senhora aventa que ele, como se identificava sempre como bom futebolista, teria recorrido às macumbeiras (feiticeiras do Brasil), para lhe reforçarem as ambições desportivas.

“Mas essas coisas de feitiço, há quem não lhe dá bem, ou porque tem um espírito forte, ou porque não cumpre com as exigências acordadas”, calculou a fonte, tendo revelado que o rapaz dizia ter passado por equipas brasileiras, de Benguela e de Luanda, e que nunca se predispôs em precisar de quais se tratavam.

Para dar peso às suas alegações, informou que se apercebeu que o jovem de 23 anos já esteve ligado a casos de crimes nas localidades por onde passou, mas nunca sofreu uma pena dura, por razões que a própria desconhece.

Outro pormenor de que se serviu a vizinha do assassino confesso para demonstrar que os seus cálculos estavam mais próximo da verdade teve a ver com o facto de o filho do brasileiro não se ter desfeito dos rastos do assassinato.

“Apesar de não ter confessado logo logo o seu protagonismo na morte do Barba-de-aço, foi ele que veio chamar-nos e disse que o outro estava morto, tendo-nos pedido para irmos vê-lo”, narrou, acrescentando que, na manhã de sol aberto de Sábado, 21, quando o estavam a meter no carro da polícia, ele estava a tremer todo, da cabeça aos pés, uma reacção que, para a vizinha demonstrou claramente um sentimento de culpa e de arrependimento total.

Desfazendo-se do lado da conversação que levava o garoto, como o intitulou, para a posição de criminoso profissional, a entrevistada disse que não entendeu como é que ele chegou a matar o seu próprio amigo.

A inquietação da fonte no concernente obrigou a equipa de O PAÍS a perguntar se entre os dois nunca tinha havido discussões ou brigas que indicassem o começo de uma inimizade, ao que ela respondeu positivamente, já, tendo minimizado que se tratavam de desavenças costumeiras, normalmente fruto de apostas ou dados informativos ligados ao mundo desportivo, que constituía o prato de conversa preferida do filho do brasileiro.

De acordo com a fonte, a detenção do assassino confesso efectuou-se graças a um oficial da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), destacada no autódromo de Luanda, que, posto no local, interditou, de forma indirecta, a saída dos moradores da rua onde aconteceu o assassinato.

‘Entregámos o criminoso ao comando de Talatona’

Contactada que foi a direcção da esquadra do Ramiro para entender sobre o processo e o destino do criminoso-confesso, esta não aceitou prestar qualquer depoimento, tendo alegado que só o faria se recebesse autorização do comando de divisão em Talatona, para onde encaminhou o assassino.

“Já entregámos o criminoso ao Comando de Divisão de Belas”, revelaram, lacónicos.

O PAÍS soube, por intermédio de pessoas que aguardavam fora da esquadra para serem chamadas a resolver problemas de seus parentes, que, minutos antes da equipa de reportagem deste jornal entrar, o pai do culpado, o ‘brasileiro’ como é tratado pelos moradores do bairro Quilómetro 30, tinha estado ali, certamente para saber da evolução do caso.

“Achamos que o informaram que o filho já tinha sido encaminhado para Talatona”, disseram, cogitando ter sido esta a razão que obrigou o ‘brasileiro’ a não permanecer por muito tempo na esquadra do Ramiro.

Do porta-voz do Comando provincial de Luanda, Nestor Goubel, O PAÍS apurou que Eleidson Naval Santana, o assassinoconfesso, está detido e de si não se comprovou nenhuma envolvência em actos do género anteriores, como se cogita entre os populares do Trinta.

Quanto à história do assassinato de Barba-de-aço que chegou ao comando do Talatona, consta que o malogrado trabalhava como empregado no quintal do ‘brasileiro’ e que, na noite de Sexta-feira, 20, não deixou Eleidson Santana sair com o camião do pai, atitude que o teria enfurecido, ao ponto de se atirar contra este, até o imobilizar totalmente.

Nos últimos dias, o bairro Quilómetro 30 tem sido alvo de assaltos frequentes a cantinas, preferencialmente às dos chamados Mamadou, que se vão afirmando na área, mas, depois de apanhados os infractores pela polícia que ronda na área, são postos em liberdade, ora por serem menores de idade, ora por outras vias, segundo disseram os estrangeiros da África do oeste abordados por este semanário.

2 - 5 -2012
 
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Comentários

  1. JB
    2012-05-03 14:49:28
    Já o redigi e vocês engoliram-no
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