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Eleições europeias põem euro abaixo de USD 1,3

A segunda economia europeia, a França, e a que se encontra em maiores apuros, a grega, foram a votos sob o signo a austeridade e da estagnação económica que impende sobre a União. François Hollande afastou Sarkozy do poder nas eleições presidenciais francesas, dando a primeira vitória aos socialistas desde o afastamento de François Mitterrand, há 17 anos.Nas legislativas gregas os socialistas, que se encontravam no governo, foram severamente penalizados pelo eleitorado, mas a Nova Democracia, o partido de centro-direita que assegura, no regime grego, a alternância com os socialistas, não conseguiu mais que 18,9% dos votos e, em escassas horas, concluiu pela impossibilidade de formar qualquer governo de coligação. Foi então convidada a segunda força mais votada, a coligação de esquerda radical – Syriza – constituída com base em dissidentes de diferentes partidos e liderada por Alexis Tsipras, o único político que se pode, na verdade, considerar vencedor do pleito eleitoral.

Mas o Syriza, que se opõe ao acordo firmado com a União Europeia (Banco Central Europeu e Comissão Europeia) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) em contrapartida do empréstimo concedido a Atenas para que a economia grega continue a funcionar, embora assegurando que quer que o país permaneça na Zona Euro, não tem qualquer possibilidade de reunir uma maioria parlamentar, o que irá empurrar inevitavelmente a Grécia para novas eleições. O problema é que o país não terá dinheiro para, a partir de Junho, pagar os seus compromissos, ou seja pagar a funcionários públicos e pensionistas. E mais.

A realização de novas eleições não garante que o actual cenário político se irá modificar, ganhando cada vem mais consistência a hipótese de a Grécia ter de sair do euro.

Drama grego descarrila para tragédia grega

Já a vitória de Hollande não causou, pelo menos de imediato, tamanhos estragos. François Hollande prometeu contratar mais 60 mil professores, criar dezenas de milhares de empregos, antecipar a idade de reforma para quem já trabalhe há 41 anos, cartas de condução gratuitas e ainda outras medidas que irão pesar no orçamento de um país onde a despesa do Estado em percentagem da riqueza produzida anualmente (PIB) é a maior da União Europeia (cerca de 58%). A austeridade em França ainda é suave, mau grado o desequilíbrio acentuado da respectiva balança de pagamentos, e os mercados ainda não começaram a penalizar a dívida francesa. A França ainda consegue obter empréstimos de longo prazo (10 anos) a uma taxa muito mais baixa (3%) que Espanha ou Itália, por exemplo. Hollande navega contra a corrente a incógnita que se põe é se vai ou não colidir com a posição alemã. Mas exigências do novo presidente em relação ao crescimento e à alteração do pacto intergovernamental europeu, já rejeitada pela Alemanha, não parecem assustar os investidores e a chanceler Merkel telefonou, logo que se soube dos resultados eleitorais, ao novo presidente francês pedindo-lhe que fosse a Berlim ‘o mais rápido possível’. Irá a 23 de Maio. Será a primeira coisa que fará logo a seguir à sua posse. E Merkel poderá então amenizar-lhe o ímpeto eleitoral com a subscrição da proposta, feita pela oposição alemã, da criação de um imposto sobre transacções financeiras em toda a Europa para financiar políticas de emprego e crescimento nos países da Zona Euro que enfrentam maiores dificuldades.

Ninguém parece tomar muito a peito as ambiguidades de Hollande: não quer increver na Constituição que o défice orçamental não pode exceder 0,5% do PIB mas admite fazê-lo numa lei-quadro orçamental; defendeu na campanha eleitoral a alteração dos estatutos do BCE mas no programa de governo refere apenas a necessidade de reorientação da política do Banco Central Europeu em favor do crescimento e do emprego. Diz que quer eurobonds (obrigações europeias), adiantando contudo que elas não deverão servir para mutualizar a dívida europeia…E, neste último aspecto, para clarificar as coisas e evitar colidir com a posição alemã, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, veio entretanto esclarecer que defende a criação de eurobonds mas que estes só deverão ser introduzidos após a consolidação orçamental em curso.

Portanto, mais que as profissões de fé contra a austeridade feitas ao longo da campanha eleitoral pelo novo presidente francês, que poderão vir a ser esbatidas face à realidade da economia europeia e à firmeza da Alemanha quanto à necessidade de pôr as contas dos países endividados em dia é a confusão grega que inquieta os mercados e os investidores. Se o euro poderá estar ‘a descarrilar em câmara lenta’, como diz o economista Nouriel Roubini, o drama grego, esse, descarrila a passos largos para uma tragédia grega.

Mercados reagem

O mercado cambial reagiu, de imediato, às eleições em França e na Grécia. Às 3:00h da madrugada de segunda-feira o euro caía para USD 1,298, para se recompor, passado umas horas. Às 11:00h fixava-se nos USD 1,302. Claramente o primeiro ‘efeito Hollende’ dissipava-se. Mas não só subsistia como se agarrava o imbróglio grego. E assim, depois de atingir USD 1,305 na terça-feira, a moeda europeia voltava a cair para USD 1,298 na quarta-feira. Já o barril de petróleo recuou, logo após o anúncio do desfecho das eleições francesas e gregas domingo à noite, significativamente, tanto no mercado londrino como no de Nova Iorque. Em Londres, o brent, do Mar do Norte, descia para USD 110,4 o barril, o valor mais baixo desde Janeiro, enquanto em Nova Iorque os contratos de futuros do West Texas Intermediate (WTI) desciam para USD 95,47, o equivalente a uma desvalorização de 3,07%, um valor que já não era praticado desde 20 de Dezembro. O barril da Opep regista quebras desde o passado dia 30 de Abril. Terça-feira cotava a USD 109, 58, abaixo dos USD 110, quando no início dos mês superava os USD 117.

Os investidores antecipam que a situação política europeia saída das eleições realizadas no domingo em França e na Grécia (a que se poderão associar os conflitos no governo holandês) trará novas dificuldades à economia do continente, afectando a procura por petróleo e enfraquecendo a moeda única.

Luís Faria
15 de Maio de 2012
15:27
 
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