O magnata da comunicação social, Rupert Murdoch “fechou deliberadamente os olhos” ao caso das escutas ilegais efectuadas por um dos seus tablóides e não é “apto” para dirigir um grande grupo económico, conclui a comissão de inquérito parlamentar britânica que ao longo de quase dez meses analisou este escândalo.
“Rupert Murdoch fechou os olhos e deu provas de uma cegueira deliberada” sobre as escutas ilegais do News of the World, lê-se no relatório dos deputados que concluem que o milionário australiano não deveria estar à frente de um grande grupo de media como é a News Corp.
Os deputados também consideram que o filho de Rupert Murdoch, James (que dirigia a filial britânica do grupo) demonstrou uma “ignorância intencional” sobre a dimensão da prática de escutas ilegais entre 2009 e 2010 feito por aquele que era então o jornal mais vendido do Reino Unido e que foi encerrado em 2011.
Políticos, figuras públicas, estrelas de cinema e até vítimas de crimes foram escutados ilegalmente pelo jornal, sempre em busca de notícias bombásticas para colocar na primeira página.
“O News of the World e a News International (filial britânica da News Corp) enganaram a comissão sobre a verdadeira natureza e extensão das investigações que eles dizem ter efectuado sobre as escutas telefónicas”, lê-se no texto.· A conclusão sublinha que cabe agora aos deputados decidirem “que sanções devem ser impostas àqueles que trataram a comissão com desprezo”.
Rupert Murdoch, de 81 anos, compareceu perante esta comissão em Julho de 2011 acompanhado pelo filho, James, que foi convocado uma segunda vez em Novembro. Constituída por 11 deputados, a comissão de media, conduziu a sua investigação e as suas audiências paralelamente a outros três inquéritos, conduzidos pela polícia, por uma comissão independente e pelo regulador da comunicação social, o Ofcom.