O rganizada sob os auspícios do Ministério da Cultura em parceria com a Companhia de Dança Contemporânea, a acção formativa que decorre no Salão multiusos da LAASP junta jovens de diferentes faixa-etárias.
A formação com término previsto para o dia 12 deste mês, visa transmitir as diversas linguagens técnicas e possibilidades criativas desta expressão artística, auxiliando no estabelecimento de critérios do bom gosto.
Confiantes nos êxitos da formação, a organização acredita que a referida Oficina minimizará a ideia de que a dança apenas se destina à recreação, uma vez que a apresentará enquanto área de saber e produto de actividade intelectual. A par desses e outros factores, a oficina propõem-se fornecer princípios básicos técnicos e teóricos para o incremento do nível de conhecimentos e de rigor necessários à prática da dança, desenvolver a capacidade de assimilar as diferentes técnicas de treino, métodos e pressupostos teórico-práticos para o estímulo à criatividade em dança.
Além de melhorar a prestação artística e técnica de todos os participantes, a oficina irá estimular a reflexão e a sensibilidade estética, proporcionando-lhes o alargamento do seu olhar sobre a dança, no que diz respeito aos valores estéticos e culturais.
A jornada comemorativa teve início domingo último na Galeria Celamar, Ilha de Luanda, com diversas sessões, entre as quais, de dança, conversa sobre dança e sessões de aulas livres, envolvendo professores e bailarinos.
As mesmas foram igualmente orientadas pela coreografia de Ana Clara Guerra Marques, que ao anteceder as actividades fez um breve rescaldo, dando o ponto de situação da dança e tendo recordado, na ocasião, que a data foi instituída pela UNESCO, a 29 de Abril de 1982, em homenagem a Jean-George Noverre (1727 – 1810) cujas reformas determinaram transformações essenciais para a imposição da dança como forma artística independente.
Dado o seu estatuto original, a coreografa salientou que a dança em Angola estabelece-se enquanto agente de integração e preservação de um sentimento identitário e de comunidade. A sua presença no nosso quotidiano é constante e é resultado de um quadro cultural propício à absorção de estruturas rítmicas desde a nascença, ligação que é fortalecida por uma participação permanente nas diversas celebrações sociais.
“Temos um terreno fecundo onde germinam distintos géneros de dança que envolvem diferentes contextos, significados e formas, conciliando o seu carácter de comunicação religiosa, ritualística ou curativa, com o lado recreativo e de intervenção social”.
Não se circunscrevendo a um único universo, a dança abraça desde as manifestações de âmbito ancestral e popular, a outras expressões como as linguagens artísticas, académicas, contemporâneas e as de cariz urbano com vida mais efémera.
A diversidade e a originalidade constituem dois pontos de caracterização das novas linguagens da dança.
Assim, a convivência entre a tradição e a actualidade é possível, já que a transferência de contextos propõe novos desafios que acompanham a própria evolução social. Por se tratar de uma actividade motora exclusivamente humana, a dança funda-se no movimento e possui sempre a intenção de comunicar. Por se manifestar em vários planos, a sua definição não pode excluir um enquadramento sóciocultural e político.
Recordou que a Escola é um viveiro, onde são reveladas as conquistas técnicas, teóricas e filosóficas da dança e facultadas as ferramentas reconhecidas, universalmente, como indispensáveis para um desenvolvimento artístico integral.
Por seu turno, o vice-presidente da União Nacional dos Artistas e Compositores, para a área da dança, Maneco Vieira Dias, reiterou a necessidade do fomento de escolas especializadas de dança em todo o país de modo a facilitar o desenvolvimento da actividade nas mais variadas vertentes artísticas.
Advogou igualmente a necessidade de se implementar uma forte intervenção ao nível da investigação científica, visto existirem ainda poucas iniciativas para a exploração do grande acervo da cultura angolana.
Admitiu ter havido uma acentuada redução na produção e criação artística, aliando-se a isso a perda de espaços de intervenção e o reduzido apoio aos dançarinos. Ao pronunciarse sobre o surgimento de novas centralidades um pouco por todo o país, defendeu igualmente a necessidade de as mesmas incorporarem casas e palácios de cultura para que os artistas possam ter trabalho permanente e espaços condignos para exibir as suas performances.
Recorde-se que a dança é uma das três principais artes cénicas da antiguidade, ao lado do teatro e da música.
Oficina sobre Métodos de Composição Coreográfica na Dança Folclórica e Contemporânea conta com a orientação das formadoras, na Clara Guerra Marques, Mestre em Performance Artística, professora de dança e coreógrafa, Caridad Morales Alderete, licenciada em Teatrologia e Dramaturgia e Mestre em Desenvolvimento Cultural, e Maritza Lopez Gonzalez , igualmente professora de dança, licenciada em Arte da Dança com especialização em Dança Folclórica.