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Organização Não Governamental

Kimbo Lombebwa envia 50º grupo de crianças deficientes à Alemanha

A Organização Não Governamental Kimbo Liombembwa, em parceria com a Friedensdorf International, procederá, entre os dias 8 e 11 de Maio, ao envio do 50º grupo de crianças à cidade de Dusseldorf, na Alemanha, para serem submetidas a diversos tratamentos médicos.

Para além deste grupo, há ainda um outro, de mais 75 crianças, que se encontravam a beneficiar de tratamento médico naquele país desde Novembro do ano passado. Refira-se que a organização já chegou a levar uma média de 70 a 100 crianças que necessitavam de tratamento urgente.

O voo trará ainda várias toneladas de medicamentos e equipamentos que assegurarão a continuação do tratamento dos anteriores pacientes.

Segundo uma nota de imprensa da Friedensdorf International chegada a nossa redacção, encontra-se no nosso país desde o mês passado uma equipa de especialistas desta organização a trabalhar com a sua congénere angolana na selecção das pacientes.

As crianças receberão cuidados médicos em diversos hospitais alemães e, durante a fase de reabilitação, passarão algum tempo na aldeia da Friedensdorf em Oberhausen, antes de retornarem ao nosso país.

Esta iniciativa tem sido bem acolhida por diversos hospitais alemães, que se prontificam a apoiar a operação humanitária, tratando e operando os pequenos sem obter qualquer remuneração.

Desde o inicio das suas activida

des, em 1994, a ONG alemã ofereceu a centenas de crianças a oportunidade de voltar a ter uma vida saudável e independente. “Um importante elemento desta ajuda humanitária da Friedensdorf é a longa e confiante cooperação com a organização angolana Kimbo Liombembwa, a qual há mais de dez anos (…)”, lê-se no documento.

A Friedensdorf considera ser imprescindível o apoio que tem sido prestado pela Embaixada da Alemanha em Angola para a celeridade que se regista na emissão dos vistos de entrada bem como na tramitação de outros assuntos de ordens formais.

“No entanto, ainda com toda a experiencia acumulada, não se pode deixar que esta se torne uma rotina.

Salvar a saúde e, muitas vezes, a vida das crianças que na sua pátria não têm esperança de ser ajudadas não pode ser assunto diário. Mesmo quando as doenças, ferimentos e destinos de muitas crianças sejam semelhantes, cada criança tem por si uma história única, a qual, durante algum tempo, se passará com a Friedensdorf na Alemanha”, diz a organização.

A história da Friedensdorf em Angola teve início numa altura em que o país se encontrava no 19° ano de uma sangrenta guerra civil. Mesmo assim, em Janeiro de 1994, foram evacuadas as primeiras crianças angolanas para a Alemanha, onde receberam tratamento médico, regressando depois para os seus pais.

No documento que vimos citando, esta ONG considera que o quadro clínico das crianças modificou-se ao longo dos anos. No início do milénio, eram principalmente ferimentos resultantes dos efeitos da guerra, actualmente são doenças causadas pela carência.

“Embora Angola tenha vivido nos últimos anos um enorme crescimento económico e a sua capital Luanda se tornasse numa das cidades mais caras do mundo, mais de metade da população angolana vive abaixo do limiar da pobreza. A mortalidade infantil é uma das mais altas do mundo. Estes dados dramáticos mostram a enorme necessidade de auxílio, a qual a Friedensdorf tenta atenuar com o seu trabalho”, defende.

O envio de crianças à Alemanha remonta desde os tempos de existência da ONG Acção Angolana para o Desenvolvimento (AAD), já extinta, que, entretanto abriu alas para a KimboLiombembwa, que dá sequência às operações.

Em África, a Friendensdorf International mantém apenas cooperação com a Angola, tendo no passado estendido a sua acção em alguns países, como os Camarões e Nigéria.

A Friendensdorf International é responsável pelo envio das crianças angolanas à Alemanha, são eles que asseguram a logística no terreno, contactam os médicos e os hospitais e fretam as aeronaves para o transporte dos doentes.

A sua parceira angolana trata de toda a tramitação para a viagem, recolhe as crianças nos seus locais de origem e assume a devolução aos respectivos familiares após ao regresso.

Paulo Sérgio
15:42
 
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