Mário Calado, treinador do Sagrada Esperança, sugeriu esta quarta-feira uma investigação ao árbitro Hélder Martins, na sequência de uma grande penalidade que este assinalou a favor do Kabuscorp do Palanca, quando a partida encontrava-se igualada a duas bolas.
A grande penalidade desfez a igualdade e permitiu que a equipa treinada por Victor Bondarenko ganhasse. Mário Calado diz que o penalti não existiu, uma opinião partilhada pelo comentador da Rádio Cinco, Dionísio de Almeida, que se encontrava em serviço.
O treinador do Sagrada Esperança disse que o árbitro se lhe dirigiu no intervalo e o avisou que não se tratava da Lunda-Norte mas de Luanda.
Não se sabe ao certo que mensagem pretendia Hélder Martins transmitir ao treinador, tão pouco em que contexto foram ditas estas palavras. De qualquer modo, Hélder Martins volta a estar mergulhado numa polémica, que configura suspeita de corrupção, depois de ter sido suspenso da FIFA, na sequência de um jogo para as eliminatórias do CAN2012, entre Camarões e Senegal, tendo o árbitro angolano assinalado uma grande penalidade inexistente pelas imagens que nos chegaram pela televisão.
Graças à diplomacia da Federação Angolana de Futebol, Hélder Martins voltou para os quadros da FIFA mas o seu trabalho tem sido monitorado de perto, sobretudo nas competições africanas.
Hélder Martins estreou-se apenas na quinta jornada do Girabola2012, dirigindo o jogo entre o 1º de Agosto Recreativo da Caála. Informações não oficiais dizem que o árbitro foi penalizado pelo Conselho Central de Árbitros por não ter feito o seminário metodológico, no princípio da época.
No ano passado, alguns clubes como o Recreativo do Libolo e o Atlético Sport Aviação (ASA) tinham escrito ao Conselho Central de Árbitros para que Hélder Martins não fosse nomeado para os seus jogos.
Em relação ao Recreativo do Libolo as razões nunca foram conhecidas.
Já do Atlético Sport Aviação (ASA) soube-se que tinha a ver com o facto deste tratar mal os jogadores aviadores, dirigindo-lhes ofensas verbais.
A questão da corrupção no futebol nacional nunca foi assumida pela Federação Angolana de Futebol (FAF), tão pouco pelo Conselho Central de Árbitros, apesar de alguns presidentes terem já denunciado a existe do fenómeno no Girabola.
António Mosquito e Paixão Júnior, presidentes do Recreativo da Caála e do Progresso do Sambizanga, assumiram em declarações ao Programa Espaço Público da Televisão Pública e ao Quintão da Rádio Cinco existir corrupção e fizeram apelo para que os clubes todos fizessem um compromisso de sangue.
Entretanto, a Federação Angolana de Futebol (FAF) fez no ano passado uma reunião de emergência em função de muitas suspeitas de corrupção na ponta final do Girabola mas os presidentes dos clubes não foram capazes de abordar o assunto com a frontalidade que se exige.
Ninguém, aliás, levantou o assunto tal como Paixão Júnior e António Mosquito o fizeram naqueles programa, silêncio que pode ser entendido como a não existência do problema ou a assumpção implícita do assunto, uma vez que a existir o fenómeno tem necessariamente duas faces: quem corrompe e quem é corrompido. O ex-presidente do Conselho Central de Arbitragem, Jorge Mário Fernandes, afirmou no seu primeiro encontro com os clubes que muitos deles tinham orçamento para corromper árbitros e nenhum dos dirigentes presentes no encontro protestou, apenas um se demarcou.