Jovens estudantes de vários países africanos poderão contar ainda no decurso do presente ano com uma instituição do ensino superior denominada Universidade Pan-Africana, com o objectivo de responder aos desafios de formação de quadros para o continente.
A entrada em funcionamento dessa instituição de ensino superior no continente, que irá funcionar com cinco pólos, em igual número de países, foi já discutida em reuniões anteriores dos ministros da Educação, sob a égide da União Africana, ganhou sustentação em Abuja, no final do mês de Abril, no decurso da 5ª Conferência dos ministros da Educação.
O assunto ficou definitivamente arrumado quando os ministros de Educação dos 54 Estados membros da União Africana subscreveram o memorando, que teve o agrement dos peritos enviados para o efeito.
A Universidade Pan-Africana tem cinco Pólos distribuídos pelo continente, sendo um para cada região geográfica, com unidades nos Camarões, Quénia, Nigéria, Argélia e na África do Sul.
Os Camarões, com a Universidade de Yaondé, vai atender a região da África Central, acolhem os cursos de Ciências Sociais, Letras e Governação.
A Nigéria, Universidade de Ibadan, ficou com os cursos de Ciências da Terra e da Vida (geo-ciências), a África do Sul, cuja universidade ainda não está definida e que vai atender a região da SADC, deve albergar o curso de Ciências Espaciais.
A Universidade da Argélia, pela África do Norte, vai administrar os cursos de Ciências Hídricas e Energética, enquanto a Universidade Jomo Kenyatta, do Quénia, pela África Oriental, ficou com a responsabilidade pelos cursos de Agricultura, Ciências básicas, Tecnologias e Inovação.
Para o arranque da Universidade Pan-Africana, as candidaturas dos estudantes iniciam-se a 30 de Junho, devendo encerrar a 30 de Julho, com o início efectivo das aulas previstas para 30 de Setembro do corrente ano.
Os peritos acham que estão criadas as condições para o arranque do concurso para a admissão de estudantes dos diversos países africanos, assegurada que está a questão da mobilidade docente, um assunto também abordado nesse conclave.
Na Conferência dos Ministros da Educação de África (COMEDAF), foi discutida com muita acuidade, a necessidade de se efectuarem novas pesquisas em Ciências Sociais no continente.
O que se pretende é que essas pesquisas sejam efectuadas ou lideradas por gente originária de África, com vista a se corrigirem as distorções criadas pelos cientistas sociais do Ocidente, que no passado, aquando das redacções da História do continente, tinham pouco ou nenhum apreço pelos valores africanos.
O objectivo é ajudar a renovar a educação e o ensino da História de África, destacando a herança comum dos povos africanos e, através desta, promover o entendimento regional, a integração e a paz.
Nesse momento o Instituto EBENA está a implementar o processo de compilação de um livro sobre a História de África, o que foi vivamente aplaudido pelos presentes na V COMEDAF.
Ainda assim, os participantes acham ser importante desenvolver a capacidade dos Estados africanos para dirigir a agenda de Educação, utilizando estruturas como redes e centros temáticos para abordar os domínios das Ciências Sociais para a África de uma forma holística.
O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) foi solicitado a acelerar o seu financiamento às actividades educacionais para a África, à luz da escassez de fundos, ao mesmo tempo que os Estados membros foram convidados a apoiar o financiamento desse programa.
A Nigéria, na sua qualidade de presidente da V COMEDAF, ficou com a incumbência de pedir ao seu Presidente da República, Goodluck Jonathan, para levantar a questão da Educação e torná-la num foco contínuo, para além dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, na Cimeira dos Chefes de Estados e de Governos da União Africana, prevista para Julho do corrente ano, no Malawi.
Angola foi eleita, em Abuja (Nigéria), membro do comité director da Conferência dos Ministros de Educação de África (COMEDAF), ocupando a cadeira de segundo vice-presidente da agremiação, representando a região Austral do continente, a SADC.
A eleição de Angola para esse cargo a nível da agremiação continental aconteceu no decurso dos trabalhos da V Conferência dos Ministros de Educação de África que ha decorreu, em Abuja, no final de Abril.
Deste modo, por inerência de funções, Angola passa a ter assento na Associação de Desenvolvimento da Educação em África (ADEA), órgão executivo da COMEDAF, até 2014.
O vice-ministro da Educação para o Ensino Técnico-Profissional, Narciso dos Santos Benedito, que participou dos trabalhos, em representação do titular da pasta, Mpinda Simão, mostrou-se satisfeito com a eleição e sublinhou que é um cargo que vai dar grande visibilidade ao executivo angolano.
De acordo com suas palavras, um dos aspectos que concorreu para a eleição de Angola teve a ver com o facto de os membros da SADC registarem com agrado as melhorias no crescimento das infra-estruturas educacionais, nos últimos três anos, apenas superada pelas Ilhas Maurícias, o que lhe valeu a segunda vice-presidência.
Instado a justificar as vantagens do cargo alcançado, o vice-ministro da Educação para o ensino TécnicoProfissional disse que do ponto de vista político, é uma vitória da diplomacia angolana.
Segundo o governante, a eleição de Angola para a vice-presidência da COMEDAF é uma demonstração dos esforços do executivo na melhoria da qualidade do ensino, bem como da qualidade dos seus professores.
Para ele, a partir de agora, as responsabilidades de todos os actores do sistema de educação e ensino no país, bem como do executivo angolano aumentam, na medida em que, passará a ter maior visibilidade a nível do continente africano.
A Nigéria assume a presidência da agremiação, os Camarões ocupam a primeira vice-presidência, enquanto a Argélia está com a terceira vicepresidência. O Quénia é o relator.
Cada um dos países eleitos para o comité director da COMEDAF vai responder pela respectiva região geográfica em que está inserido, a nível da Associação de Desenvolvimento de Educação de África (ADEA).
A reunião decorreu sob a égide da Conferência dos Ministros da Educação da União Africana (COMEDAF) com a participação dos parceiros de desenvolvimento, das agências de ajuda, dos órgãos especializados da Comissão da União Africana e de outros actores interessados na problemática do sector.
A COMEDAF é um fórum bienal durante o qual os ministros da Educação dos 54 países membros da União Africana discutem o desenvolvimento continental e sub-regional e debruçam-se sobre os meios para a sua melhoria através da educação.