A Federação Angolana de Futebol (FAF) vai obrigar o uso de desfibriladores no próximo ano, segundo um comunicado tornado público esta quintafeira, na sequência da reunião de trabalho com os responsáveis dos clubes do Girabola, para entre outras coisas discutir o reajustamento da décima primeira jornada face aos compromissos dos Palancas Negras.
A importância do desfibrilador no desporto, em particular no futebol, cresceu com o episódio do jogador do Bolton da Inglaterra, Muamba, socorrido com esse aparelho, no dia 17 de Março, quando este desfaleceu em pelo jogo frente ao Tottenham para o campeonato inglês, Primier League.
Para alguns cardiologistas, o desfibrilador contribuiu decisivamente para salvar o jogador inglês de origem congolesa. O uso desse aparelho e a bem sucedida assistência médica elevou a importância desse aparelho e despertou o mundo do futebol, incluindo Angola.
É na sequência disso que a Federação Angolana de Futebol (FAF) vai tornar obrigatório o uso do desfibrilador. Actualmente não há qualquer obrigação dos clubes, segundo o presidente do Conselho Técnico da Federação Angolana de Futebol, Nando Jordão.
Em declarações a OPAÍS nesta terça-feira, Nando Jordão diz conhecer a importância do uso desse aparelho, porque viu morrer o jogador do Interclube em 2006, quando treinava a Selecção Olímpica.
“Recordamos todos com muita mágoa a morte súbita do nosso jogador no Congo Brazzaville, onde nos encontrávamos a fazer jogo de preparação. Creio que se tivéssemos um aparelho por perto, talvez ainda tivéssemos hoje connosco o Emílio”, disse.
Para o Presidente do Conselho Técnico da Federação Angolana de Futebol o aconselhável era que em estádios com dez mil espectadores tivesse no mínimo dois desfibriladores, pois contar apenas com jogadores mas com o público também.
O PAÍS foi saber a opinião do Centro de Medicina Desportiva e dos Bombeiros, instituições com intervenções directa no desporto e no futebol, em particular. A primeira tem a responsabilidade de fazer os exames médicos no início da época ou da segunda volta do Girabola e a segunda tem estado em todos os jogos para qualquer situação em que possa ser necessário.
As paragem cardíacas, que muitas vezes resultam em mortes súbitas dos atletas de alta competição inquieta as o Instituto Nacional de Medicina do Desporto (INMD). A afirmação é de Alcides Silvano, o director do referido órgão.
Em entrevista exclusiva a O PAÍS, o responsável disse que, tendo em conta os vários casos sucedidos nos últimos anos (realce para a morte do jogador italiano do Livorno, Piermario Morosini e de Fabrice Muamba, do Bolton da Inglaterra, que por poço não morreu), a instituição tem promovido algumas acções de formação dirigida particularmente aos médicos e aos profissionais ligados ao desporto.
Alcides Silvano realça que é importante que as entidades desportivas insistam na avaliação contínua medico dos seus atletas, pois é a única forma de avaliar se o jogador está apto ou não para a prática desportiva.
“Esta avaliação médica tem em vista o diagnóstico de qualquer situação médica que possa constituir um risco para a prática do desporto, quer de recreação, quer de alta competição. Se não for encontrado uma anomalia, uma vez submetido o exame, ele é liberado e, em princípio está excluída a liberdade de haver risco de morte com a prática do desporto”, explica.