A informação foi confirmada por um responsável norte-americano e a CNN avançou que Chen Guangcheng está já numa “unidade médica” na capital chinesa onde se irá reencontrar com familiares. As autoridades dos EUA admitiram na quarta-feira oficialmente, pela primeira vez, que receberam o activista chinês Chen Guangcheng na embaixada norteamericana em Pequim.
“Estamos a falar de um caso que é uma excepção, que envolve circunstâncias excepcionais, e não acreditamos que se voltará a repetir”, explicou um dos responsáveis da embaixada, que falou à agência Reuters sob a condição da sua identidade não ser revelada.
O mesmo responsável avançou que Chen pretende permanecer na China e que as autoridades norte-americanas vão acompanhar a sua situação.
China exige pedido de desculpas O ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, em comunicado citado pela Xinhua, exigiu um pedido de desculpas aos Estados Unidos, por ter sido dado refúgio ao dissidente, e alegou que o activista foi levado para a embaixada através de “meios anormais”, considerando tal uma “interferência inaceitável” nas questões internas da China.
A fuga do dissidente, que é cego, e o subsequente refúgio na embaixada dos Estados Unidos levou oficiais da Administração norte-americana e dirigentes do Governo da China a reunirem-se informalmente e a trabalhar em contra-relógio para encontrar forma de este caso não contaminar as relações bilaterais dos dois países – numa altura em que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, leva a cabo na China conversações de alto nível com as autoridades de Pequim.
Chegou a ser colocada a hipótese de negociação de um acordo para atribuir asilo político ao activista.
Crê-se que Chen Guangcheng tenha estado na missão diplomática norte-americana desde que conseguiu fugir, na semana passada, mas nem Washington nem Pequim confirmaram oficialmente a sua presença na embaixada.
A agência Xinhua especificava nesta manhã que o activista entrou e saiu da embaixada “por sua própria vontade”, ao fim de seis dias. Chen Guangcheng foi colocado em prisão domiciliária em 2010, após quatro anos passados na prisão pelos crimes de danos contra propriedades e interrupção do trânsito. O activista fazia campanha contra as práticas de abortos forçados e esterilizações na cidade de Linyi, na província de Shandong, quando as autoridades locais impuseram a política nacional de um só filho por família.
Entretanto, o célebre activista chinês Chen Guangcheng, conhecido pelas denúncias de abortos forçados no país, afirmou que só abandonou a embaixada dos Estados Unidos em Pequim depois de as autoridades chinesas terem ameaçado espancar a sua mulher até à morte.
As circunstâncias da fuga de Chen – que, apesar de ser cego desde a infância, iludiu as dezenas de guardas que controlavam os seus movimentos – começaram por ser o principal problema para as autoridades chinesas, mas a chegada a Pequim da secretária de Estado norte-americana centrou a questão no momento que o activista escolheu para escapar.
“Fico muito feliz por termos contribuído para a permanência e para a saída de Chen Guangcheng da embaixada de uma forma que reflecte as escolhas dele e os nossos valores”, declarou Clinton, frisando que o activista, de 40 anos, “tem uma série de acordos com o Governo chinês sobre o seu futuro, incluindo a oportunidade de prosseguir os estudos em segurança”.
A secretária de Estado ressalvou, porém, que “tornar estas intenções uma realidade é um passo essencial.
O Governo dos EUA e o povo americano estão empenhados em acompanhar a situação de Chen e da sua família nos próximos dias, semanas e anos”.
Mesmo antes de ter sido conhecida a reviravolta na notícia, nem todos acreditavam que Chen iria ficar no país. “Se ele quisesse ficar e se o Governo norte-americano acreditasse nas promessas, o resultado final seria muito difícil de imaginar”, escreveu no Twitter o seu advogado e amigo, Teng Biao. Wang Songlian, dos Defensores dos Direitos Humanos Chineses, foi ainda mais directa: “Se ele ficar na China, as promessas não são muito encorajadoras, porque o Governo tem um histórico de não honrar a sua palavra em termos de direitos humanos.” A mesma activista recordou que a maior parte da família de Chen vive na província de Shandong, na zona oriental do país, e que “ as autoridades podem retaliar através de detenções ou da