Em fim do segundo mandato consecutivo, Eduardo Kwangana, o actual líder do Partido de Renovação Social (PRS), concorrerá à sua própria sucessão durante o congresso aprazado para 28 e 29 de Maio, por não ter havido outros candidatos.
No dia 6 deste mês, terminou o prazo para a apresentação de candidaturas e só aconteceu a do actual líder, de acordo com dados fiáveis comunicados a O PAÍS por Joaquim Nafoia, porta-voz indigitado do próximo congresso.
“As candidaturas estiveram abertas de 1 até 30 de Abril, depois prolongouse mais até ao dia 6 de Maio, a única que deu entrada é a do actual presidente, daí que dizemos que concorrerá à sua própria sucessão, depois de terem esgotados os dias disponíveis para a apresentação de outras ”, explicou o político dos renovadores sociais.
Joaquim Nafoya disse que a ausência das candidaturas de outros militantes pode ser entendida comoo corolário de um momento da coesão interna do PRS que está apostado em unir fileiras numa só candidatura de alguém já com algum dirigismo político-partidário, sobretudo nesta fase que se vai às eleições do que aparecerem tantos com o simples objectivo de ser presidente do partido para “ inglês ver”.
Segundo a fonte, atendo-se aos estatutos do partido, as candidaturas para a liderança estavamabertas a todos os que pretendessem fazê-lo desde que reunissem os requisitos exigidos, mas “ninguém mais apareceu senão o próprio presidente cessante que decidiu concorrer para mais um mandato, o terceiro eúltimo”.
Sob o lema: “Unir para vencer ”, o conclave reunirá651 delegados de todas as províncias. Foram já realizadas as conferências municipais e provinciais em todo o país, restando apenas as províncias do Bengo e Uige, cujos encontros estavam previstos para esta semana, segundo Joaquim Nafoia.
Por questões de ordem logística e financeira, não participarão neste congresso os delegados que vivem no fora de Angola, nos países em que o PRSpossui núcleos, designadamente na República Democrática do Congo (RDC), República do Congo, Zâmbia, Namíbia, África do Sul, Portugal, França, Alemanha e Brasil. Só poderão participar os que o usarem meios próprios, mas o número de delegados ao evento não será alterado.
Durante o congresso serão debatidas questões como estratégia eleitoral do partido, situação sócio-económica do país, aprovação do relatório de contas do quinquénio 2006/2011,a eleição de novos órgãos internos ( presidente do partido e o Comité Central).
“Em princípio são estes assuntos que estão agendados para serem discutidos, se calhar poderá ser acrescentado um ou outro, mas por enquanto são estes”, esclareceu.
Na região de Benguela, considerada pelo PRS a sua segunda praça eleitoral,o partido de Kwangana não quer deixar os seus créditos por mãos alheias,como aconteceu nas eleições anteriores (1992 e 2008), nas quais perdeu parao partido no poder, a quem desta vez, em Agosto, pretende vencer para inverter a situação e conquistar pela primeira vez deputados à Assembleia Nacional(AN) ao nível desta província.
“Desta vez se não houver o que sucedeu nos pleitos anteriores, o PRS vai conquistar cinco deputados em Benguela. Isto não é sonhar alto e nem sequer propaganda política, mas a realidade nos indica que estamos em condições de ganhar eleições cá e mais nada!”, admitiu o secretário provincial, Rui Malopa Miguel.
E como sonhar não é proibido, Rui Malopa assegurou a este jornal que o PRS em Benguela está a trabalhar afincadamente para que consiga vencer folgadamente: “Desta vez vamos alcançar o nosso propósito e estamos confiantes que vamos triunfar, temos fé e esperança nisso”, sustentou.
Ciente da vantagem política que o MPLA leva em Benguela, como sendo um dos seus principais bastiões, oumesmo a UNITA que a tem como uma outra praça eleitoral, depois do Huambo, o político do PRS disse não temer “quem quer que seja, porque há trabalho de base, e é nesta sendaque temos vindo a crescer todos os dias engrossando as fileiras do nosso partido”, contou. Face a esse crescimento, hoje, segundo o nosso interlocutor, a Baía Farta pode-se considerar um município onde o seu partido possui um elevado número de adeptos.
“Em 1992 não tínhamos o número de militantes que temos hoje nesta região. Temos muito mais, assim como também noutros municípios”, afirmou. Para ele, “se houver transparência, lisura durante o processo eleitoral deste ano, evitando o que ocorreu em anos atrás, quero acreditarque o PRS vai conquistar o eleitorado de Benguela, embora haja também outras formações que pretendam fazer o mesmo”, reiterou.
Apelouà Comissão Nacional Eleitoral (CNE) que exerça o seu papel de fiscalizador com isenção e justiça para se evitarem eventuaisacusações de fraudes eleitorais.
Segundo Rui Malopa, só cabe a esta instituição garantir um pleito eleitoral “assente na justiça e na verdade, onde o vencedor ganhe bem, o vencido felicite o vencedor”, e que estas sejam “as eleições mais exemplares já realizadas em África”.
“Se assim for, estaremos a transmitir aos outros países do continente e do mundo que somos um país que luta para a democracia, para o progresso e para o bem do nosso povo e de toda a África”, salientou.
Para o sucesso do trabalho daCNE, Rui Malopa Miguel apelou à colaboração dos eleitores para que afluam às urnas com civismo, sendo um dos elementos mais importantes que garantem um exercício de cidadania exemplar em qualquer parte do mundo, onde se realizam eleições periodicamente. “Temos de mobilizar os nossos militantes, simpatizantes, amigos, familiares ou potenciais eleitores que votem com civismo e respeito pelo outro”, concluiu.